Curva do Açúcar No.11 perde força, mas fundamentos permanecem apertados
Os futuros do ICE Sugar No.11 recuaram com um backwardation moderado até 2029, enquanto fundamentos apertados, proibições de exportação da Índia e o clima no Brasil limitam a queda.
Preços
A curva mais recente do ICE Sugar No.11 (liquidações de 22 de outubro de 2026) mostra uma correção modesta e um backwardation moderado:
| Contrato | Fechamento (US‑ct/lb) | Variação (ct/lb) | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Mar 2027 | 20.13 | -0.32 | -1.59% |
| May 2027 | 19.52 | -0.30 | -1.54% |
| Jul 2027 | 19.11 | -0.28 | -1.47% |
| Oct 2027 | 19.04 | -0.27 | -1.42% |
| Mar 2028 | 19.35 | -0.27 | -1.40% |
| May 2028 | 18.28 | -0.24 | -1.31% |
| Jul 2028 | 17.66 | -0.16 | -0.91% |
| Oct 2028 | 17.50 | -0.14 | -0.80% |
| Mar 2029 | 17.77 | -0.15 | -0.84% |
| May 2029 | 17.25 | -0.13 | -0.75% |
| Jul 2029 | 16.97 | -0.10 | -0.59% |
A curva permanece em backwardation de março de 2027 até 2029, consistente com um balanço estruturalmente apertado, mesmo com os preços recuando das máximas recentes acima de 20 US‑ct/lb. Comentários recentes confirmam que os futuros haviam subido fortemente no início de outubro devido à proibição de exportações da Índia e aos riscos climáticos no Brasil antes desta última retração.
No segmento físico refinado, o açúcar branco brasileiro (ICUMSA 45, FOB São Paulo) também vem avançando, com indicações atuais de EUR 0.53/kg ante EUR 0.51/kg no início de outubro, reforçando a demanda firme e a disponibilidade restrita no curto prazo, apesar da correção dos futuros.
Fatores de Oferta e Demanda
O principal fator estrutural continua sendo a política restritiva de exportações da Índia. Nova Délhi proibiu efetivamente as exportações de açúcar bruto, branco e refinado até pelo menos 30 de setembro de 2026, direcionando os compradores tradicionais para o Brasil e a Tailândia e retirando um grande fornecedor do mercado marítimo.
Ao mesmo tempo, a região canavieira do Centro-Sul do Brasil enfrenta um padrão climático volátil à medida que a estação chuvosa ganha força. As chuvas têm atrasado periodicamente a colheita e a logística, contribuindo para os picos anteriores de preços, enquanto as previsões ainda apontam para oscilações relacionadas ao El Niño que podem limitar a produção. A expectativa é de que a Tailândia produza menos açúcar em 2026/27 devido às condições adversas, apertando ainda mais o excedente exportável da Ásia.
Do lado da demanda, o consumo continua resiliente, com apenas uma destruição limitada e sensível aos preços visível até agora. As projeções de médio prazo de organizações internacionais ainda apontam para um pequeno déficit global ou, no máximo, para uma temporada 2026/27 rigorosamente equilibrada, deixando o mercado vulnerável a novos choques climáticos ou políticos.
Fundamentos e Clima
Uma análise recente destaca que o Açúcar No.11 se recuperou fortemente das mínimas de meados de 2026, próximas de 13–14 US‑ct/lb, para a região de 20–21 US‑ct/lb, onde agora se consolida abaixo do pico do fim de 2023, próximo de 28 US‑ct/lb. A retração atual de cerca de 1.5% em toda a curva de 2027–2029 parece modesta nesse contexto mais amplo.
O clima continua sendo o principal fator de oscilação. Um El Niño mais forte aumenta o risco de chuvas reduzidas ou monções mal distribuídas na Índia e na Tailândia, ao mesmo tempo em que provoca chuvas irregulares no Brasil. Com o balanço global já próximo do déficit, mesmo perdas marginais de produtividade entre esses três produtores poderiam sustentar o backwardation e manter os futuros apoiados nas quedas.
Os fundamentos do açúcar refinado estão alinhados com esse cenário. A alta dos preços FOB do ICUMSA 45 brasileiro em São Paulo, de EUR 0.51/kg em 9 de outubro de 2024 para EUR 0.53/kg em 28 de outubro de 2024, sinaliza que os compradores estão dispostos a pagar mais para garantir açúcar branco de alta qualidade, especialmente com a Índia praticamente ausente do mercado de exportação.
Perspectiva de Curto Prazo e Visão de Negociação
Para as próximas sessões, a combinação de futuros ligeiramente mais fracos, backwardation persistente e disponibilidade física restrita sugere uma fase de consolidação, e não uma reversão de tendência. Relatórios recentes observam que os preços já haviam recuado por várias sessões diante das expectativas de melhor progresso da safra brasileira e das mudanças na política indiana de etanol, mesmo com a história de déficit de longo prazo permanecendo intacta.
- Produtores (Brasil, Tailândia e outros): Utilizem os níveis atuais nos contratos de março–julho de 2027 para aumentar gradualmente os hedges, mas evitem fixar excessivamente os vencimentos distantes de 2028–2029, nos quais o backwardation reduz os retornos; considerem estruturas com opções para manter o potencial de alta em caso de novos choques climáticos ou políticos na Índia.
- Compradores industriais / refinadores: Encarem as quedas em direção à faixa superior dos 10 US‑ct/lb na curva como oportunidades para ampliar a cobertura, especialmente para entregas de 2027–2028, diante da proibição de exportações da Índia e da perspectiva de uma safra mais fraca na Tailândia.
- Especuladores: O momentum de curto prazo tornou-se neutro a ligeiramente negativo após o recuo mais recente de 1–2%, mas o déficit estrutural e os riscos políticos favorecem compras nas quedas, em vez de apostar na continuidade da baixa.
Perspectiva Direcional de 3 Dias (Foco nos Futuros)
- Contratos dianteiros do ICE Sugar No.11 (Mar–May 2027): Provavelmente permanecerão limitados a uma faixa, com leve viés de baixa no intradiário, mas sustentados nas rupturas à medida que a demanda física surgir.
- Parte intermediária da curva (Mar–Oct 2028): Tom ligeiramente mais fraco que o vencimento dianteiro, mas ainda respaldado pelas preocupações com o déficit e pela continuidade da proibição de exportações da Índia.
- Vencimentos longos (2029): Estáveis a ligeiramente mais firmes em relação ao fechamento de hoje caso novos temores climáticos ou manchetes políticas reacendam a compra de spreads.