O mercado de açúcar bruto na ICE (contrato n.º 11) atravessa um momento de transição em que a forte correção observada em 2024–início de 2025 dá lugar a uma fase de consolidação em patamares mais baixos, mas com uma curva futura relativamente inclinada, refletindo prêmios para as safras mais longas. Os dados mais recentes (13/03/2026) mostram o contrato maio/26 oscilando em torno de 14,37 centavos de dólar por libra-peso, com variação diária praticamente estável (-0,01 cent/lb, -0,07%), enquanto os vencimentos de 2027 e 2028 operam entre 15,3 e 16,3 cent/lb. Convertendo esses níveis para BRL por kg, observa-se que o mercado internacional de açúcar bruto trabalha hoje próximo de R$ 0,76/kg no curto prazo, avançando para a faixa de R$ 0,86–0,90/kg na parte longa da curva, sugerindo expectativa de custos mais altos, riscos climáticos e possível aperto de oferta adiante.
Ao mesmo tempo, o mercado físico de açúcar refinado brasileiro (ICUMSA 45, FOB São Paulo) permanece relativamente firme: as últimas indicações mostram preços entre R$ 3,06/kg e R$ 3,18/kg entre 09/10/2024 e 28/10/2024, com leve tendência de alta, o que indica que, apesar do recuo do açúcar bruto em Nova York ao longo dos últimos trimestres, a cadeia de valor até o produto refinado mantém margens positivas, sustentadas por custos logísticos, prêmios de qualidade e demanda externa sólida. Para o produtor de cana e para as usinas no Brasil, esse quadro sinaliza um ambiente de preços internacionalmente mais moderados, porém ainda atrativos em BRL, especialmente para operações bem hedgeadas na ICE e com boa eficiência industrial. Para o comprador industrial, o momento é de oportunidade para estruturar compras escalonadas, aproveitando a estabilidade dos contratos de curto prazo e avaliando com cautela os prêmios mais elevados na curva de 2027–2028.
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Sugar refined
ICUMSA 45
FOB 0.53 €/kg
(from BR)
📈 Preços e curva de futuros do açúcar bruto (ICE n.º 11, convertidos em BRL)
Os dados de referência (13/03/2026) para o açúcar bruto na ICE n.º 11 indicam uma curva levemente altista à medida que avançamos para os vencimentos de 2027 e 2028. Considerando uma taxa de câmbio aproximada de 1 USD = 6,00 BRL e a conversão de 1 lb = 0,4536 kg, obtemos os seguintes níveis aproximados em BRL/kg:
| Vencimento ICE 11 | Fechamento (US¢/lb) | Fechamento (BRL/kg) | Variação diária (US¢/lb) | Variação diária (%) | Sentimento |
|---|---|---|---|---|---|
| Mai 26 | 14,37 | ≈ 1,91 BRL/kg | -0,01 | -0,07% | Neutro / Levemente baixista intradiário |
| Jul 26 | 14,57 | ≈ 1,93 BRL/kg | +0,02 | +0,14% | Leve suporte no curto prazo |
| Out 26 | 14,93 | ≈ 1,98 BRL/kg | +0,01 | +0,07% | Curva começa a inclinar |
| Mar 27 | 15,60 | ≈ 2,07 BRL/kg | -0,01 | -0,06% | Estável, prêmio sobre 2026 |
| Mai 27 | 15,38 | ≈ 2,04 BRL/kg | -0,02 | -0,13% | Ajuste técnico |
| Jul 27 | 15,39 | ≈ 2,04 BRL/kg | -0,03 | -0,19% | Leve correção |
| Out 27 | 15,68 | ≈ 2,08 BRL/kg | -0,03 | -0,19% | Prêmio estrutural mantido |
| Mar 28 | 16,29 | ≈ 2,16 BRL/kg | -0,04 | -0,25% | Curva longa bem precificada |
| Mai 28 | 16,12 | ≈ 2,14 BRL/kg | -0,04 | -0,25% | Realização leve |
| Jul 28 | 16,10 | ≈ 2,13 BRL/kg | -0,04 | -0,25% | Liquidez reduzida |
| Out 28 | 16,32 | ≈ 2,16 BRL/kg | -0,04 | -0,25% | Topo atual da curva |
Observa-se que, apesar de pequenas variações negativas diárias em vários vencimentos, o desenho geral da curva continua altista entre 2026 e 2028, com prêmios de aproximadamente 10–15% entre o primeiro contrato (mai/26) e a parte mais longa (out/28) em BRL/kg. Isso reflete expectativas de riscos futuros (clima, políticas de biocombustíveis, custos de produção) mais do que um aperto imediato de oferta.
📈 Mercado físico de açúcar refinado brasileiro (FOB São Paulo, BRL)
Com base nas ofertas recentes de açúcar refinado ICUMSA 45, FOB São Paulo, temos a seguinte evolução de preços (todos já em BRL/kg, usando taxa de 1 EUR ≈ 6,00 BRL para conversão dos dados originais em EUR):
| Data da oferta | Produto | Origem | Preço atual (BRL/kg) | Preço anterior (BRL/kg) | Variação | Sentimento |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 28/10/2024 | Açúcar refinado ICUMSA 45 | Brasil (São Paulo) | ≈ 3,18 BRL/kg | ≈ 3,12 BRL/kg | +0,06 BRL/kg | Altista |
| 18/10/2024 | Açúcar refinado ICUMSA 45 | Brasil (São Paulo) | ≈ 3,12 BRL/kg | ≈ 3,06 BRL/kg | +0,06 BRL/kg | Altista |
| 09/10/2024 | Açúcar refinado ICUMSA 45 | Brasil (São Paulo) | ≈ 3,06 BRL/kg | ≈ 3,12 BRL/kg | -0,06 BRL/kg | Correção pontual |
Comparando com os níveis de açúcar bruto na ICE (≈ 1,9–2,1 BRL/kg), nota-se que o açúcar refinado FOB São Paulo continua com prêmio significativo, condizente com custos de refino, logística, prêmio de origem brasileira e estrutura de demanda internacional. Para as usinas, essa relação bruto/refinado segue incentivando o mix açucareiro, especialmente em momentos de câmbio favorável.
🌍 Oferta e demanda global de cana-de-açúcar e açúcar
Principais produtores e exportadores
- Brasil: Maior produtor e exportador mundial de açúcar, com forte peso da região Centro-Sul. A decisão de mix entre açúcar e etanol permanece o principal fator de ajuste de oferta exportável.
- Índia: Grande produtor, com políticas internas (preços mínimos, estoques e subsídios) que determinam o volume exportável. Em safras de quebra, o país tende a restringir exportações, apoiando os preços internacionais.
- Tailândia: Exportador chave no Sudeste Asiático; oscilações climáticas (El Niño/La Niña) impactam fortemente sua oferta.
- União Europeia: Produção focada em beterraba, com maior sensibilidade a clima temperado e políticas ambientais.
Demanda
- Consumo alimentar: Cresce de forma moderada em mercados emergentes, enquanto se estabiliza ou desacelera em países desenvolvidos devido a mudanças de hábitos alimentares.
- Uso industrial: Bebidas, confeitaria e alimentos processados seguem como principais destinos, com relativa resiliência mesmo em cenários de desaceleração econômica.
- Biocombustíveis: No Brasil, o etanol de cana compete diretamente com o açúcar pelo uso da matéria-prima, tornando o preço da gasolina e as políticas de mistura (como RenovaBio) determinantes para o mix.
📊 Fundamentos e fatores de mercado
Curva de futuros e expectativas
- A curva ICE 11 entre mai/26 e out/28 mostra prêmio crescente de cerca de 10–15% em BRL/kg, sugerindo que o mercado precifica risco climático e possíveis ajustes de oferta no médio prazo.
- A estabilidade intradiária (variações diárias pequenas, entre -0,25% e +0,14%) indica que, no curtíssimo prazo, o mercado já incorporou boa parte das informações fundamentais recentes.
- O volume negociado no primeiro vencimento (mai/26) é expressivo (quase 60 mil contratos no dia), reforçando a relevância desse contrato como referência para hedge de curto prazo.
Custos, câmbio e spreads
- Com o açúcar bruto em torno de 1,9–2,1 BRL/kg e o refinado FOB São Paulo em 3,06–3,18 BRL/kg, o spread bruto–refinado segue atrativo para as usinas brasileiras.
- Um câmbio mais depreciado (BRL mais fraco) tende a aumentar a receita em BRL das exportações de açúcar, mesmo com cotações internacionais moderadas em US¢/lb.
- Os custos de produção (insumos agrícolas, mão de obra, energia) permanecem como variável-chave para a rentabilidade do produtor de cana – especialmente em regiões com produtividade abaixo da média.
🌦️ Clima e impacto sobre a cana-de-açúcar
O clima nos principais polos produtores de cana (Centro-Sul do Brasil, Nordeste brasileiro, Índia e Tailândia) é o principal fator de risco para a safra 2026/27 e, portanto, para a parte longa da curva (2027–2028). Em termos gerais:
- Brasil – Centro-Sul: A regularidade das chuvas de verão e o regime de precipitação no outono/inverno determinam o desenvolvimento da cana e o teor de ATR. Episódios de seca prolongada ou geadas fora de época podem reduzir produtividade e elevar o mix para açúcar, sustentando preços.
- Brasil – Nordeste: Mais sensível a variações de chuva ligadas a fenômenos oceânicos (Atlântico tropical e Pacífico). Anos de seca intensa pressionam a oferta regional.
- Índia e Sudeste Asiático: Dependência do regime de monções; falhas de monção ou excesso de chuvas no período de colheita podem comprometer rendimentos e qualidade, com reflexos imediatos na disponibilidade exportável.
Para o produtor e para o gestor de risco, o cenário climático reforça a importância de estratégias de hedge antecipadas em momentos de preços mais altos na curva futura, especialmente para as safras 2027–2028, que já mostram prêmios relevantes em BRL/kg.
🌍 Produção e estoques globais (visão comparativa)
Embora os números exatos de produção e estoques variem conforme as últimas estimativas de órgãos como USDA, ISO e associações nacionais, o quadro estrutural permanece:
- Brasil: Mantém papel dominante nas exportações globais, com estoques internos relativamente ajustados e forte capacidade de resposta via mix açúcar/etanol.
- Índia: Oscila entre superávits e déficits; em anos de boa safra, contribui com volumes relevantes ao mercado exportador, mas em anos de quebra ou de políticas restritivas pode retirar milhões de toneladas do mercado global.
- Tailândia: Estoques e exportações fortemente dependentes do clima; safras boas significam oferta adicional e pressão baixista sobre a ICE, enquanto safras ruins reforçam o suporte de preços.
- Outros produtores (UE, Paquistão, México, etc.): Têm peso regional importante, mas menor capacidade de alterar significativamente o balanço global isoladamente.
📆 Perspectivas de curto e médio prazo
Curto prazo (próximas semanas)
- Com a cotação de mai/26 estabilizada em torno de 14,37 US¢/lb (≈ 1,91 BRL/kg), o mercado tende a permanecer em faixa de consolidação, reagindo mais a notícias climáticas e à dinâmica dos combustíveis do que a mudanças bruscas de fundamentos.
- A liquidez concentrada nos primeiros vencimentos sugere que movimentos táticos de fundos e comerciais podem gerar volatilidade intradiária, mas sem alterar, por ora, a tendência estrutural.
Médio prazo (safras 2026/27 e 2027/28)
- Os prêmios nos vencimentos de 2027–2028 (≈ 2,04–2,16 BRL/kg) indicam expectativa de risco climático e/ou de política de biocombustíveis, com possibilidade de menor disponibilidade exportável de alguns players.
- Se o clima se mantiver favorável nas principais origens, há espaço para achatamento parcial da curva, com algum alívio nos contratos mais longos.
- Caso ocorram quebras relevantes (seca severa, geadas, falhas de monção), o mercado pode reprecificar rapidamente os vencimentos mais próximos, aproximando-os dos níveis da curva longa.
🧭 Recomendações e estratégias de negociação
Para produtores de cana e usinas no Brasil
- Aproveitar os prêmios da curva 2027–2028 (≈ 2,04–2,16 BRL/kg) para estruturar hedges parciais das safras futuras, protegendo margens em cenários de queda de preços.
- Manter flexibilidade de mix entre açúcar e etanol, acompanhando de perto a relação açúcar ICE 11 em BRL/kg versus paridade do etanol hidratado e anidro no mercado interno.
- Reforçar a gestão de custos (insumos, mecanização, logística), uma vez que o patamar atual de preços, embora atrativo, é inferior aos picos recentes do ciclo altista.
Para indústrias consumidoras (alimentos e bebidas)
- Aproveitar a estabilidade de curto prazo dos contratos de 2026 para realizar compras escalonadas, evitando concentração de risco em um único momento de mercado.
- Avaliar contratos de fornecimento indexados à ICE 11 em BRL, buscando mecanismos de teto (cap) de preço para proteger-se de eventuais choques climáticos.
- Monitorar a evolução dos preços de açúcar refinado FOB São Paulo (em torno de 3,10–3,20 BRL/kg) como referência para negociações domésticas e importações.
Para traders e fundos
- Explorar estratégias de spread de curva (comprado curto, vendido longo ou vice-versa), de acordo com a avaliação de risco climático e de políticas de grandes produtores.
- Usar opções para montar estruturas de proteção em torno dos níveis atuais, dado que a volatilidade implícita tende a reagir a notícias de clima e de combustíveis.
- Observar o comportamento do volume e do open interest nos vencimentos de 2027–2028 como termômetro da confiança do mercado nas projeções de médio prazo.
🔮 Previsão de preços em BRL – 3 dias (ICE 11, referência mai/26)
Com base na configuração atual da curva, na baixa volatilidade intradiária recente e em um cenário de fundamentos sem choques imediatos, a expectativa para o contrato mai/26 em BRL/kg é de manutenção em faixa estreita:
| Dia | Faixa esperada (BRL/kg) | Sentimento |
|---|---|---|
| D+1 | 1,88 – 1,95 BRL/kg | Neutro, com viés levemente altista se clima piorar em origens-chave |
| D+2 | 1,87 – 1,96 BRL/kg | Consolidação, sensível a notícias de combustíveis e câmbio |
| D+3 | 1,86 – 1,97 BRL/kg | Faixa semelhante, aguardando novos dados de clima e safra |
Essas faixas representam uma visão indicativa de curto prazo, assumindo ausência de eventos extremos. Movimentos significativos fora dessas bandas dependerão, sobretudo, de surpresas climáticas em grandes produtores, mudanças abruptas em políticas de biocombustíveis ou variações relevantes do câmbio.
