Feijão estável, clima chuvoso no Brasil e demanda firme no Reino Unido
Atualização rápida dos preços de feijões em BRL, com mercado estável em Brasília e Londres e impacto limitado do clima chuvoso no curto prazo.
Os preços internacionais de feijões permanecem estáveis na metade de março de 2026, com pouca variação semana a semana nas principais origens listadas (Brasil, Reino Unido e China), enquanto o foco do mercado se desloca para o clima nas áreas produtoras brasileiras e para a demanda de importadores europeus. No Brasil (BR), as cotações FOB Brasília para feijão do tipo Alubia branco e feijões carioca/tipo kidney seguem praticamente inalteradas há pelo menos quatro semanas, refletindo oferta confortável após boas colheitas e estoques internos elevados, conforme apontam relatórios recentes da Conab para o complexo de feijões, com produção próxima de 3 milhões de toneladas na safra 2025/26 . Ao mesmo tempo, o clima em Brasília e no Centro-Oeste mantém padrão quente e úmido, com alertas de chuva forte e tempestades isoladas, o que pode atrapalhar operações de colheita e logística de curto prazo, mas não altera de forma relevante o quadro de oferta nacional no horizonte imediato .
No Reino Unido (GB), os preços FOB Londres para fava beans, beans broad e outros feijões secos mostram estabilidade semelhante, em um contexto de demanda externa firme, especialmente da União Europeia e do Norte da África, e de crescente interesse em proteínas vegetais. A produção britânica de pulses permanece relativamente estável, com expansão moderada de área em fava beans e outras leguminosas, apoiada por políticas de rotação de culturas e incentivos ambientais, o que ajuda a garantir oferta regular para exportação. Globalmente, o mercado de pulses segue bem abastecido, com Brasil, China, Canadá e países do Leste Africano consolidando-se como grandes fornecedores. A China, em particular, apresenta leve recuperação de preços em feijões especiais como mung e adzuki, após um período de baixa disposição de venda por parte dos produtores, o que estabelece um piso para as cotações internacionais . Nesse contexto, o curto prazo aponta para um mercado de feijões lateralizado, com prêmios logísticos e de qualidade ganhando importância sobre movimentos expressivos de preço.
Preços atuais e variação semanal (todos em BRL/ton FOB)
Nota: preços originais informados em EUR/kg foram convertidos para BRL/ton usando taxa aproximada de 1 EUR = 6,00 BRL. Conversão: preço_EUR_kg × 1.000 × 6.
BR – Brasília (FOB)
GB – Londres (FOB)
CN – Pequim (FOB, referência global de feijões especiais)
Oferta, demanda e contexto fundamental
- Brasil: A Conab projeta a oferta total de feijão na safra 2025/26 em torno de 3 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da temporada anterior (–1,8%), mas ainda suficiente para atender o consumo interno, mantendo estoques finais relativamente confortáveis .
- Estrutura de safras: O feijão brasileiro é colhido em três etapas (1ª, 2ª e 3ª safra), o que dilui riscos climáticos ao longo do ano, mas também alonga a janela de comercialização e logística .
- Demanda interna no Brasil: Apesar de tendência de queda de consumo per capita ao longo da última década, o feijão segue como base da alimentação, garantindo demanda estável, principalmente para feijões carioca, preto e outras variedades comuns .
- Exportações brasileiras: O Brasil vem ampliando a participação em pulses, com destaque para feijões coloridos e especiais, direcionados à África, Ásia e América Central . O câmbio ainda em patamar historicamente desvalorizado (dólar acima de R$ 5,20) mantém a competitividade externa .
- Reino Unido: O Reino Unido é exportador relevante de fava beans e outros pulses para a UE, Mediterrâneo e Oriente Médio. A estabilidade de preços FOB Londres sugere equilíbrio entre oferta doméstica e demanda externa, sem choques recentes de produção.
- China e feijões especiais: Relatos recentes indicam baixa disposição de venda de produtores chineses quando os preços recuam, o que ajuda a sustentar cotações de feijões especiais (adzuki, mung, kidney premium) e limita quedas adicionais .
Clima e impacto potencial na oferta (BR e GB)
Brasil – Região de Brasília (referência Centro-Oeste)
- Previsão 15–17/03/2026: Brasília deve registrar tempo predominantemente nublado, quente e úmido, com possibilidade de pancadas de chuva e trovoadas à tarde, e alertas de chuva forte emitidos pelo INMET, com acumulados diários que podem superar 50 mm e rajadas de vento de 60–100 km/h .
- Impacto na colheita e logística:
- Risco de atrasos pontuais na colheita em áreas ainda em final de ciclo de feijão, principalmente em solos mais argilosos.
- Maior risco de perda de qualidade em lotes expostos, exigindo manejo cuidadoso de secagem e armazenagem.
- Possíveis dificuldades logísticas temporárias (estradas rurais, carregamento), mas sem impacto estrutural na oferta nacional, dado o bom volume já colhido.
Reino Unido – Londres (proxy para clima produtor no sul/centro da Inglaterra)
- Previsão 15–17/03/2026: Londres apresenta tempo entre parcialmente nublado e nublado, com máximas ao redor de 11–12°C e algumas pancadas de chuva fracas, padrão típico de fim de inverno/início de primavera .
- Impacto nas lavouras de pulses:
- Período ainda de entressafra para colheita de pulses; o foco está em preparo de solo e semeadura de primavera.
- Condições úmidas, mas sem excesso de chuva, tendem a favorecer estabelecimento inicial das culturas, desde que não ocorram encharcamentos prolongados.
- Sem sinais, no curto prazo, de eventos climáticos extremos que possam reduzir de forma relevante a oferta britânica de pulses.
Produção global e fluxos de comércio (resumo)
- Brasil: Produção próxima de 3,0–3,2 milhões de toneladas de feijão (todas as safras), consolidando o país entre os maiores produtores mundiais, atrás principalmente da Índia, mas com papel crescente como exportador de feijões coloridos .
- Índia: Maior produtor e consumidor de pulses do mundo, com produção de feijão comum acima de 5 milhões de toneladas, mas com forte dependência de importações em anos de quebra de safra .
- China: Fornecedor-chave de feijões especiais (mung, adzuki, algumas variedades de kidney), com preços atualmente em leve recuperação, oferecendo referência para prêmios em mercados nichados .
- Exportadores secundários: Canadá, EUA, Mianmar e países da África Oriental (Etiópia, Tanzânia, Moçambique) complementam a oferta global, com foco em variedades específicas e mercados regionais.
Principais sinais de curto prazo para o mercado de feijões
- Preços FOB estáveis em Brasília e Londres, sem variação semanal relevante nas cotações listadas.
- Clima úmido no Centro-Oeste brasileiro pode gerar pequenos ajustes de prêmio para lotes de melhor qualidade e bem armazenados.
- Mercado global de pulses bem abastecido, com leve viés de firmeza em feijões especiais chineses.
- Câmbio ainda favorável à exportação brasileira, sustentando competitividade em BRL mesmo com preços internacionais laterais.
Perspectiva de preços – 3 dias (BR e GB, em BRL/ton FOB)
Cenário baseado em: (i) estabilidade recente das cotações; (ii) padrão climático dos próximos 3 dias; (iii) ausência de novos choques de oferta/demanda nos dados públicos até 15/03/2026.
Brasil – Brasília (FOB)
Reino Unido – Londres (FOB)
Recomendações táticas de curto prazo (orientadas a preço)
- Produtores BR (Brasília e região)
- Aproveitar janelas de clima mais seco para finalizar colheita e padronizar qualidade, reduzindo risco de deságio por umidade e defeitos.
- Com preços estáveis e estoques confortáveis, a venda escalonada continua sendo a estratégia mais prudente, evitando concentração em dias de chuva intensa.
- Exportadores BR
- Monitorar prêmios de feijões especiais chineses (mung, adzuki, kidney premium), que podem abrir espaço para negociações em nichos de alto valor.
- Considerar fixação parcial de preços em BRL, aproveitando câmbio ainda favorável à exportação.
- Importadores na Europa/Reino Unido
- Com clima relativamente benigno no Reino Unido e estabilidade de preços FOB Londres, o risco de alta abrupta é baixo no curtíssimo prazo.
- Compras de reposição podem ser planejadas ao longo dos próximos dias sem urgência, priorizando qualidade e condições logísticas.