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Mercado de Cevada Mantém-se Estável enquanto Riscos no Mar Negro Contrastam com Futuros Suaves

Mercado de Cevada Mantém-se Estável enquanto Riscos no Mar Negro Contrastam com Futuros Suaves

CMB
Redacção CMB News
Editorial Desk

Análise do mercado de cevada: futuros australianos estáveis, preços spot em queda no Mar Negro/UE e aumento dos riscos climáticos e logísticos moldando a perspetiva de curto prazo.

Os mercados de cevada estão atualmente equilibrados entre futuros australianos estáveis e preços físicos ligeiramente mais fracos no Mar Negro e na UE, com pressão baixista decorrente da boa disponibilidade no curto prazo, mas com prémios de risco crescentes ligados à logística e ao clima. De um modo geral, a cevada física na Ucrânia e na Alemanha enfraqueceu moderadamente no final de julho, enquanto os futuros de cevada forrageira SFE na Austrália ao longo da curva futura permanecem inalterados, sem volume de negociação, apontando para uma atitude de espera. Ao mesmo tempo, a escalada dos riscos de segurança para as exportações do Mar Negro e as perdas de safra relacionadas ao calor em partes da Europa começam a sustentar o sentimento de mercado e podem limitar novas quedas nas próximas semanas.

Preços

A curva de cevada forrageira SFE (em AUD/t, 31 de julho de 2026) está completamente plana dia a dia, com set 2026 a 308, nov 2026 a 315 e jan 2027 a 337, subindo para 342 em mai/jul 2027 e 354 em jan 2028 e jan 2029, e sem volume negociado. Convertendo a aproximadamente 1 AUD = 0,60 EUR, isto implica níveis indicativos de cerca de 185 EUR/t (set 2026) até cerca de 212 EUR/t (jan 2028/29), sinalizando um modesto contango, mas sem novo impulso direcional vindo dos futuros australianos.

As ofertas físicas spot e no curto prazo na Europa e no Mar Negro estão ligeiramente mais fracas. Na Ucrânia, a cevada forrageira para gado FOB Odessa está próxima de 0,178–0,184 EUR/kg (cerca de 178–184 EUR/t) em 30 de julho, ligeiramente abaixo dos picos de meados de julho. As ofertas FCA e CPT de cevada forrageira em Kiev e Odessa concentram‑se principalmente em torno de 0,16–0,164 EUR/kg (160–164 EUR/t), um pouco abaixo dos valores de meados do mês. Na Alemanha (Drentwede), a cevada forrageira EXW recuou de cerca de 0,188 EUR/kg no início de julho para aproximadamente 0,214 EUR/kg no fim do mês, após uma breve correção em meados de mês, indicando uma ligeira recuperação a partir dos mínimos locais, em vez de uma alta sustentada.

BASIC
Tabela de dados de mercado
Schwarzer Pfeffer6.850 €/t+2,3 %
Koriander1.240 €/t−0,8 %
Kreuzkümmel2.100 €/t+1,5 %
Zimt (Cassia)8.900 €/t+0,4 %
Kurkuma3.200 €/t−1,2 %
Kardamom grün18.500 €/t+3,1 %
Ingwer (getr.)1.850 €/t+0,9 %
Chili (getr.)2.750 €/t−0,5 %
Schwarzer Pfeffer6.850 €/t+2,3 %
Koriander1.240 €/t−0,8 %
Kreuzkümmel2.100 €/t+1,5 %
Zimt (Cassia)8.900 €/t+0,4 %
Kurkuma3.200 €/t−1,2 %
Kardamom grün18.500 €/t+3,1 %
Ingwer (getr.)1.850 €/t+0,9 %
Chili (getr.)2.750 €/t−0,5 %
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*Níveis de futuros convertidos de AUD/t para EUR/t aproximados.

Oferta & Demanda

Os balanços australianos permanecem confortáveis após duas grandes safras consecutivas. As projeções oficiais para a Austrália apontam produção de cevada em 2025/26 em torno de 16,3 milhões de toneladas, com exportações na faixa de 9,5–10 milhões de toneladas, e apenas uma redução moderada da produção para cerca de 13,6 milhões de toneladas em 2026/27, à medida que a área colhida se expande, mas os rendimentos se normalizam. Isso sustenta a estabilidade dos futuros SFE e sugere que, estruturalmente, a oferta exportável da Austrália permanece ampla no médio prazo.

Na Europa, contudo, os sinais de oferta estão a apertar na margem. Análises sobre a onda de calor de junho de 2026 na Europa estimam perdas de cerca de 9 milhões de toneladas na safra de cereais na UE e Reino Unido, com aproximadamente 2 mil milhões de EUR em valor destruído, afetando trigo e cevada, entre outros cereais. A França e partes da Europa central e do sul parecem ter sido as mais afetadas, com relatos apontando para estresse em cevada de primavera em algumas regiões e maior variabilidade na disponibilidade de grãos forrageiros. Embora os números finais para a cevada ainda não estejam totalmente quantificados, as expectativas convergem para uma safra global de cereais europeia menor em comparação com anos recentes, o que gradualmente sustentará os mercados de ração à medida que avançamos para a campanha 2026/27.

A oferta do Mar Negro é, simultaneamente, ampla no papel, mas cada vez mais limitada pela logística. A Ucrânia manteve uma capacidade significativa de exportação de cevada nas últimas temporadas, respondendo historicamente por cerca de 15–20% do comércio mundial de cevada. No entanto, a recente escalada de ataques à infraestrutura ucraniana e o aumento das preocupações de segurança para a navegação no Mar Negro já estão a perturbar os embarques de grãos, com relatos de suspensões temporárias de chegadas de navios mercantes a portos chave da Ucrânia e danos significativos em importantes terminais de exportação. Estas perturbações não aparecem de imediato nos preços de futuros, mas refletem‑se cada vez mais nos basis, nos fretes e nos prémios de risco para a cevada de origem Mar Negro.

Fundamentos & Fatores de Condução

1. Futuros australianos estáveis e estrutura em contango. A faixa de cevada forrageira SFE de set 2026 a jan 2029 permanece inalterada em 31 de julho de 2026, sem volume de negociação ao longo da curva. Esta ausência de nova descoberta de preços sugere que os hedgers comerciais estão amplamente confortáveis com os níveis atuais, não vendo necessidade urgente de travar preços mais altos nem sinal de colapso iminente. A inclinação modesta (cerca de 25–30 EUR/t do curto para o longo prazo) reflete custos de armazenamento, financiamento e risco, mais do que uma visão fortemente altista.

2. Fraqueza nos valores físicos do Mar Negro e da Ucrânia. A cevada forrageira ucraniana apresentou ligeira tendência de queda em julho, tanto em termos CPT como FOB. As ofertas FCA Kiev recuaram de cerca de 0,18–0,19 EUR/kg no início de julho para 0,16 EUR/kg no final do mês, enquanto a cevada CPT Odessa manteve‑se, em grande medida, na faixa de 0,162–0,168 EUR/kg antes de voltar a cair para cerca de 0,161–0,164 EUR/kg. Isto sugere uma oferta confortável no curto prazo e alguma pressão de colheita, com compradores capazes de garantir volume sem ter de elevar as ofertas, apesar do aumento do risco logístico.

3. Basis europeu a firmar devido a preocupações com calor e rendimento. Em contraste, a cevada forrageira EXW em Drentwede, na Alemanha, caiu para cerca de 0,188 EUR/kg em meados do mês antes de recuperar para acima de 0,20 EUR/kg em 30 de julho. Em conjunto com estimativas de perdas significativas de cereais devido à onda de calor de junho, isto aponta para um aperto gradual na disponibilidade local de grãos forrageiros. Embora a cevada física permaneça acessível em termos absolutos, a direção de viagem em regiões europeias importadoras e deficitárias é de alta, sobretudo onde os setores pecuários domésticos estão expostos a custos de importação mais elevados.

4. Risco de exportação e frete no Mar Negro. O mercado passa a incorporar cada vez mais a fragilidade logística em vez de uma simples escassez de produção. Relatos recentes destacam o reforço dos ataques russos que afetam as operações portuárias ucranianas e a navegação no Mar Negro, o que já impulsionou os futuros de trigo e tende a repercutir‑se na cevada através de efeitos de substituição nas rações animais e de corredores de exportação comuns. Qualquer perturbação prolongada pode reduzir a disponibilidade exportável da Ucrânia e, em menor grau, de portos russos no mar de Azov, apoiando os preços globais da cevada e de outros grãos forrageiros.

Clima & Perspetivas de Safra

O clima permanece um fator de oscilação chave no fim do verão. Na Europa, evidências anedóticas e analíticas apontam para outro verão quente e, em alguns locais, muito seco, com agricultores em França, Espanha e Reino Unido relatando estresse térmico e hídrico sobre cereais, em particular a cevada de primavera. Embora a colheita principal de cevada de inverno na maior parte da Europa ocidental ocorra sobretudo em junho e início de julho, a combinação de danos precoces por calor, enchimento de grão irregular e secas localizadas provavelmente manterá elevada a variabilidade de rendimento e qualidade.

Na Austrália, as atualizações sazonais recentes ainda projetam uma normalização dos rendimentos após o bom desempenho do ano passado, mas não surgiu até agora nenhum sinal de seca generalizada que altere drasticamente as perspetivas de produção de 2026/27. Como resultado, o balanço global de cevada permanece adequadamente abastecido por agora, embora os riscos climáticos na Europa e a logística no Mar Negro enviesem o perfil de risco ligeiramente para cima para o 4T 2026 e início de 2027.

Perspetivas de Negociação

  • Compradores de ração (pecuária da UE, integradores): A cobertura spot de curto prazo e para o 4T 2026 continua atrativa, especialmente para origens do Mar Negro e da Ucrânia, onde os preços permanecem fracos. Considere aumentar a cobertura até o início de 2027 em eventuais quedas de preço, sobretudo se custos de frete ou seguro começarem a subir com as tensões contínuas no Mar Negro.
  • Produtores na Ucrânia e na UE: Com os preços físicos sob leve pressão, mas com prémios de risco a aumentarem, considere uma estratégia de vendas mais faseada, retendo alguma opcionalidade para mais tarde na época. Para agricultores da UE que enfrentam incerteza de rendimento relacionada ao clima, vendas incrementais aproveitando eventuais ralis no basis local ou nos futuros podem equilibrar o risco.
  • Traders e originadores: Monitore de perto a logística no Mar Negro. Reforce a gestão de risco para negócios FOB e CFR envolvendo portos ucranianos e esteja preparado para spreads mais amplos entre origens seguras (Austrália, alguns portos da UE) e embarques de maior risco no Mar Negro, caso as perturbações se agravem.
  • Participantes especulativos: Com os futuros SFE estáveis e os fundamentos globais amplamente equilibrados, apostas direcionais puras podem oferecer relação retorno‑risco limitada. Estratégias de valor relativo entre cevada e outros grãos forrageiros, ou entre origens ligadas ao Mar Negro e alternativas, podem ser mais atrativas à medida que a logística e os riscos climáticos evoluem.

Indicação de Preço em 3 Dias

  • Austrália (cevada forrageira SFE): Tendência lateral em termos de EUR nos próximos três dias de negociação, com expectativa de que a curva permaneça plana e ilíquida na ausência de choque climático ou geopolítico relevante.
  • Mar Negro / Ucrânia (FOB & CPT): Viés ligeiramente em baixa a lateral, uma vez que a pressão de colheita e a boa disponibilidade no curto prazo persistem, mas qualquer nova escalada nas perturbações portuárias pode rapidamente estabilizar ou inverter a tendência.
  • UE (Alemanha EXW, outros polos de cevada forrageira): Tom ligeiramente firme, à medida que as perdas de safra relacionadas ao calor se refletem no basis local, com viés moderadamente altista para posições spot e de curto prazo, especialmente em regiões deficitárias ou com forte densidade pecuária.
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