Mercado de milho sob pressão com safra forte e fraca demanda chinesa
Preços do milho recuam à medida que boas condições de safra nos EUA/UE e maior oferta da América do Sul superam as lentas compras chinesas. Cenário majoritariamente baixista com suporte na safra velha.
Prices & Spreads
Na Euronext, o milho com vencimento próximo em junho de 2026 é negociado em torno de EUR 214,50/t, com agosto de 2026 em cerca de EUR 222,50/t e novembro de 2026 a EUR 210,00/t, indicando apenas um carregamento modesto e uma curva a termo relativamente plana na Europa. Na CBoT, o milho julho de 2026 oscila próximo de 440 USc/bu, enquanto dezembro de 2026 está em torno de 467 USc/bu, refletindo preços ligeiramente mais altos para a nova safra, mas sem uma estrutura fortemente altista.
No mercado físico, ofertas indicativas de exportação mostram milho amarelo padrão FOB França (Paris) em torno de EUR 260/t e milho ucraniano FOB Odessa próximo de EUR 180–260/t, dependendo da qualidade e dos termos, com preços amplamente estáveis nos últimos 10–15 dias para o milho francês e ligeiramente mais fracos para as posições de safra velha ucranianas. Segmentos orgânicos e de nicho, como milho para amido orgânico FOB Índia, permanecem claramente acima dos valores do milho para ração convencional, em cerca de EUR 1.330/t, ressaltando a ampla diferença entre qualidades e especificações.
Supply & Demand Drivers
O plantio de milho nos EUA está quase concluído, e o clima tem sido favorável para o crescimento vegetativo inicial, reduzindo preocupações com o estabelecimento da lavoura e contribuindo para vendas de fundos e queda nos preços futuros. Padrões semelhantes são visíveis na Europa: as lavouras de milho estão se desenvolvendo bem e a maioria das regiões da UE, exceto a Península Ibérica, deve receber mais chuvas nos próximos dias, oferecendo às culturas um início de safra quase ideal.
Do lado da demanda, os exportadores dos EUA estão desapontados porque nenhuma nova compra significativa de milho pela China foi reportada até agora, apesar de sinais políticos em meados de maio que sugeriam maiores importações agrícolas chinesas. Essa frustração em relação às esperadas compras chinesas remove um importante potencial de impulso de demanda justamente quando a disponibilidade global para exportação deve aumentar. Ao mesmo tempo, os mercados físicos domésticos em muitas regiões enfraqueceram, embora os preços da safra velha permaneçam relativamente altos onde a oferta imediata é limitada.
South America & Weather Outlook
A oferta da América do Sul é o principal fator baixista de médio prazo. O Brasil iniciou a colheita da segunda safra (safrinha) de milho, com os primeiros cortes no Centro-Sul alcançando cerca de 2,4% da área, ligeiramente acima do ano passado e apontando para boa produtividade em estados importantes como Mato Grosso. Algumas perdas localizadas são relatadas em partes de São Paulo, Minas Gerais e Goiás devido à seca anterior, mas a perspectiva geral permanece confortável em termos de excedentes exportáveis.
A Argentina está a caminho de uma safra recorde de milho em 2025/26, com estimativas do governo e de organismos internacionais convergindo para uma produção total de grãos sem precedentes e volumes de milho recordes ou próximos de recorde, aumentando de forma significativa o potencial de exportação. Globalmente, meteorologistas climáticos esperam uma transição para condições de El Niño com alta probabilidade entre junho e agosto de 2026, o que implica, em geral, temperaturas mais altas e maior risco de extremos climáticos. Por ora, contudo, as previsões de curto prazo para as principais regiões produtoras de milho dos EUA e da UE permanecem amplamente favoráveis, reforçando o atual cenário benigno de produção.
Market Fundamentals & Sentiment
A combinação de fortes perspectivas de nova safra nos EUA e na UE, somadas ao aumento das exportações da América do Sul, limita fortemente o espaço para uma recuperação sustentada dos preços. A falta de nova demanda chinesa mantém as vendas de exportação das principais origens abaixo do necessário para apertar os balanços de forma significativa. Embora os níveis de basis da safra velha continuem sustentados em regiões onde os estoques são baixos e a logística é limitada, as curvas de futuros na Euronext e na CBoT mostram apenas leve carregamento, sinalizando um mercado confortável, e não apertado.
O posicionamento especulativo tornou-se mais defensivo, à medida que os prêmios de risco climático são corroídos a cada semana de bom progresso das lavouras. Ao mesmo tempo, os usuários finais estão aproveitando os preços flat mais baixos e spreads relativamente estreitos entre vencimentos próximos e diferidos para estender a cobertura, especialmente nos setores de ração e industrial. O sentimento geral é cautelosamente baixista, com o mercado atento a qualquer choque climático durante a polinização que possa reintroduzir prêmios de risco.
Trading Outlook
- Produtores: Considerar a realização gradual de hedge antecipado de uma parte da produção esperada de 2026/27 nas altas atuais, dado o forte sinal de ampla oferta global e a ausência de demanda chinesa; manter algum volume sem preço fixado para eventuais picos relacionados ao clima mais adiante na safra.
- Compradores de ração: Usar a fraqueza atual dos futuros e o afrouxamento dos diferenciais no físico para estender a cobertura para o 4T 2026 e 1T 2027, especialmente onde o aperto local da safra velha está diminuindo.
- Traders/comercializadores: Focar no arbitragem origem‑destino entre milho do Mar Negro e da América do Sul, com preços competitivos, e mercados domésticos relativamente mais firmes na UE, monitorando ao mesmo tempo o risco de basis ligado à logística e ao armazenamento durante o pico das exportações sul‑americanas.