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Milho da América do Sul reforça domínio sobre a demanda asiática enquanto preços na UE/Mar Negro se firmam

Milho da América do Sul reforça domínio sobre a demanda asiática enquanto preços na UE/Mar Negro se firmam

CMB
Redacção CMB News
Editorial Desk

Resumo do mercado de milho: MFIG de Taiwan compra milho brasileiro, América do Sul segue competitiva na Ásia enquanto preços na UE e no Mar Negro se firmam. Perspectivas de negociação e preços em EUR.

A demanda de ração na Ásia está discretamente sustentando o mercado global de milho, com o último tender de Taiwan novamente favorecendo o fornecimento brasileiro, enquanto os preços na UE e no Mar Negro sobem em termos de EUR. Ofertas competitivas da América do Sul, preços ucranianos firmes porém em fase de estabilização e o enfraquecimento dos futuros em Chicago em conjunto criam um cenário moderadamente de suporte, em vez de um forte sinal de alta. O sólido interesse de importação da Ásia, liderado pela MFIG de Taiwan, confirma que os compradores estão confortáveis em estender a cobertura para o 3º trimestre com origens brasileira e argentina. Ao mesmo tempo, os preços físicos na UE e na Ucrânia em EUR mostram uma leve firmeza desde o fim de maio, enquanto os benchmarks globais recuaram em relação às máximas do início de junho. Riscos climáticos e de crédito em torno da safrinha do Brasil e a redução das vendas de agricultores ucranianos surgem como pontos‑chave de atenção para a segunda metade de 2026.

Prices & Spreads

Os futuros de milho dezembro em Chicago recuaram dos níveis do início de junho acima de 440 US¢/bu para cerca de 413–415 US¢/bu em 17 de junho, equivalentes a aproximadamente EUR 140/t em base FOB Golfo dos EUA. Nesse contexto, a compra de milho brasileiro pela MFIG de Taiwan a +220,44 US¢/bu sobre o contrato dezembro em base C&F sinaliza que a demanda de importação asiática está disposta a pagar um prêmio firme por uma chegada confiável no 3º trimestre.

No mercado físico, as ofertas indicativas atuais mostram uma tendência de alta modesta na Europa e no Mar Negro. O milho amarelo francês FOB Paris subiu de cerca de EUR 0,26/kg (EUR 260/t) no fim de maio para em torno de EUR 0,28/kg (EUR 280/t) em 19 de junho, enquanto o milho ucraniano FOB Odessa firmou de aproximadamente EUR 0,18–0,19/kg (EUR 180–190/t) no fim de maio para cerca de EUR 0,188–0,19/kg (EUR 188–190/t) em meados de junho, amplamente em linha com os valores de exportação relatados próximos de USD 215–218/t.

BASIC
Tabela de dados de mercado
Schwarzer Pfeffer6.850 €/t+2,3 %
Koriander1.240 €/t−0,8 %
Kreuzkümmel2.100 €/t+1,5 %
Zimt (Cassia)8.900 €/t+0,4 %
Kurkuma3.200 €/t−1,2 %
Kardamom grün18.500 €/t+3,1 %
Ingwer (getr.)1.850 €/t+0,9 %
Chili (getr.)2.750 €/t−0,5 %
Schwarzer Pfeffer6.850 €/t+2,3 %
Koriander1.240 €/t−0,8 %
Kreuzkümmel2.100 €/t+1,5 %
Zimt (Cassia)8.900 €/t+0,4 %
Kurkuma3.200 €/t−1,2 %
Kardamom grün18.500 €/t+3,1 %
Ingwer (getr.)1.850 €/t+0,9 %
Chili (getr.)2.750 €/t−0,5 %
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Supply & Demand Dynamics

O grupo MFIG de Taiwan comprou 65.000 t de milho para ração brasileiro em um tender em 17 de junho, com janelas de embarque de meados de agosto a meados de setembro, destacando a demanda constante de ração na Ásia e a preferência por origens sul‑americanas. O tender atraiu ofertas do Brasil (cinco lotes de 65.000 t e um lote de 58.000 t), da Argentina (três lotes de 65.000 t) e dos EUA (um lote de 52.000 t), confirmando a intensa competição entre origens para o mercado asiático.

Os brasileiros acabaram fechando o negócio via CJ International, enquanto as ofertas argentinas e norte‑americanas da Bunge e da CHS foram precificadas com prêmios mais altos, de cerca de +235–248 US¢/bu sobre os futuros dezembro. Esse resultado destaca a vantagem do Brasil em logística de exportação e disponibilidade, com a Dreyfus também competitiva na origem brasileira a +248 US¢/bu, mantendo pressão sobre os exportadores rivais.

Do lado do Mar Negro, os preços de exportação ucranianos se estabilizaram após um declínio modesto, já que as vendas dos agricultores desaceleraram e o total de exportações de milho 2025/26 (20 Mt em 13 de junho) tende a ficar ligeiramente abaixo da projeção de 22 Mt. Ao mesmo tempo, as perspectivas de produção na UE foram revisadas para baixo: a COCERAL reduziu sua projeção para a safra de milho da UE em 2026 para 57,2 Mt, marginalmente abaixo do ano passado, o que ajuda a sustentar os valores em EUR na UE e no Mar Negro adjacente.

Fundamentals & Weather Watch

Apesar da firmeza nos níveis de basis impulsionada pelos tenders, o preço flat do milho nos mercados mundiais cedeu em junho. Os preços de referência globais caíram de cerca de EUR 151/t no início do mês para em torno de EUR 140/t em 17 de junho, acompanhando a queda dos futuros em Chicago. Esse enfraquecimento no mercado de papel oferece alguma proteção para os importadores, mesmo com prêmios para origens e janelas de embarque específicas permanecendo firmes.

O Brasil continua sendo o principal fornecedor de ajuste. Análises recentes apontam para a alta nos custos de fertilizantes, condições de crédito mais apertadas e a perspectiva de um forte El Niño em 2026–27 como fatores de risco relevantes para as perspectivas do milho brasileiro, particularmente para a safrinha, que domina a produção nacional. Por ora, porém, a atual colheita da segunda safra avança com umidade em geral adequada, e o Brasil continua ofertando de forma agressiva para a Ásia, como refletido na última compra de Taiwan.

Na Europa e no Mar Negro, os problemas climáticos locais são, até o momento, mais pontuais do que sistêmicos. Ainda assim, a previsão ligeiramente menor de safra na UE, combinada com a demanda constante da Ásia, significa que qualquer clima adverso de verão nos principais cinturões de milho da UE pode rapidamente apertar o excedente exportável e ampliar os spreads de preço denominados em EUR em relação às origens dos EUA e da América do Sul.

Trading Outlook & Strategy

  • Compradores de ração na Ásia: O tender de Taiwan confirma que as origens brasileira e argentina permanecem altamente competitivas para embarques em agosto–setembro. Considere estender a cobertura de forma moderada em recuos de preço nos futuros, particularmente se os níveis de basis C&F do Brasil permanecerem na faixa baixa de +220 US¢/bu sobre dezembro.
  • Importadores na UE e no Mediterrâneo: Com as expectativas de produção na UE um pouco menores e as exportações do Mar Negro se estabilizando, as indicações CFR atuais baseadas em EUR 0,188–0,19/kg FOB Ucrânia podem representar um valor razoável. Compras escalonadas em quedas adicionais dos futuros parecem prudentes.
  • Produtores na UE/Ucrânia: A combinação de preços locais à vista mais firmes e futuros mais fracos sugere manter disciplina nas vendas, mas evitar retenção excessiva de estoques. Hedge incremental em altas acima dos atuais benchmarks globais de EUR 140/t pode travar margens atrativas, mantendo participação na alta.
  • Especuladores: O mercado está atualmente equilibrado entre demanda estável e oferta abundante, porém carregada de riscos, na América do Sul. Estratégias que se beneficiem de preços em faixa com picos ocasionais induzidos por clima (por exemplo, spreads de call financiados por venda de puts) podem ser mais adequadas do que apostas direcionais simples.

3‑Day Price Indication (Directional)

  • Físico em área EUR (França FOB, Alemanha EXW): Levemente firme a lateralizado; preços locais devem se manter em torno de EUR 0,24–0,28/kg enquanto a paridade de exportação seguir dando suporte.
  • Mar Negro (Ucrânia FOB/CPT): Estável com leve viés de alta; vendas limitadas de agricultores e demanda de exportação constante devem manter níveis próximos de EUR 0,188–0,19/kg.
  • Benchmarks globais (futuros dezembro, equivalente em EUR): Lateralizados a levemente fracos, negociando em torno de EUR 135–142/t na ausência de surpresas climáticas relevantes ou novos tenders de grande escala.
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