A oferta global de milho está se afrouxando à medida que uma colheita quase recorde na África do Sul e uma grande colheita no Brasil compensam as perdas regionais no Uruguai, mantendo um tom geralmente altista para os preços, apesar de focos de risco climático e logístico.
Os mercados de milho entram em meados de abril com perspectivas de produção claramente melhores em origens-chave do Hemisfério Sul e demanda constante de usuários de ração e industriais. A África do Sul está a caminho de uma de suas maiores colheitas de milho de todos os tempos, impulsionada pelas chuvas induzidas pela La Niña, o Brasil mantém uma colheita muito grande ancorada pela safrinha, e a produção da Indonésia está ligeiramente em alta. Esses ganhos mais do que compensam as quedas acentuadas no Uruguai. Os futuros suavizaram após as últimas atualizações do USDA, que elevaram a produção global de milho para cerca de 1,3 bilhões de toneladas, enquanto os preços à vista na Europa e no Mar Negro permanecem próximos aos níveis de paridade de exportação.
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📈 Preços
Os benchmarks globais refletem um cenário de oferta confortável:
- Os futuros do milho de maio da CBOT foram cotados em torno de USD 4,47/bu em 8 de abril de 2026, apresentando uma queda de aproximadamente 1% após o USDA revisar para cima a produção e os estoques mundiais de milho em seu relatório de abril.
- O milho da Euronext entregue em Bordeaux (à vista, com base em julho de 2025) negociou perto de EUR 201/t na pré-abertura em 9 de abril de 2026, ligeiramente abaixo em relação ao dia anterior.
- As ofertas físicas mostram uma leve firmeza semana a semana para milho amarelo francês (FOB Paris) em cerca de EUR 240/t e valores estáveis do Mar Negro em torno de EUR 180–240/t, dependendo da qualidade e das condições (FOB/FCA Odesa). (Derivado da lista de ofertas fornecida.)
| Produto | Origem | Termo | Preço (EUR/kg) | Preço Anterior (EUR/kg) | Atualização |
|---|---|---|---|---|---|
| Milho, amarelo | França (Paris) | FOB | 0.24 | 0.22 | 09 Abr 2026 |
| Milho, classe de ração | Ucrânia (Odesa) | FCA | 0.24 | 0.24 | 09 Abr 2026 |
| Milho | Ucrânia (Odesa) | FOB | 0.18 | 0.18 | 09 Abr 2026 |
Em termos de EUR, isso mantém o milho da UE e do Mar Negro amplamente competitivo nos mercados de ração do Mediterrâneo e Oriente Médio, especialmente em comparação com o trigo relativamente mais bem precificado após o mesmo relatório do USDA.
🌍 Oferta & Demanda
África do Sul: Colheita sul-africana quase recorde
- A colheita de milho da África do Sul para 2025/26 é prevista em 17,3 mmt, 5% acima do mês passado, ligeiramente acima do ano passado e 7% acima da média de 5 anos, impulsionada pelas chuvas melhoradas pela La Niña.
- A área colhida é estimada em 3,1 mha (+4% y/y), com rendimento de 5,63 t/ha – a quarta maior já registrada e 4% acima da média de 5 anos, apesar de estar 4% abaixo do nível excepcional do ano passado.
- Modelos baseados em NDVI apontam para a segunda maior colheita já registrada; 87% da colheita normalmente vai para silos entre maio e agosto, sugerindo alta disponibilidade para exportação no ano comercial de 2026/27.
Com a África do Sul esperada para permanecer como exportadora líquida de milho, um suprimento doméstico maior deve limitar picos regionais de preços e intensificar a competição em mercados da África do Sul e de alguns mercados asiáticos.
América Latina: Brasil forte, Uruguai afetado pela seca
- A produção de milho do Brasil para 2025/26 é estimada em 132,0 mmt, 3% abaixo do ano passado, mas ainda 11% acima da média de 5 anos. A área é um recorde de 22,8 mha, um aumento de 2% y/y, enquanto o rendimento (5,79 t/ha) permanece 6% acima da média de 5 anos.
- A colheita da safrinha, representando mais de 75% da produção anual, foi em sua maioria plantada a tempo em Mato Grosso, mas enfrentou atrasos em Goiás e Mato Grosso do Sul, onde cerca de 70% da área ficou fora da janela ideal.
- Assumindo clima normal até o final da estação chuvosa no início de maio, o Brasil continuará a ancorar a oferta global de exportação, reforçando o tom baixista nos balanços mundiais.
Em contraste, a colheita de milho do Uruguai para 2025/26 foi reduzida para 1,2 mmt (‑38% y/y). A área foi reduzida para 250.000 ha (‑3% y/y) e o rendimento para 4,8 t/ha (‑36% y/y) devido à seca persistente, com muitos campos desviados para silagem ou pastagem. Isso limita a contribuição de exportação do Uruguai, mas é pequeno em relação aos superávits do Brasil e da África do Sul.
Ásia: Ganhos incrementais na Indonésia
- A produção de milho da Indonésia para 2025/26 é estimada em 13,3 mmt, um aumento de 2% em relação ao mês passado e ao ano passado, em uma área colhida recorde de 3,6 mha.
- O rendimento é estimado em 3,75 t/ha, ligeiramente superior em relação ao mês anterior e amplamente estável em relação ao ano anterior, apoiado pelo início e continuidade oportunos das chuvas sazonais.
- Chuvas abundantes durante a estação úmida também recarregaram reservatórios, sustentando os plantios segundo e terceiro na estação seca.
Considerando o papel da Indonésia como importadora em alguns anos, a melhoria no suprimento doméstico provavelmente moderará sua demanda de curto prazo por milho estrangeiro, afrouxando marginalmente a demanda regional por origens do Mar Negro e da América do Sul.
📊 Fundamentos
- As últimas tabelas globais de grãos grosseiros do USDA elevam a produção mundial de milho para 2025/26 para cerca de 1.301 mmt, com a produção estrangeira perto de 869 mmt e os rendimentos melhorando em relação às projeções anteriores. Essa atualização é um dos principais motivos da suavização recente dos futuros.
- A produção de grãos grosseiros como um todo (cevada, milho, sorgo, etc.) também aumenta, aumentando as opções de substituição nas rações de ração e limitando o potencial de alta para o milho especificamente.
- As vendas de exportação dos EUA permanecem sólidas – 1,37 mmt na semana até 2 de abril, próximo ao topo das expectativas – mas essa força de demanda está sendo superada na formação de preços pela imagem mais confortável dos estoques globais.
Projeções climáticas (principais regiões de milho)
- África do Sul: As condições de La Niña já forneceram chuvas acima da média durante a estação, com a umidade do solo permanecendo favorável durante o enchimento dos grãos. O risco restante centra-se em possíveis chuvas na época da colheita que podem retardar a logística, em vez de reduzir significativamente a produção.
- Brasil (Centro-Oeste): A colheita da safrinha agora depende de um término normal da estação chuvosa no final de abril–início de maio; uma secagem prematura reduziria os rendimentos em Goiás e Mato Grosso do Sul, mas as suposições atuais do USDA permanecem de “clima normal.”
- Uruguai: Chuvas abaixo da média em fevereiro–março já garantiram perdas de rendimento; outros desenvolvimentos climáticos afetam principalmente as decisões sobre a colheita para grãos versus forragem, não a oferta total de grãos.
📉 Fatores de Mercado & Riscos
- Choque de oferta baixista: A produção quase recorde na África do Sul e a produção ainda grande no Brasil adicionam superávits exportáveis significativos a um mercado onde o USDA acaba de aumentar a produção de milho mundial e os estoques de encerramento.
- Focos de aperto regional: A queda impulsionada pela seca no Uruguai e os riscos de qualidade relacionados à seca em partes do Cone Sul criam alguma força na base local, mas são pequenas demais para alterar a tendência global.
- Competição com o trigo: Revisões para cima na produção e estoques mundiais de trigo podem levar os alimentadores a trocarem milho por trigo mais barato em algumas regiões, limitando o crescimento da demanda por milho.
- Vínculos macrossociais: A recente fraqueza nos futuros do petróleo bruto e as margens de biocombustíveis geralmente contidas limitam o potencial de alta através do canal de etanol, embora mandatos impulsionados por políticas ainda sustentem o uso industrial básico.
📆 Perspectivas de Negociação
- Compradores de ração (UE, MENA): Aproveite a suavidade atual dos preços e as ofertas competitivas FOB/FCA (FR, UA) para estender a cobertura moderadamente antes dos mercados climáticos do Hemisfério Norte, mas evite comprometer-se demais antes que sinais mais claros de plantio dos EUA e rendimento da safrinha surgirem.
- Exportadores (SA, BR, UA): Prepare-se para uma competição intensa em destinos-chave à medida que os suprimentos sul-africanos e brasileiros se sobrepõem; concentre-se na eficiência logística e em estruturas de preços flexíveis para defender a participação de mercado.
- Produtores (Hemisfério Sul): Considere montar hedge em altas, dada a pesada estrutura do balanço global e o risco de que revisões adicionais do USDA para cima nos rendimentos e estoques possam pressionar ainda mais os preços até o meio do ano.
📌 Direção de Preço a Curto Prazo (Visão de 3 Dias)
- Milho da CBOT: Tendência levemente baixa ou lateral, à medida que o mercado digere um balanço de milho do USDA mais baixista, a menos que novos sustos climáticos surjam no Brasil ou nos EUA.
- Milho da Euronext: Um leve desvio para baixo em direção aos níveis de paridade de exportação é provável, alinhado com os benchmarks globais e forte concorrência dos suprimentos do Mar Negro e da África do Sul que se aproximam.
- Preço físico à vista da UE/Mar Negro: Ofertas em torno de EUR 0,18–0,24/kg devem permanecer amplamente estáveis, com um tom levemente mais suave, refletindo disponibilidade confortável nas proximidades e limites de choques imediatos na demanda.


