Açúcar nº 11 recua à medida que as chuvas no Brasil encontram fundamentos globais ainda apertados
Atualização concisa do mercado de cana-de-açúcar: a curva do açúcar ICE nº 11 recua, as chuvas prejudicam a colheita no Brasil, a Índia mantém postura restritiva e os preços FOB do açúcar refinado brasileiro em EUR avançam gradualmente.
Preços
Os futuros do açúcar bruto ICE nº 11 em 16 de outubro de 2026 mostram um recuo sincronizado ao longo da curva:
| Contrato | Fechamento (centavos de US$/lb) | D / D (%) |
|---|---|---|
| Mar 2027 | 20.85 | -1.34 |
| May 2027 | 20.06 | -1.30 |
| Jul 2027 | 19.54 | -1.13 |
| Oct 2027 | 19.40 | -0.88 |
| Mar 2028 | 19.66 | -0.61 |
| May 2028 | 18.63 | -0.59 |
| Jul 2028 | 17.96 | -0.61 |
| Oct 2028 | 17.79 | -0.45 |
| Mar 2029 | 18.08 | -0.28 |
| May 2029 | 17.55 | -0.23 |
| Jul 2029 | 17.25 | -0.23 |
A curva continua levemente em backwardation de março de 2027 até a faixa de 2028–2029, mas a estrutura dos spreads perdeu força em comparação com os picos observados em setembro, indicando algum alívio na oferta próxima, enquanto os preços de prazos mais longos permanecem sustentados por riscos estruturais. As ofertas físicas recentes confirmam que o recuo dos futuros ainda não se traduziu em indicações de exportação mais fracas. O açúcar refinado brasileiro ICUMSA 45, origem Brasil, FOB São Paulo, é cotado a 0.53 EUR/kg em 28 de outubro de 2024, ante 0.52 EUR/kg em 18 de outubro e 0.51 EUR/kg em 9 de outubro de 2024, ressaltando margens ainda firmes e demanda resiliente nas regiões deficitárias.
Oferta e Demanda
Os fundamentos continuam apertados apesar da atual correção dos preços. As chuvas persistentes no Centro-Sul do Brasil estão interrompendo a colheita da cana, e pesquisas recentes com analistas apontam para uma forte queda na produção de açúcar na segunda metade de setembro. A moagem mais lenta, a menor disponibilidade de cana e os níveis mais baixos de ATR sustentam os preços, especialmente nos contratos próximos, nos quais refinadores e importadores continuam ativos nas quedas.
A Índia continua desempenhando um papel decisivo pelo lado da demanda. Mudanças anteriores na política em direção à liberalização das importações por meio de cotas de açúcar bruto com isenção tarifária, combinadas com restrições às exportações, sinalizam balanços domésticos mais apertados e menor disponibilidade para o mercado mundial até o fim de 2026. As chuvas fracas das monções e a incerteza contínua em torno das permissões de exportação e do desvio para etanol acrescentam riscos do lado da oferta antes do próximo ano comercial.
Na região asiática mais ampla, a produção na Tailândia e em outras origens é adequada para o ano corrente, mas os riscos climáticos associados ao El Niño e a concorrência do Brasil limitam o espaço para exportações materialmente maiores no restante da década. Enquanto isso, as projeções do balanço global apontam para um déficit apertado, mas não extremo, em 2026/27, com crescimento apenas modesto da demanda, porém produção limitada em vários produtores importantes, incluindo Brasil e Índia.
Monitoramento do Clima e das Políticas
O clima de curto prazo continua sendo o principal fator determinante. As chuvas recentes e previstas no cinturão canavieiro do Centro-Sul do Brasil já desaceleraram as operações de colheita, e novas precipitações acima do normal representariam risco de revisões adicionais para baixo na produção de açúcar e de atrasos nas exportações. Por enquanto, contudo, as usinas mantêm taxas de moagem relativamente altas quando se abrem janelas de clima mais seco, mantendo a disponibilidade geral adequada.
No âmbito das políticas, a postura da Índia é a principal incógnita. A combinação de uma proibição às exportações, limites de estoques mais rígidos e cotas de importação com isenção tarifária ressalta a prioridade do governo de conter os preços domésticos durante a temporada de festivais. Olhando adiante, qualquer extensão ou flexibilização dessas medidas, assim como decisões sobre as metas de mistura de etanol em meio aos preços elevados da energia, terá um impacto desproporcional nos fluxos comerciais de 2026/27 e na curva do ICE nº 11.
Fundamentos e Estrutura de Mercado
A atual queda dos preços deve ser vista como uma correção dentro de um cenário geral construtivo. Os fundos realizaram lucros após a forte alta do terceiro trimestre, e as entregas físicas recordes ou próximas de recordes contra alguns contratos de açúcar branco no início do trimestre destacaram bolsões de demanda mais fraca em níveis de preços mais elevados. Ainda assim, as projeções de longo prazo continuam prevendo déficits globais de açúcar, à medida que as usinas brasileiras redirecionam parte do mix de cana para o etanol em resposta aos preços mais altos do petróleo bruto.
A dinâmica da curva também aponta para um mercado que está se aliviando, mas não entrando em colapso. A backwardation de março de 2027 até meados de 2028 se estreitou, sinalizando menor temor de escassez aguda no curto prazo; ainda assim, os preços diferidos de 2028–2029 continuam sustentados pelas expectativas de intervenções políticas contínuas, volatilidade climática e investimentos limitados em nova capacidade fora do Brasil. Portanto, é provável que a sensibilidade do mercado a dados adicionais sobre a moagem brasileira e o ritmo das importações indianas permaneça elevada até o quarto trimestre de 2026.
Perspectivas de Negociação
- Produtores (Brasil e outros exportadores): Usar os níveis atuais de março–julho de 2027, em torno de 19–21 centavos de dólar por libra-peso, para estruturar coberturas adicionais sobre as exportações de 2026/27, favorecendo opções e estruturas flexíveis para preservar o potencial de alta caso as perdas da safra brasileira ou as restrições indianas se aprofundem.
- Compradores industriais / refinadores: Considerar ampliar a cobertura nas quedas de preços próximas das mínimas recentes, na área de 19–20 centavos de dólar por libra-peso, para entregas em 2027, diante dos riscos persistentes relacionados ao clima e às políticas e dos preços FOB do açúcar refinado brasileiro em EUR ainda firmes.
- Especuladores: Concentrar-se em estratégias de negociação dentro de uma faixa no curto prazo, respeitando o momentum recente de baixa, mas observando sinais de reversão caso o clima no Brasil piore ou a Índia prolongue as medidas restritivas às exportações além das orientações atuais.
Perspectiva direcional de 3 dias: Nas próximas três sessões de negociação, é provável que os futuros do açúcar ICE nº 11 permaneçam voláteis, mas amplamente dentro de uma faixa, com leve viés de baixa caso o sentimento de risco macroeconômico continue frágil e não surjam novos choques de oferta. Espera-se que os preços FOB do açúcar refinado brasileiro em São Paulo, em EUR, permaneçam estáveis a ligeiramente mais firmes, acompanhando os futuros, mas sem movimentos bruscos previstos no curtíssimo prazo.