A colheita de soja 2025/26 do Brasil aumentou para um recorde de 180 milhões de toneladas, reforçando um mercado global de oleaginosas bem suprido e mantendo pressão para baixo sobre os preços internacionais de soja, farelo e óleo. Com a moagem também em níveis recordes, os compradores europeus enfrentam um contexto de oferta amplamente confortável até o final de 2026.
A produção recorde do Brasil combina-se com um forte processamento interno e apenas riscos climáticos localizados na América do Sul para limitar os aumentos de preço nos mercados futuros e físicos. As ofertas FOB de grandes exportadores permanecem competitivas, enquanto os futuros da CBOT têm negociado lateralmente a níveis mais baixos nas sessões recentes em meio a pesados suprimentos sul-americanos e posicionamento especulativo cauteloso.
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📈 Preços & Futuros
Os futuros de soja da CBOT têm negociado com um tom ligeiramente mais suave no início de abril, à medida que o mercado digere a confirmação da produção recorde da América do Sul. As sessões recentes mostraram movimentos modestos para baixo e aumento de interesse aberto, refletindo o novo interesse de venda à medida que os fundos respondem à abundância de oferta e ao posicionamento pós-relatório do USDA.
No lado físico, as recentes ofertas indicativas FOB convertidas para EUR mostraram valores estáveis a ligeiramente mais suaves desde meados de março, consistentes com esse pano de fundo de forte oferta. Soja No. 2 dos EUA em torno de Washington, feijões sortex limpos da Índia e feijões de origem ucraniana de Odesa estão todos mantendo faixas relativamente estreitas, enquanto origens chinesas (convencionais e orgânicas) mostram leve alívio após pequenos aumentos em março.
| Origem | Tipo | Localização / Termos | Último Preço (EUR/kg) | Variação de 1-semana (EUR/kg) |
|---|---|---|---|---|
| EUA | No. 2 | Washington, FOB | ≈0.56 | Estável |
| Índia | Sortex limpo | Nova Délhi, FOB | ≈0.93 | Estável |
| Ucrânia | Padrão | Odesa, FOB | ≈0.32 | -3% |
| China | Amarela | Pequim, FOB | ≈0.65 | Estável |
| China | Amarela, orgânica | Pequim, FOB | ≈0.73 | -1–2% |
🌍 Equilíbrio de Oferta & Demanda
A área colhida de soja do Brasil para 2025/26 é estimada em 49,4 milhões de hectares, um aumento de 3% em relação ao ano anterior, com rendimentos de 3,64 t/ha – 9% acima da temporada anterior e 6% acima da média de cinco anos. O resultado é uma colheita recorde de 180 milhões de toneladas, superando as 172,5 milhões de toneladas do ano passado e consolidando a posição do Brasil como o principal fornecedor global.
Ao mesmo tempo, os dados recordes de esmagamento da Abiove para 2025 confirmam que os processadores domésticos estão absorvendo grande parte da expansão da oferta de grãos, transformando-a em farelo e óleo de soja para exportação e consumo interno. Isso significa que a produção incremental não está simplesmente se acumulando como estoques não comercializados, mas está alimentando ativamente os fluxos globais de farelo de proteína e óleo vegetal, particularmente na Europa e na Ásia.
Globalmente, a produção total de oleaginosas em 2025/26 está projetada em cerca de 698 milhões de toneladas, um aumento de mais de 11 milhões de toneladas em relação ao ano anterior, com o Brasil fornecendo sozinho cerca de 26% da produção de oleaginosas principais. Cortes relacionados ao clima no Uruguai (–38% em relação ao ano anterior) e uma colheita menor na Argentina de 48 milhões de toneladas oferecem apenas compensação parcial, mantendo a disponibilidade de soja na América do Sul em níveis historicamente altos.
📊 Processamento, Mercados de Farelo & Óleo
O esmagamento recorde brasileiro está reforçando a ampla disponibilidade de farelo e óleo de soja até 2026. A indústria de esmagamento do Brasil está operando próximo da capacidade, competindo diretamente com a Argentina no comércio global de farelo e óleo e exportando cada vez mais produtos processados de maior valor em vez de grãos crus.
Os indicadores de spot e futuros para farelo de soja apontam para um equilíbrio confortável: os futuros do farelo da CBOT para entrega em 2026 estavam negociando em torno de 300 EUR-equivalente por tonelada curta no início de abril, refletindo uma forte oferta e um crescimento apenas moderado na demanda por ração. Para os fabricantes de ração e produtores de biodiesel europeus, isso se traduz em competição de preços sustentada entre óleo de soja, óleo de colza, óleo de girassol e óleo de palma, com o óleo de soja de origem brasileira exercendo pressão adicional para baixo.
Os compradores europeus de farelo e óleo de soja, portanto, enfrentam condições de aquisição estruturalmente favoráveis, embora os níveis de base e frete continuem sensíveis à congestão portuária no Brasil e a quaisquer interrupções logísticas ligadas ao clima ou gargalos de infraestrutura durante o pico de exportação.
🌦️ Clima & Efeitos Cruzados do Milho Safrinha
A colheita de soja do Brasil está entrando em suas etapas finais, com Mato Grosso efetivamente completada e Goiás e Mato Grosso do Sul alcançando o ritmo após atrasos iniciais. Relatórios recentes colocam a colheita nacional acima de 80–85%, confirmando que a maior parte da colheita de 180 milhões de toneladas está garantida, enquanto questões localizadas em estados do sul, como o Rio Grande do Sul, têm impacto apenas marginal sobre o total nacional.
O principal risco climático residual agora está com a colheita do milho safrinha, que segue a soja e representa mais de três quartos da produção anual de milho do Brasil. As colheitas de soja atrasadas em Goiás e Mato Grosso do Sul empurraram mais de 70% do plantio de milho safrinha nesses estados além da janela ideal de fevereiro, aumentando a dependência de chuvas adequadas em abril e maio para o enchimento dos grãos. No entanto, Mato Grosso – quase metade da área de safrinha do Brasil – conseguiu mais de 70% de plantio até o final de fevereiro, apoiando a previsão inalterada do USDA de 132 milhões de toneladas de milho.
As previsões de curto prazo para áreas chave do Centro-Oeste sinalizam condições quentes típicas com chuvas esparsas, suficientes para manter as perspectivas de milho amplamente intactas por enquanto. Qualquer rebaixamento material na produção de milho mais tarde nesta safra poderia apoiar os valores dos grãos de ração regionais, mas afetaria indiretamente a soja ao mudar o preço relativo nas formulações de ração.
🏭 Implicações para Compradores Europeus
Para as indústrias de ração animal e biocombustíveis da Europa, a produção recorde de soja do Brasil e o esmagamento sustentam um mercado bem suprido para importações de farelo e óleo ao longo de 2026. O farelo de soja continua sendo a principal fonte de proteína em rações compostas, e a abundante disponibilidade brasileira e argentina reduz o risco de escassez, mesmo que a demanda de pecuária e aquicultura aumente.
No lado do óleo vegetal, a competição entre o óleo de soja e os óleos de colza, girassol e palma deve se intensificar à medida que as exportações brasileiras se expandem. Isso cria pressão estrutural nas margens de oleaginosas da UE, particularmente para os esmagadores de colza, mas beneficia usuários finais, como produtores de biodiesel e fabricantes de alimentos, por meio de oportunidades de aquisição mais atraentes e a possibilidade de garantir margens em coberturas futuras.
📆 Perspectivas de Mercado & Visão de Negócios
Nos próximos 30–90 dias, a atenção do mercado se concentrará na conclusão da colheita de soja do Brasil, no ritmo das exportações a partir de portos-chave e na evolução do clima do milho safrinha. Com os suprimentos recordes agora largamente confirmados, os futuros de soja provavelmente enfrentarão pressão de venda em aumentos, enquanto os mercados à vista devem permanecer bem oferecidos, especialmente para grãos e produtos de origem brasileira.
Em um horizonte de 6–12 meses, a capacidade de esmagamento em expansão do Brasil em Mato Grosso e outros estados produtores mudará gradualmente os fluxos comerciais em direção às exportações de farelo e óleo processados. Para a formação de preços, isso implica um tom persistentemente pesado nos mercados globais de farelo de proteína e óleos vegetais, a menos que um grande choque climático ocorra em outra origem chave ou uma surpresa de demanda aguda na China. Fatores macroeconômicos – preços de energia, taxas de frete e movimentos cambiais – moldarão cada vez mais as margens de esmagamento e o valor relativo entre os óleos.
📌 Recomendações de Negócios (Não vinculativas)
- Fabricantes de ração / integradores de pecuária: Aproveite a atual fraqueza para estender a cobertura de farelo de soja até o 4º trimestre de 2026, focando na origem Brasil/Argentina, onde o desempenho logístico é confiável.
- Compradores de óleo vegetal (alimentos & biodiesel): Mantenha uma estratégia de hedge escalonada em óleo de soja, aproveitando as quedas criadas pela pressão da colheita e pelos fortes programas de exportação da América do Sul.
- Produtores & esmagadores: Considere a proteção incremental da produção 2026/27 em aumentos de preço, pois o balanço global permanece confortável e a capacidade expandida do Brasil limita a alta.
- Participantes especulativos: Prefira uma inclinação de venda em aumentos na soja e no farelo, enquanto monitora o clima na região do milho safrinha do Brasil e o progresso do plantio no Meio-Oeste dos EUA para qualquer mudança no sentimento.
📍 Perspectiva Direcional de 3 Dias (baseada em EUR)
- Valores vinculados à CBOT (convertidos em EUR): Leve queda a lateralidade, com pressão da colheita e forte oferta brasileira limitando os revezamentos após o último relatório do USDA.
- Soja FOB Brasil / EUA Gulf: Tendência levemente mais suave à medida que os programas de exportação aumentam e os níveis de base se ajustam para limpar volumes recordes.
- Farelo de soja CIF Europeu: Estável com uma leve inclinação bearish, refletindo um forte esmagamento da América do Sul e ofertas competitivas nos portos da UE.



