Açúcar nº 11 mantém-se firme acima de 18 c com política mais restritiva e Brasil liderando a oferta
Análise concisa do mercado de cana-de-açúcar: curva do ICE nº 11, oferta liderada pelo Brasil, proibição de exportações e mudança nas importações da Índia, preços refinados FOB Brasil em EUR e perspetivas de negociação de curto prazo.
Preços
A curva do ICE nº 11 em 9 de outubro de 2026 mostra força nos vencimentos próximos, com um backwardation suave. Março de 2027 liquidou a 20.25 USc/lb, alta de 0.10 no dia (+0.49%), enquanto maio de 2027 fechou a 19.47, julho de 2027 a 19.02 e outubro de 2027 a 18.96 USc/lb. Nos vencimentos mais distantes, março de 2028 foi negociado a 19.26, antes de recuar para 18.34 em maio de 2028 e 17.73 em outubro de 2028, com março de 2029 a 18.06 e julho de 2029 a 17.38 USc/lb.
Essa estrutura reflete um mercado que precificou um aperto imediato, mas espera uma normalização incremental à medida que novas safras do Brasil e da Tailândia chegam. O volume continua concentrado no contrato de março de 2027 (mais de 50,000 lotes negociados), reforçando seu papel como principal ponto de liquidez e referência para hedge.
Oferta & Demanda
A Índia continua efetivamente ausente do mercado mundial de exportação devido a uma proibição abrangente das exportações, válida até pelo menos 30 de setembro de 2026, recentemente reafirmada em comunicados governamentais e briefings à imprensa. Em vez disso, Nova Délhi optou temporariamente por importações isentas de direitos de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto ao abrigo de uma TRQ, com um prazo estendido para entrega e instruções às usinas para anteciparem a moagem a partir de meados de outubro, a fim de aumentar a disponibilidade doméstica antes dos festivais.
No Brasil, a produção do Centro-Sul continua sustentando a oferta global. Embora o clima permaneça influenciado pelo El Niño, as previsões recentes indicam uma combinação de chuvas e condições quentes que, por enquanto, favorecem o desenvolvimento da cana em vez de ameaçá-lo. A Tailândia e partes da Ásia ainda enfrentam riscos negativos relacionados ao clima para as futuras safras, mas, para a temporada atual, a disponibilidade para exportação é considerada adequada, deixando a política, e não o clima, como principal fator determinante dos fluxos comerciais globais.
Fundamentos
O posicionamento especulativo diminuiu em relação aos níveis máximos de alta após o rali do final de setembro, mas os fundos continuam líquidos comprados, apoiados pela parte curta da curva, mais apertada, e pela incerteza sobre a produção de 2026/27 na Índia e no Brasil. Comentários recentes destacam que a sustentabilidade do rali depende de as perdas de produção projetadas nesses países de origem se concretizarem; pesquisas mostram uma ampla faixa de expectativas para a próxima safra indiana, de uma queda moderada a estabilidade em relação ao ano anterior.
No mercado físico, o açúcar refinado FOB São Paulo (ICUMSA 45, origem Brasil) é cotado a 0.53 EUR/kg FOB em 28 de outubro de 2024, acima de 0.51–0.52 EUR/kg no início do mês, indicando uma tendência moderada de alta que acompanha a firmeza dos futuros nº 11 sem sugerir uma escassez aguda. Esse alinhamento entre futuros e mercado à vista evidencia um mercado equilibrado: apertado o suficiente para sustentar os preços, mas sem sinais imediatos de compras motivadas por pânico.
Perspetivas Climáticas
Nas próximas semanas, prevê-se que o cinturão canavieiro do Centro-Sul do Brasil registre chuvas intermitentes sob a influência persistente do El Niño, o que deverá favorecer os rendimentos da cana no fim da temporada, embora ocasionalmente desacelere o ritmo da colheita. Na Índia, a retirada das monções foi em grande parte concluída; no curto prazo, o clima é menos preocupante do que os níveis dos reservatórios e a política, de modo que o risco imediato de oferta relacionado ao clima parece secundário.
Olhando para o início de 2027, analistas alertam que qualquer transição do El Niño para condições neutras ou La Niña poderá alterar os padrões de precipitação na Ásia e na América Latina, acrescentando outra camada de incerteza às previsões de produção de médio prazo.
Perspetivas de Negociação
- Produtores (Brasil e outros exportadores): Aproveitar a força atual nos futuros de março–julho de 2027 (cerca de 19–20 USc/lb) para estruturar hedges sobre as exportações de 2026/27, priorizando opções ou estruturas flexíveis que preservem o potencial de alta caso as importações indianas aumentem ou novos problemas climáticos apertem o balanço.
- Compradores industriais e refinadores: Considerar a cobertura de uma parcela significativa das necessidades do 2º ao 4º trimestre de 2027 enquanto a curva futura permanecer apenas ligeiramente em backwardation e os preços refinados FOB Brasil em EUR subirem gradualmente, e não de forma acentuada.
- Participantes especulativos: Com fundamentos apertados, mas não extremos, e a política influenciando fortemente os fluxos, favorecer uma abordagem tática de negociação dentro de uma faixa, com gestão rigorosa de risco em torno de anúncios governamentais importantes, especialmente da Índia.
Perspetivas da Bolsa para 3 Dias
Nas próximas três sessões de negociação, os futuros do açúcar ICE nº 11 provavelmente permanecerão sustentados acima dos níveis elevados da faixa de 18, com março de 2027 devendo consolidar-se numa faixa próxima da sua última liquidação de 20.25 USc/lb, enquanto o mercado avalia a janela de importação da Índia e as atualizações climáticas do Brasil. Os contratos próximos poderão apresentar uma volatilidade intradiária ligeiramente maior do que os meses mais distantes, mas a curva geral deverá manter seu backwardation moderado, a menos que surjam novos choques climáticos ou políticos.