Milho entre oferta limitada na UE e produção em forte expansão no Brasil
Preços do milho firmes com colheita fraca na UE e disparada das importações, enquanto o Brasil planeja forte expansão de área. Perspectivas para CBOT, Euronext e mercados físicos em EUR.
Preços
Os futuros de milho na CBOT avançaram na terça-feira, apoiados pelos ganhos do trigo e da soja e pelo alto nível dos preços do petróleo bruto, que melhora a rentabilidade do etanol à base de milho. Isso está em linha com as cotações recentes, que mostram o milho CBOT dezembro de 2026 negociando modestamente mais alto nas últimas sessões em centavos de dólar por bushel, implicando valores à vista em torno de EUR 210–230/t após conversão cambial.
Na Euronext, os preços do milho já são descritos como "muito altos", e as cotações recentes para milho francês entregue em Bordeaux em torno de EUR 273/t confirmam o nível elevado na Europa em comparação com Chicago. No mercado físico, o milho para ração alemão EXW Drentwede é negociado em cerca de EUR 0,295/kg (EUR 295/t), enquanto o milho para ração ucraniano CPT Odessa está em torno de EUR 0,172/kg (EUR 172/t), ressaltando a vantagem competitiva das origens do Mar Negro para a UE.
Oferta & Demanda
Nos EUA, o mercado de milho é atualmente sustentado pela expectativa de chuvas abundantes na próxima semana em importantes estados produtores, o que pode desacelerar o progresso da colheita e restringir temporariamente as vendas dos produtores. Esse atraso climático soma-se ao efeito de alta proveniente do trigo e da soja, reforçando a percepção de aperto de curto prazo na oferta disponível.
Em contraste, os fundamentos brasileiros tornam-se cada vez mais baixistas no médio prazo. A Conab elevou sua estimativa para a safra de milho 2025/26 para 144 milhões t (USDA: 141 milhões t) e projeta 148 milhões t para 2026/27, bem acima da projeção atual do USDA de 139 milhões t. A expansão é puxada pela área, com a área de primeira safra em 2026/27 vista em alta de 10,7%, para 4,54 milhões ha, a área de segunda safra (safrinha) em alta de 3,7%, para 18,48 milhões ha, e a produção total dividida em aproximadamente 32,1 milhões t (primeira safra), 113,2 milhões t (safrinha) e 2,6 milhões t (terceira safra).
Esse crescimento brasileiro é sustentado pelo aumento da demanda doméstica para ração e etanol de milho e por maiores ambições de exportação, com embarques potencialmente subindo para 46 milhões t. Ao mesmo tempo, a UE se move na direção oposta do lado da produção: a França reduziu sua previsão de colheita de milho do ano corrente de 9,0 milhões t para 8,1 milhões t, 42% abaixo da safra passada de 13,9 milhões t devido a ondas de calor e seca. Isso leva a produção francesa ao menor nível em décadas e retira uma importante fonte de oferta intracomunitária.
A safra fraca da UE se traduz diretamente em maiores necessidades de importação. Em 13 de setembro, as importações de milho da UE haviam alcançado 4,01 milhões t, alta de 430.000 t em uma semana e 38% acima do mesmo período da safra passada. Cerca de metade desses volumes (2,0 milhões t) teve como destino a Espanha, seguida pela Itália (428.000 t), Portugal (424.000 t) e Países Baixos (410.000 t), enquanto a Alemanha recebeu apenas 54.000 t até agora.
Os fluxos comerciais também estão mudando em termos de origens. Os EUA se tornaram o maior fornecedor da UE com 1,65 milhão t, contra apenas 349.000 t um ano antes. A Ucrânia também aumentou seus embarques para 1,35 milhão t (antes 696.000 t), refletindo melhoria na logística e forte demanda da UE. Em contraste, os embarques brasileiros para a UE quase caíram pela metade, de 1,52 milhão t para 816.000 t, apesar da expansão da safra brasileira, em parte devido à concorrência em outros destinos e ao cronograma dos programas de exportação.
Fundamentos
A combinação de preços firmes do petróleo bruto e demanda robusta da indústria de etanol de milho mantém um piso sólido para o milho nos EUA, mesmo com a melhora das perspectivas de colheita global. A força do petróleo aumenta a atratividade relativa da mistura de etanol, sustentando assim o uso de milho em biocombustíveis e ligando o milho de forma mais estreita à volatilidade do mercado de energia. Essa ligação é um fator de risco importante tanto para o preço à vista quanto para spreads de refino.
Do ponto de vista estrutural, a expansão de área planejada no Brasil e o aumento do potencial de exportação apontam para um balanço global mais folgado após 2025. Se a trajetória de produção mais alta da Conab se materializar, o Brasil sozinho poderá cobrir grande parte da demanda adicional de importação mundial, especialmente da UE, Ásia e Oriente Médio. Nesse cenário, os picos de preço atuais, impulsionados por clima e logística, correm o risco de atrair vendas a termo de produtores e traders brasileiros, o que limitaria os ganhos nos vencimentos mais longos.
Na Europa, porém, os fundamentos estão atualmente bem mais apertados. A forte quebra de produção na França e em outras regiões, combinada com necessidades de importação ainda crescentes, explica o basis elevado nos mercados físicos como a Alemanha e o prêmio da Euronext sobre Chicago. Ainda assim, o relatório também observa que, dado o nível já alto dos preços na Euronext, novos aumentos serão difíceis de repassar, sugerindo que a destruição de demanda nas rações e a substituição por trigo ou cevada mais baratos poderão em breve moderar novas altas.
Clima & Perspectivas de Colheita
Para o Cinturão do Milho dos EUA, as previsões para a próxima semana indicam chuvas "abundantes" em vários estados centrais produtores. Esse padrão provavelmente atrasará as operações de colheita e poderá afetar a qualidade do grão onde as lavouras já estão saturadas, mas também dilui ao longo do tempo a chegada da safra nova ao mercado, oferecendo suporte de curto prazo aos futuros e ao basis.
Na Europa, os danos já estão, em grande parte, concretizados. O ministério francês atribui explicitamente o corte na previsão de colheita às ondas de calor e à seca anteriores, e nenhuma melhora climática tardia pode reverter as perdas de produtividade neste estágio. A perspectiva do Brasil para 2025/26 e 2026/27 depende mais de decisões de área e custos de insumos do que de qualquer problema climático imediato; por ora, a hipótese de planejamento é de condições normais, apoiando a área expandida.
Perspectivas de negociação
- Compradores da UE: Com Euronext e preços físicos já elevados, considere coberturas escalonadas em vez de perseguir as altas. Foque em ofertas do Mar Negro e dos EUA, que atualmente estão bem abaixo dos valores domésticos alemães e podem reduzir o basis à medida que a logística se normaliza.
- Fabricantes de ração: Avalie a substituição parcial do milho por outros cereais onde tecnicamente viável, especialmente na Europa Ocidental, para mitigar os altos preços de curto prazo e proteger margens até que as importações recomponham os estoques.
- Produtores (EUA/UE): Use a força atual, impulsionada por clima e energia, para adicionar camadas de vendas futuras incrementais para 2025, mas mantenha alguma exposição aberta, dada a incerteza sobre os riscos de execução no Brasil e possíveis novos problemas climáticos.
- Comerciantes & traders: Monitore de perto o ritmo das importações da UE oriundas dos EUA e da Ucrânia; qualquer aceleração na capacidade de exportação ucraniana ou redução de fretes pode rapidamente comprimir o prêmio europeu e pressionar os spreads na Euronext.
Perspectiva direcional de 3 dias (em EUR)
- Valores de exportação atrelados à CBOT (US Gulf, FOB, EUR/t): Viés ligeiramente mais firme, acompanhando atrasos de colheita relacionados ao clima e mercados de energia fortes.
- Futuros de milho Euronext (EUR/t): Lateral a levemente mais alto; potencial de alta limitado pelos níveis já elevados e pelas expectativas de concorrência brasileira mais intensa adiante.
- Milho físico na UE (DE EXW, ES/Europa Central CIF, EUR/t): Firme, com potencial de maior fortalecimento do basis em regiões deficitárias até a chegada de cargas adicionais dos EUA e da Ucrânia.