Milho europeu reage em alta com perdas por clima enquanto Brasil eleva demanda por etanol
Preços do milho europeu sobem com danos por granizo e euro fraco, enquanto a safra dos EUA permanece sólida e o Brasil eleva tanto a produção de milho quanto a demanda impulsionada pelo etanol.
Preços
Os mercados de milho na Europa são sustentados por perdas relacionadas ao clima e pelos efeitos cambiais. O contrato de milho novembro em Paris fechou recentemente em nova máxima contratual, refletindo perspectivas menores para a safra europeia e um euro mais fraco, que melhora a paridade de exportação. Os preços físicos locais nas principais origens da UE acompanham a alta dos futuros ou, no mínimo, permanecem bem sustentados.
O milho spot para ração no norte da Alemanha (EXW Drentwede) é indicado em torno de EUR 0,246/kg em 14 de julho, ligeiramente acima dos níveis do início de julho e próximo ao topo da faixa recente. O milho francês FOB Paris recuou um pouco em relação aos picos anteriores, mas segue elevado em comparação com o fim de junho, enquanto as ofertas ucranianas a partir de Odesa continuam sendo negociadas com desconto, aliviando os compradores de ração, mas sem compensar totalmente as preocupações climáticas na UE.
Oferta & Demanda
Na Europa, fortes tempestades recentes com granizo destruíram lavouras de milho em partes da UE, piorando ainda mais expectativas de colheita já frágeis. Essa perda localizada de produção aperta o balanço regional, especialmente em mercados de ração sensíveis à importação, e explica a força do contrato de novembro na Euronext, apesar de estoques globais amplamente adequados.
As perspectivas de oferta nos EUA atualmente parecem confortáveis. De acordo com o último relatório USDA Crop Progress para a semana encerrada em 12 de julho, cerca de 68% do milho norte‑americano está classificado como bom a excelente, ligeiramente acima da semana anterior, com o florescimento (silking) e o início da fase de massa (dough) ocorrendo em linha ou adiantados em relação à média de cinco anos. As previsões climáticas para o Cinturão do Milho nos próximos dias não apontam calor ou seca extremos, generalizados e persistentes, o que limita o prêmio de risco nos futuros em Chicago.
O Brasil se move na direção oposta: por um lado, a oferta está crescendo. A agência nacional Conab elevou sua previsão para a segunda safra de milho 2025/26 de 107,87 para 109,43 milhões de toneladas, elevando a produção total brasileira de milho para cerca de 141,73 milhões de toneladas, ligeiramente acima da estimativa anterior. Por outro lado, a demanda doméstica tende a aumentar: o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) acaba de aprovar um aumento temporário na mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32% por 180 dias, com possível prorrogação, implicando economia de cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano e maior necessidade de matéria‑prima. Embora o etanol brasileiro seja majoritariamente à base de cana‑de‑açúcar, a maior disponibilidade de milho e margens atraentes darão suporte à crescente indústria de etanol de milho do país, reduzindo marginalmente a disponibilidade exportável na região.
Fundamentos & Clima
Os fundamentos traçam um quadro misto: a Europa enfrenta perdas de produtividade e um piso de preço impulsionado pelo câmbio; os EUA contam com uma safra amplamente saudável; e o Brasil combina maior produção com suporte regulatório à demanda por biocombustíveis. Globalmente, isso vai contra um aperto severo de oferta, mas sustenta um prêmio de risco moderado nos mercados europeus, especialmente se surgirem novos problemas climáticos na UE ou no Mar Negro.
Para a próxima semana, as previsões apontam para condições em geral sazonais a ligeiramente quentes no Cinturão do Milho dos EUA, com chuvas isoladas, o suficiente para manter as atuais classificações de lavoura na maior parte das áreas. Na Europa, o mercado acompanhará de perto a possibilidade de novas tempestades e eventuais episódios adicionais de granizo ou inundações em importantes regiões produtoras. No Brasil, a colheita da segunda safra avança e o clima perde relevância para os volumes atuais, com a atenção se voltando para logística e demanda interna dos setores de etanol e ração.
Perspectivas de Negócios
- Compradores de ração na UE: Considerar escalonar a cobertura em eventuais recuos de preço, em vez de esperar por uma correção mais profunda, já que as perdas climáticas na Europa e um euro fraco tendem a manter os preços no curto prazo sustentados, mesmo que os futuros nos EUA continuem contidos.
- Produtores na Europa: Usar as novas máximas do contrato de novembro para elevar os índices de hedge sobre volumes ainda não vendidos, garantindo margens atrativas enquanto a incerteza climática e a volatilidade cambial seguem dando suporte aos preços.
- Importadores em MENA/Ásia: Acompanhar de perto as ofertas brasileiras e ucranianas; a maior demanda interna por etanol no Brasil e o frete firme podem, gradualmente, reduzir o desconto frente às origens da UE, tornando particularmente interessantes os programas de compra antecipada a partir da região do Mar Negro.
Visão rápida da direção de preços em 3 dias (EUR)
- Milho novembro Euronext: Viés levemente altista, consolidando próximo às recentes máximas contratuais, com suporte do clima na UE e do câmbio.
- Milho para ração no interior da Alemanha (EXW): Estável a ligeiramente mais firme, acompanhando os futuros, com oferta limitada por parte dos produtores.
- Milho de exportação Mar Negro (Ucrânia, Odesa): Majoritariamente de lado, competitivo em relação às origens da UE, porém limitado pela ampla oferta regional e por restrições logísticas.