Os contratos de cevada para ração indicam preços historicamente baixos em termos reais, enquanto os custos de produção permanecem elevados e a logística segue arriscada, sobretudo na região do Mar Negro. A Ucrânia continua exportando volumes relevantes apesar da guerra, mas com forte foco em gestão de risco e posições menores. Para o Brasil e outros importadores, o quadro é de cevada global abundante, margens apertadas para produtores e traders e sensibilidade elevada a choques climáticos e geopolíticos.
O atual ambiente do mercado de cevada é marcado por uma “margem desértica”: preços de grãos que, ajustados pela inflação, estão em patamares de poder de compra próximos a mínimas de dez anos, enquanto insumos-chave como fertilizantes nitrogenados ainda custam cerca de 60% acima de 2020. Isso corrói a rentabilidade ao longo de toda a cadeia, do produtor ao exportador. Ao mesmo tempo, o comércio internacional de grãos está cada vez mais politizado, com novos atores operando em zonas regulatórias cinzentas e grandes casas tradicionais reduzindo exposição em ativos físicos.
No eixo do Mar Negro, a Ucrânia mostra resiliência notável: mesmo sob ataques a infraestrutura, terminais como Pivdennyi, Odesa e Chornomorsk foram reabertos e seguem escoando cevada e outros grãos. Exportadores como a Nibulon ajustam-se com parcerias logísticas e forte disciplina de execução, priorizando o cumprimento de contratos sem destruição de capital. A demanda internacional, por sua vez, tornou-se mais tática: compradores evitam compromissos de médio prazo e preferem compras spot ou de curto prazo, o que aumenta a volatilidade e limita a visibilidade de preços.
Exclusive Offers on CMBroker

Barley seeds
Cattle feed
FOB 0.18 €/kg
(from UA)

Barley seeds
feed grade, moisture: 14 % max
98%
FCA 0.25 €/kg
(from UA)

Barley seeds
feed grade, moisture: 14 % max
98%
FCA 0.23 €/kg
(from UA)
📈 Preços e curva de futuros
Futuros de cevada para ração – SFE (Austrália) convertidos em BRL
Com base na tabela SFE Futtergerste (cevada para ração) em AUD/t de 16/03/2026 e usando taxa aproximada de 1 AUD ≈ 3,30 BRL, os preços em BRL/t mostram leve recuo nos vencimentos curtos e prêmio moderado para posições mais longas.
| Vencimento | Fechamento original (AUD/t) | Fechamento aproximado (BRL/t) | Variação diária (AUD/t) | Variação diária (BRL/t) | Variação (%) | Sentimento |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Mar 2026 | 307,50 | ≈ 1.015 BRL/t | -2,50 | ≈ -8 BRL/t | -0,81% | Levemente baixista (realização) |
| Mai 2026 | 312,50 | ≈ 1.031 BRL/t | -2,50 | ≈ -8 BRL/t | -0,80% | Baixista curto prazo |
| Jul 2026 | 312,50 | ≈ 1.031 BRL/t | -2,50 | ≈ -8 BRL/t | -0,80% | Baixista curto prazo |
| Set 2026 | 312,50 | ≈ 1.031 BRL/t | -2,50 | ≈ -8 BRL/t | -0,80% | Baixista curto prazo |
| Nov 2026 | 312,50 | ≈ 1.031 BRL/t | -2,50 | ≈ -8 BRL/t | -0,80% | Baixista curto prazo |
| Jan 2027 | 322,50 | ≈ 1.064 BRL/t | +1,50 | ≈ +5 BRL/t | +0,47% | Levemente altista (prêmio de alongamento) |
| Jan 2028 | 322,50 | ≈ 1.064 BRL/t | +1,50 | ≈ +5 BRL/t | +0,47% | Altista estrutural moderado |
| Jan 2029 | 322,50 | ≈ 1.064 BRL/t | +1,50 | ≈ +5 BRL/t | +0,47% | Altista estrutural moderado |
A curva levemente em contango (prêmio de cerca de 4–5% entre Mar/26 e Jan/27–29 em BRL/t) indica que o mercado precifica algum risco de alta de custos ou de aperto de oferta no longo prazo, mas sem stress imediato. Isso é coerente com o cenário descrito no texto: preços de grãos deprimidos em termos reais, porém com custos de produção persistentemente altos.
Mercado físico ucraniano – ofertas recentes em BRL
As ofertas de cevada ucraniana para ração, convertidas a partir de preços em EUR/kg com taxa aproximada 1 EUR ≈ 6,00 BRL, mostram estabilidade a ligeira alta no curto prazo.
| ID | Produto | Local | Termos | Preço recente (BRL/t) | Preço anterior (BRL/t) | Data da última atualização | Tendência |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 764 | Cevada para ração (sementes) | Odesa, UA | FOB | ≈ 1.080 BRL/t | ≈ 1.080 BRL/t | 13/03/2026 | Estável |
| 437 | Cevada, ração, umidade 14%, 98% pureza | Odesa, UA | FCA | ≈ 1.500 BRL/t | ≈ 1.440 BRL/t | 12/03/2026 | Levemente altista |
| 438 | Cevada, ração, umidade 14%, 98% pureza | Kyiv, UA | FCA | ≈ 1.380 BRL/t | ≈ 1.380 BRL/t | 12/03/2026 | Estável |
Esses níveis em BRL/t, embora convertidos de forma aproximada, reforçam o quadro descrito no texto-base: preços internacionais relativamente baixos frente ao histórico recente, mas ainda insuficientes para compensar custos de insumos, frete e capital, especialmente em um contexto de risco logístico elevado na Ucrânia.
🌍 Oferta, demanda e contexto geopolítico
O texto ressalta que a principal questão hoje não é apenas o preço da cevada, mas a capacidade de executar contratos sem perdas de capital – a chamada “armadilha da execução”. Em um ambiente de guerra, seguros de carga caros, riscos de ataque a portos e volatilidade cambial, traders priorizam sobrevivência financeira em vez de maximizar volume. Isso se traduz em posições menores, prazos mais curtos e maior seletividade de clientes.
Ao mesmo tempo, a demanda dos compradores tornou-se mais oportunista: em vez de fixar preços com antecedência, muitos preferem compras spot ou janelas muito curtas. Isso reduz a visibilidade de demanda futura para exportadores de cevada e dificulta decisões de plantio e estocagem. O resultado é um mercado com fluxos ainda robustos – como mostra a resiliência do comércio ucraniano – porém com margens comprimidas e maior importância da gestão de risco operacional.
A oferta global de cevada permanece confortável em termos físicos, com projeções de exportação ucraniana para 2025/26 apontando crescimento de cerca de 20% ano a ano, apoiado por bons rendimentos e estoques de passagem. Contudo, a ocupação temporária de áreas agrícolas e a baixa atratividade de preços reais têm levado à redução de área plantada em cevada em relação a outros grãos mais rentáveis, o que pode limitar a capacidade de resposta da oferta em ciclos futuros.
📊 Fundamentos: custos, margens e estrutura de mercado
Custos de produção e fertilizantes
O texto destaca que o fertilizante nitrogenado ainda custa cerca de 60% mais do que em 2020, mesmo após algum recuo pós-choque energético. Isso é crítico para a cevada, cultura altamente sensível à adubação nitrogenada para rendimento e qualidade. Margens apertadas, combinadas com preços baixos da cevada em termos reais, incentivam o uso mais parcimonioso de insumos, o que pode afetar produtividade média.
A proposta da Comissão Europeia de suspender tarifas de importação sobre fertilizantes nitrogenados por um ano, com economia estimada de 60 milhões de euros para o setor, alivia apenas parcialmente essa pressão. Na prática, isso reduz custos marginais, mas não resolve a “margem desértica” descrita pelos traders, pois fretes, juros e custos de capital permanecem elevados. Assim, o incentivo estrutural para expandir agressivamente a produção de cevada continua limitado na Europa.
Política, “shadow market” e retração de grandes casas
Segundo o texto, o comércio de grãos – incluindo cevada – está cada vez mais politizado. Países exportadores e importadores utilizam tarifas, sanções, exigências sanitárias e acordos bilaterais como instrumentos de política externa. Isso abre espaço para operadores que atuam em zonas regulatórias cinzentas, o chamado “shadow market”, capazes de oferecer origens e rotas alternativas a custos menores, muitas vezes assumindo riscos legais e reputacionais maiores.
Grandes tradings globais, por sua vez, vêm reduzindo exposição em ativos físicos (elevadores, terminais, frotas), seja por prudência diante do ambiente geopolítico, seja por retorno insuficiente sobre o capital investido em um ciclo de preços baixos. Para a cadeia da cevada, isso significa menor capacidade de absorver choques logísticos e maior fragmentação do mercado físico, com mais relevância de players regionais, cooperativas e empresas especializadas em nichos (malte, ração premium, etc.).
Moeda de referência: dólar versus alternativas
A discussão sobre uma eventual bolsa de grãos dos BRICS e a substituição do dólar como moeda de referência é tratada com ceticismo pelos especialistas citados. A avaliação predominante é que se trata de uma agenda sobretudo russa, sem tração suficiente para remodelar os fluxos globais no curto e médio prazo. O dólar deve permanecer como principal moeda de precificação da cevada e de outros grãos, o que mantém a importância do risco cambial para compradores em BRL.
Mesmo assim, abre-se espaço para experimentos regionais com liquidação em outras moedas ou em arranjos de compensação bilateral, especialmente entre países sob sanções ou com restrições de acesso ao sistema financeiro ocidental. Para importadores brasileiros, isso pode significar oportunidades pontuais de arbitragem, mas também maior complexidade contratual e risco de contraparte.
🌦️ Clima e perspectivas de safra
Relatórios climáticos recentes indicam clima anormalmente quente e relativamente seco em grande parte da Europa no início de março, com chuvas mais significativas concentradas na Península Ibérica. Para a cevada de inverno em estágios de perfilhamento e alongamento, temperaturas amenas são positivas, mas a falta de umidade consistente pode se tornar risco se o padrão seco persistir em abril e maio, fases críticas de enchimento de grãos.
Na Ucrânia e em outras áreas do Mar Negro, o quadro é misto: a continuidade da guerra torna mais difícil a coleta de dados climáticos e de campo, mas, em geral, não há sinal de quebra severa de safra até o momento. A preocupação maior está ligada à logística de escoamento – ataques a portos e infraestrutura ferroviária – do que a perdas agronômicas massivas. Ainda assim, qualquer evento climático adverso no Mar Negro pode ganhar peso desproporcional num mercado já tensionado por riscos políticos.
Na Austrália, importante exportador de cevada, o tempo recente tem alternado entre períodos secos em áreas do leste e chuvas intensas em regiões do sul, mas, por enquanto, sem ameaça sistêmica à próxima safra de inverno. A combinação de boa oferta australiana com exportações ucranianas resilientes ajuda a manter o balanço global de cevada relativamente folgado em 2026, o que limita o potencial de alta estrutural de preços em BRL, salvo choque cambial ou climático mais forte.
🌍 Produção, estoques e fluxos comerciais globais
Dados recentes apontam que a Ucrânia produziu algo em torno de 5–5,6 milhões de toneladas de cevada nas últimas safras, exportando cerca de 2,2–2,3 milhões de toneladas em 2024/25 e podendo atingir perto de 2,8 milhões de toneladas em 2025/26, caso a logística permita. Isso representa mais de 50% da produção sendo destinada à exportação, reforçando o papel do país como fornecedor relevante para o Norte da África, Oriente Médio e Ásia.
Ao mesmo tempo, há tendência de redução de área de cevada em favor de culturas com melhor retorno, como trigo de alta proteína ou oleaginosas, especialmente em países europeus. Em termos de estoques globais, projeções indicam níveis confortáveis, mas não excessivos, com pouca folga para grandes quebras de safra em mais de uma região simultaneamente. Isso mantém o mercado sensível a notícias climáticas e políticas, ainda que o preço à vista permaneça pressionado pela concorrência entre exportadores.
📉 Riscos-chave para o mercado de cevada
- Logística no Mar Negro: novos ataques a portos ucranianos ou mudanças em seguros marítimos podem encarecer fretes e reduzir a competitividade da cevada ucraniana.
- Custo de insumos: fertilizantes nitrogenados ainda caros e juros elevados pressionam margens e podem reduzir investimentos em tecnologia e produtividade.
- Política comercial: tarifas, sanções e compras governamentais podem redirecionar fluxos de cevada entre Europa, Norte da África, Oriente Médio e Ásia.
- Clima: eventual seca prolongada na Europa ou no Mar Negro, ou excesso de chuvas na Austrália, pode apertar o balanço global e reprecificar o mercado.
- Taxa de câmbio: desvalorização do BRL frente ao USD ou EUR pode elevar rapidamente o custo da cevada importada para compradores brasileiros.
📆 Cenário de curto prazo (3–6 meses)
No horizonte até a metade de 2026, o cenário base para a cevada é de preços internacionais em BRL/t lateralizados a levemente baixistas, refletindo oferta global adequada e demanda moderada. A “armadilha da execução” descrita no texto sugere que traders continuarão evitando posições especulativas grandes, o que limita movimentos de alta sem gatilhos claros. A curva de futuros em contango suave reforça a visão de equilíbrio frágil, mas sem escassez imediata.
Para o Brasil, a cevada importada do Mar Negro e da Europa deve seguir competitiva em BRL, sobretudo enquanto o câmbio se mantiver relativamente estável e não houver choque forte de fretes. No entanto, o prêmio de risco sobre origens ucranianas pode aumentar caso a situação militar se deteriore, deslocando parte da demanda para outros exportadores e comprimindo ainda mais margens de traders que operam dentro da regulação formal.
💡 Recomendações e estratégias de trading
- Compradores (rações, cervejarias, integradores): aproveitar o ambiente de preços em BRL relativamente baixos para alongar coberturas parciais (30–50% das necessidades) para o 2º semestre de 2026, especialmente em origens com menor risco logístico.
- Produtores em regiões exportadoras: focar na gestão de custos (fertilizantes, logística interna) e em contratos com forte segurança de execução, mesmo que com prêmios menores, evitando exposição excessiva a riscos de porto.
- Traders: manter tamanho de posição moderado e diversificado entre origens (Mar Negro, UE, Austrália), privilegiando operações casadas (back-to-back) com mínima exposição direcional, em linha com a “redução de risco e posições menores” descrita no texto.
- Indústria usuária de cevada no Brasil: considerar travas de câmbio combinadas com compras físicas ou swaps de preços internacionais, reduzindo a dupla exposição a BRL e ao risco geopolítico do Mar Negro.
- Investidores financeiros: a estrutura de contango suave sugere oportunidades limitadas para posições compradas de longo prazo; estratégias de spread entre cevada (ou proxies como milho/ração) e fertilizantes podem capturar eventual normalização de margens.
🔮 Previsão de preços em BRL – 3 dias (mercado externo de referência)
A seguir, uma projeção qualitativa de curto prazo para os preços de referência de cevada para ração (base Mar Negro/Austrália), em BRL/t, assumindo câmbio e fretes relativamente estáveis.
| Data | Mercado de referência | Preço estimado (BRL/t) | Variação esperada | Sentimento |
|---|---|---|---|---|
| 18/03/2026 | Cevada ração FOB Mar Negro | ≈ 1.050–1.120 BRL/t | Estável / -0,5% | Lateral a levemente baixista |
| 19/03/2026 | Cevada ração FOB Mar Negro | ≈ 1.040–1.120 BRL/t | -0,5% / 0% | Consolidação, baixo volume |
| 20/03/2026 | Cevada ração FOB Mar Negro | ≈ 1.040–1.130 BRL/t | 0% / +1% | Leve suporte técnico, sensível a notícias de guerra/clima |
Essas faixas em BRL/t são indicativas e baseadas na conversão aproximada de níveis de mercado internacional e nas informações de que os preços de cevada permanecem relativamente altos em USD, mas comprimidos em termos reais frente à inflação e aos custos de produção. Qualquer surpresa climática na Europa ou intensificação do conflito no Mar Negro pode deslocar esses intervalos rapidamente.








