As importações de soja da China em abril aumentaram 40% em relação ao ano anterior, impulsionadas pelo fornecimento brasileiro e pela normalização das alfândegas, mas o aumento dos estoques de farelo de soja pode pressionar os preços domésticos.
Preços & Tom de Mercado
Internacionalmente, o amplo abastecimento da América do Sul limitou os ralis, mas os valores de soja próximos ainda são apoiados pela forte demanda chinesa. Na Bolsa de Commodities de Dalian da China, o contrato futuro de soja No.1 mais ativo para julho de 2026 recentemente fechou em baixa em cerca de CNY 4.716 por tonelada, sinalizando uma certa diminuição nas expectativas de preços internos à medida que o fornecimento se normaliza.
Indicações físicas FOB de origens-chave convertidas para EUR mostram uma imagem mista, mas no geral suavizada: Soja No. 2 dos EUA a cerca de EUR 0,63/kg, feijões ucranianos próximos a EUR 0,34/kg, soja limpa sortex indiana cerca de EUR 0,86/kg (abaixo dos níveis anteriores) e soja amarela FOB Pequim da China em torno de EUR 0,71/kg, também ligeiramente abaixo dos máximos recentes. Esta combinação de oferta mais barata do Mar Negro e ofertas internas chinesas em descontração sublinha um tom mais equilibrado e levemente baixista a curto prazo.
Dinâmicas de Oferta & Demanda
Dados alfandegários chineses indicam que as importações de soja em abril foram de 8,48 milhões de toneladas, acima de 4,02 milhões de toneladas em março e 6,08 milhões de toneladas um ano antes, confirmando um aumento de 40% em relação ao ano anterior. Isso reflete tanto a recuperação de atrasos na alfândega quanto a demanda estruturalmente robusta das indústrias de processamento de alimentos e biocombustíveis domésticos. Sazonalmente, abril marca a intensificação das chegadas brasileiras, e a forte safra brasileira deste ano e a pressão de exportação amplificam o fluxo.
O Brasil continua sendo o principal fornecedor da China em 2026, sustentado por uma colheita recorde e projeções de exportação superiores a 108 milhões de toneladas, com a China como o principal destino. À medida que os controles fitossanitários mais rigorosos introduzidos no início do ano estão sendo gerenciados de maneira mais suave, a logística de exportação e a liberação alfandegária se normalizaram. Isso reduz o risco de escassez de curto prazo na China, mas aumenta a probabilidade de altos volumes de importação sustentados nos próximos meses.
Fundamentos: Esmagamento, Estoques & Políticas
A recuperação acentuada nas chegadas de abril, juntamente com a expectativa de continuidade de altas remessas brasileiras, implica em um fornecimento confortável de feijões para os esmagadores chineses. Com o consenso China-Brasil sobre comércio e inspeções de soja ajudando a estabilizar o tráfego alfandegário, os processadores de oleaginosas podem planejar cronogramas de esmagamento com maior confiança, reduzindo a volatilidade da base, mas também limitando o risco de alta nos preços.
No entanto, as mesmas dinâmicas levantam preocupações sobre os estoques a jusante. À medida que os feijões da América do Sul chegam em grande quantidade e as corridas de esmagamento permanecem altas, os estoques de farelo de soja domésticos estão programados para aumentar. O mercado já está antecipando um acúmulo, que pode pressionar os preços de farelo de soja e margens, a menos que a demanda de ração da pecuária e da aquicultura acelere. Por ora, o equilíbrio das evidências aponta para uma fase iminente de acumulação de estoques em vez de escassez no complexo de farelo de proteína da China.
Clima & Perspectiva Regional
O clima nas principais províncias produtoras de soja da China, como Heilongjiang e Jilin, é sazonalmente ameno em meados de maio, sem sinais de estresse significativo nas previsões de curto prazo. Dado que o foco atual do mercado está nos fluxos de importação, em vez de riscos de safra internos, a formação de preços a curto prazo é impulsionada mais pela logística brasileira, frete global e políticas do que pelas condições de campo chinesas.
Na América do Sul, a colheita brasileira quase completa e as exportações fortes em curso mantêm a disponibilidade global alta. A produção recorde e programas agressivos de exportação do Brasil continuam a exercer pressão estrutural descendente sobre os preços internacionais da soja, mesmo com a compra chinesa permanecendo grande em termos de volume.
Perspectiva de Negociação & Risco
- Esmagadores na China: Considere garantir uma parte das necessidades de feijão próximas enquanto os preços FOB estão suaves e os fluxos alfandegários estão se normalizando, mas tenha cuidado para não se estender demais nas vendas de farelo de soja, dado o aumento do risco de inventário.
- Importadores: Prefiram origens brasileiras e do Mar Negro, onde disponíveis, pois valores competitivos FOB denominados em EUR e abundante oferta oferecem boas oportunidades para garantir cobertura a médio prazo.
- Produtores de ração: Monitore de perto a base do farelo de soja; um acúmulo de estoques esperado pode oferecer melhores janelas de compra nas próximas semanas, particularmente se os futuros de Dalian continuarem sob pressão.
Direção dos Preços em 3 Dias (baseado em EUR)
- China (soja FOB Pequim): Levemente baixista a lateral nos próximos três dias, à medida que altas importações de abril e expectativas de chegadas contínuas da América do Sul limitam os preços internos.
- US Gulf/Atlantic FOB: Lateral com leve viés de baixa em termos de EUR, refletindo forte concorrência brasileira e compras chinesas incrementais limitadas.
- Mar Negro (Ucrânia FOB): Largamente estável; já precificado de forma competitiva, com apenas espaço modesto para novos descontos no curto prazo.