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Damasco turco em alta: preços firmes e oferta apertada em 2026

Damasco turco em alta: preços firmes e oferta apertada em 2026

CMB
Redacção CMB News
Editorial Desk

Análise de preços do damasco seco turco em 2026 em BRL, impacto da geada de 2025 em Malatya, oferta global limitada, clima e previsões de curto prazo.

Os preços de damasco seco de origem turca seguem firmes no início de 2026, sustentados pela forte escassez de oferta após a geada extrema de abril de 2025 em Malatya e pela recuperação ainda parcial dos pomares. As cotações FOB Turquia permanecem historicamente elevadas, enquanto ofertas FCA em hubs europeus como Dordrecht (NL) e Lodz (PL) mostram estabilidade, com ligeiras altas pontuais. A combinação de estoques de carry-over em declínio, exportações turcas reduzidas e concorrência limitada de outros exportadores mantém o poder de barganha do vendedor. Para compradores industriais na UE, o foco imediato é garantir cobertura de curto prazo antes de qualquer nova surpresa climática na fase de floração e frutificação de 2026. O mercado global de damasco seco continua a girar em torno de Malatya, região responsável por cerca de 85% da produção mundial de damasco seco, mas que sofreu quase perda total de safra em 2025 devido à geada de 11–12 de abril. Isso gerou uma contração acentuada nas exportações turcas, com queda superior a 60% em volume em agosto de 2025 e salto de quase 47% no preço unitário de exportação em dólar em relação a 2024. Mesmo com sinais recentes de recuperação das árvores e perspectivas um pouco melhores para a próxima safra, o impacto da crise ainda domina o balanço global de oferta. Outros fornecedores, como Uzbequistão, Irã e, mais recentemente, países do Cáucaso, ampliaram presença, mas ainda não conseguem substituir integralmente a oferta turca. No curto prazo, a manutenção dos preços em patamares altos é reforçada por estoques turcos em redução, pela retração de parte dos exportadores que ficaram sem produto e pela necessidade dos compradores europeus de assegurar volumes mínimos para manter linhas de produção de snacks, cereais e confeitaria. As condições climáticas em Malatya nesta semana são relativamente amenas, com dias entre 12–14 °C e alguma chuva leve, o que é positivo para a fase de brotação, mas não elimina o risco de novas geadas tardias nas próximas semanas. Em termos de estratégia, compradores com exposição relevante a damasco turco tendem a alongar coberturas de 3 a 6 meses, aceitando prêmios de curto prazo para reduzir o risco de racionamento físico. Vendedores, por sua vez, aproveitam o contexto para priorizar contratos de maior valor agregado e clientes com histórico sólido de relacionamento.

Preços e tendência geral

Os dados de ofertas recentes indicam um mercado de damasco seco turco estável a levemente altista na Europa. Em Lodz (Polónia), damasco seco TR-1123, calibre n.º 8, FCA, está cotado a aproximadamente BRL 30,19/kg em 16 de março de 2026, acima dos cerca de BRL 29,94/kg registrados em 9 de março, mostrando alta marginal semana a semana. Em Dordrecht (Holanda), a linha de cubos de damasco turco para uso industrial permanece estável, com preços entre cerca de BRL 32,50/kg e BRL 37,12/kg, sem variação nas últimas duas semanas. Na origem, em Malatya e Ankara, os preços FOB para damasco seco turco (sulfurado e sem enxofre, inclusive orgânico) seguem em patamares elevados, refletindo a escassez de oferta após a geada de 2025. A exportação turca de damasco seco sofreu queda de mais de 60% em volume em agosto de 2025, enquanto o preço médio de exportação saltou de cerca de USD 5,07/kg para USD 7,43/kg, um aumento de 46,6%, consolidando o novo patamar de preços internacionais. Mesmo com alguma recuperação da produção esperada para 2026, a oferta ainda é insuficiente para pressionar significativamente as cotações para baixo.

Tabela de preços recentes – conversão para BRL

Conversão aproximada: 1 EUR ≈ 6,00 BRL; 1 USD ≈ 5,00 BRL. Valores meramente indicativos.

BASIC
Tabela de dados de mercado
Schwarzer Pfeffer6.850 €/t+2,3 %
Koriander1.240 €/t−0,8 %
Kreuzkümmel2.100 €/t+1,5 %
Zimt (Cassia)8.900 €/t+0,4 %
Kurkuma3.200 €/t−1,2 %
Kardamom grün18.500 €/t+3,1 %
Ingwer (getr.)1.850 €/t+0,9 %
Chili (getr.)2.750 €/t−0,5 %
Schwarzer Pfeffer6.850 €/t+2,3 %
Koriander1.240 €/t−0,8 %
Kreuzkümmel2.100 €/t+1,5 %
Zimt (Cassia)8.900 €/t+0,4 %
Kurkuma3.200 €/t−1,2 %
Kardamom grün18.500 €/t+3,1 %
Ingwer (getr.)1.850 €/t+0,9 %
Chili (getr.)2.750 €/t−0,5 %
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Oferta, demanda e fluxo de comércio

A Turquia continua sendo o principal produtor e exportador de damasco seco do mundo, com Malatya respondendo por cerca de 85% da produção global. A geada severa de abril de 2025 provocou perda estimada superior a 95–98% da safra em Malatya, levando a uma das piores quebras de produção da história recente e derrubando as exportações turcas em mais de 60% em determinados meses. Apesar da quebra, o setor conseguiu manter algum nível de exportação graças a estoques de carry-over da safra anterior, estimados em 30–50 mil toneladas, que funcionaram como amortecedor parcial da crise. No entanto, esses estoques vêm sendo rapidamente consumidos e projeções indicam que podem cair para níveis mínimos até o fim da temporada 2025/26, reduzindo fortemente a disponibilidade para novos contratos. Isso explica por que, mesmo com demanda europeia um pouco mais fraca em alguns segmentos, os preços permanecem firmes. No lado da demanda, a Europa continua sendo o maior destino para damasco seco turco, com forte presença em snacks, panificação, cereais matinais e misturas de frutas secas. A contração da oferta turca abriu espaço para maior participação de exportadores da Ásia Central (Uzbequistão, Tadjiquistão) e do Cáucaso (Geórgia), que reportaram aumento de demanda por damasco seco e frutas correlatas, embora partindo de bases de produção menores e com capacidade limitada de substituição total da origem turca.

Fundamentos e fatores de suporte

Impacto da geada de 2025 e estoques

Relatórios acadêmicos e institucionais da Turquia mostram que a geada de 11–12 de abril de 2025 causou perdas próximas de 100% na produção de damasco em várias áreas de Malatya, derrubando exportações em 61,4% em agosto de 2025 versus agosto de 2024. Ao mesmo tempo, o preço médio de exportação subiu cerca de 46,6% em dólar, o que, convertido para BRL, representa salto de aproximadamente BRL 25,35/kg para BRL 37,15/kg FOB em apenas um ano. Análises de consultorias especializadas indicam que os estoques de carry-over turcos, inicialmente avaliados em até 50 mil toneladas, devem encolher para cerca de 1 mil toneladas ao fim da temporada 2025/26, deixando o mercado muito mais vulnerável a qualquer novo choque climático. Isso reforça a percepção de risco entre compradores e ajuda a sustentar prêmios de origem, especialmente para produtos de maior calibre, sem enxofre e orgânicos.

Concorrência de outros exportadores

Embora Uzbequistão, Irã e alguns países da UE e do Cáucaso tenham ampliado sua participação no comércio internacional de damasco seco, eles ainda operam em escala inferior à da Turquia em anos normais. A oportunidade aberta pela quebra turca levou a um aumento de investimentos e expansão de área em alguns desses países, mas a transição estrutural leva tempo. Para compradores europeus, isso significa que, no horizonte de 2026, o damasco turco continua praticamente insubstituível em volume e especificações (calibres, padrões de enxofre, certificações), o que limita o poder de barganha do lado da demanda. A maior concorrência funciona mais como fonte de mitigação parcial de risco de abastecimento do que como fator de queda de preços.

Clima em Malatya (TR) e impacto potencial

A previsão de 3 dias para Malatya, principal região produtora de damasco na Turquia, aponta tempo relativamente ameno entre 17 e 19 de março de 2026, com máximas entre 12–14 °C, mínimas entre 2–4 °C e alternância de sol, nebulosidade e chuva leve. Essas condições são, em geral, favoráveis para a fase de brotação e início de floração, desde que não ocorram quedas bruscas de temperatura noturna abaixo de zero. Após o choque de 2025, produtores e analistas acompanham com atenção qualquer sinal de nova geada tardia em abril, período crítico para a cultura em Malatya. Relatos recentes indicam que os pomares estão em processo de recuperação, com a safra 2026 em formação, mas ainda sob influência do estresse sofrido no ano anterior. A combinação de árvores enfraquecidas e risco climático elevado mantém o prêmio de risco embutido nas cotações FOB turcas.

Produção global e estoques – posição da Turquia

Dados estruturais mostram que a Turquia lidera a produção mundial de damascos, com colheitas anuais em torno de 700–750 mil toneladas de fruta fresca em anos normais, grande parte destinada à secagem, especialmente em Malatya. A área plantada com damasco para secagem no país supera 100 mil hectares, com Malatya concentrando a maior parte dessa área. Antes da geada de 2025, o setor turco projetava exportar cerca de 100 mil toneladas de damasco seco, com receitas próximas de USD 750 milhões, reforçando o papel estratégico do produto na pauta agroexportadora do país. A quebra de 2025 derrubou essas projeções e obrigou o mercado a se apoiar em estoques de safras anteriores, que agora caminham para níveis historicamente baixos. Em paralelo, a recuperação gradual dos pomares e investimentos em manejo e irrigação sugerem que, no médio prazo, a Turquia deve retomar parte de sua capacidade exportadora, mas dificilmente com excesso de oferta no curto prazo.

Perspectivas de curto prazo e recomendações de trading

  • Viés de preço: neutro a levemente altista em BRL, com suporte em estoques turcos apertados e risco climático ainda presente em Malatya.
  • Liquidez: volumes limitados na origem, com alguns exportadores turcos ainda operando abaixo da capacidade após esgotar estoques em 2025.
  • Câmbio: oscilações de EUR/BRL e USD/BRL podem amplificar movimentos de preço em moeda local para compradores brasileiros e latino-americanos.

Recomendações para compradores

  • Considerar cobertura de 3–6 meses para volumes estratégicos, especialmente em especificações sensíveis (sem enxofre, orgânico, calibres grandes).
  • Distribuir compras entre origem Turquia FOB e hubs europeus FCA (Holanda, Polónia) para mitigar risco logístico e de disponibilidade imediata.
  • Negociar cláusulas de flexibilidade de volume em contratos de longo prazo, dada a incerteza climática na safra 2026.
  • Avaliar origens alternativas (Uzbequistão, Geórgia, Irã) como complemento, mas não como substituto total da origem turca, mantendo foco em qualidade e conformidade regulatória da UE.

Recomendações para vendedores / exportadores turcos

  • Priorizar contratos com clientes de maior valor agregado e histórico de relacionamento, capturando prêmios em segmentos premium e orgânicos.
  • Aproveitar o ambiente de oferta curta para negociar reajustes graduais em BRL, alinhados ao risco climático e à redução de estoques.
  • Investir em diversificação de mercados (Golfo, América Latina, Ásia) para reduzir dependência exclusiva da UE, mantendo, porém, conformidade com padrões europeus de resíduos e micotoxinas.

Previsão de preços em 3 dias (referência TR, convertida para BRL)

Base: nível atual estimado de preços FOB Turquia para damasco seco padrão (sulfurado, calibres médios) em torno de EUR 7,0–8,0/kg ≈ BRL 42,00–48,00/kg. Projeções qualitativas, não constituem indicação de preço firme.

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Tabela de dados de mercado
Schwarzer Pfeffer6.850 €/t+2,3 %
Koriander1.240 €/t−0,8 %
Kreuzkümmel2.100 €/t+1,5 %
Zimt (Cassia)8.900 €/t+0,4 %
Kurkuma3.200 €/t−1,2 %
Kardamom grün18.500 €/t+3,1 %
Ingwer (getr.)1.850 €/t+0,9 %
Chili (getr.)2.750 €/t−0,5 %
Schwarzer Pfeffer6.850 €/t+2,3 %
Koriander1.240 €/t−0,8 %
Kreuzkümmel2.100 €/t+1,5 %
Zimt (Cassia)8.900 €/t+0,4 %
Kurkuma3.200 €/t−1,2 %
Kardamom grün18.500 €/t+3,1 %
Ingwer (getr.)1.850 €/t+0,9 %
Chili (getr.)2.750 €/t−0,5 %
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Para hubs europeus (Dordrecht, Lodz), os preços FCA em BRL devem seguir praticamente estáveis nesses três dias, com spreads de logística e margem comercial sobre o nível FOB Turquia, salvo movimentos abruptos de câmbio.

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