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Safra Recorde de Milho no Brasil Pressiona Preços enquanto Calor Ataca Cinturão de Milho da Europa

Safra Recorde de Milho no Brasil Pressiona Preços enquanto Calor Ataca Cinturão de Milho da Europa

CMB
Redacção CMB News
Editorial Desk

Preços do milho recuam com safra recorde no Brasil e forte concorrência de EUA/Argentina, enquanto ondas de calor na Europa reduzem o potencial de produtividade do milho. Perspectiva de trading concisa.

Os preços globais do milho estão sob pressão à medida que o Brasil caminha para uma safra recorde em 2025/26, enquanto o estresse térmico em partes da Europa limita quedas maiores ao reduzir o potencial de produtividade do milho. O mercado digere uma combinação rara de oferta recorde no Brasil, disponibilidade ainda adequada nos EUA e no Mar Negro e riscos climáticos emergentes na Europa. Na Euronext, os futuros de milho no curto prazo mantêm um prêmio sobre os vencimentos mais à frente, refletindo balanços de oferta mais apertados na UE no curto prazo e incerteza climática. As consultorias brasileiras AgRural e StoneX elevaram as estimativas de rendimento da safrinha, projetando a safra total do Brasil bem acima da última projeção do USDA e deslocando ainda mais a competição nas exportações em favor das Américas. Ao mesmo tempo, ondas de calor em junho na França e na Hungria já reduziram as expectativas de milho na UE/Reino Unido, impedindo uma queda mais acentuada dos preços apesar do excedente global.

Prices

Os futuros de milho (corn) na Euronext estão basicamente estáveis no dia, mas a curva segue globalmente frouxa. O contrato mais próximo, agosto de 2026, foi negociado por volta de EUR 265/t, enquanto novembro de 2026 está em cerca de EUR 246/t e março de 2027 em torno de EUR 245/t, sinalizando um contango moderado em direção à safra de 2027 e refletindo expectativas confortáveis de oferta futura na Europa.

Na CBOT, o milho no primeiro vencimento recua levemente, com os principais contratos em queda de cerca de 0,4–0,5% no início do pregão, espelhando o sentimento baixista global. No mercado físico, o milho forrageiro alemão posto‑fazenda Drentwede é oferecido perto de EUR 273/t, acima dos aproximadamente EUR 244–246/t de meados de julho, enquanto o milho amarelo francês FOB Paris é indicado em torno de EUR 260/t. Os valores ucranianos FOB/Odessa seguem fortemente descontados, perto de EUR 175–190/t, evidenciando competição intensa para atender à demanda do Mediterrâneo e do Oriente Médio e Norte da África (MENA).

BASIC
Tabela de dados de mercado
Schwarzer Pfeffer6.850 €/t+2,3 %
Koriander1.240 €/t−0,8 %
Kreuzkümmel2.100 €/t+1,5 %
Zimt (Cassia)8.900 €/t+0,4 %
Kurkuma3.200 €/t−1,2 %
Kardamom grün18.500 €/t+3,1 %
Ingwer (getr.)1.850 €/t+0,9 %
Chili (getr.)2.750 €/t−0,5 %
Schwarzer Pfeffer6.850 €/t+2,3 %
Koriander1.240 €/t−0,8 %
Kreuzkümmel2.100 €/t+1,5 %
Zimt (Cassia)8.900 €/t+0,4 %
Kurkuma3.200 €/t−1,2 %
Kardamom grün18.500 €/t+3,1 %
Ingwer (getr.)1.850 €/t+0,9 %
Chili (getr.)2.750 €/t−0,5 %
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Supply & Demand

O Brasil é o principal motor do lado da oferta. Para 2025/26, a consultoria AgRural agora estima a produção total de milho do país em um recorde de 142,8 milhões de toneladas, cerca de 1% acima da safra passada, graças a rendimentos acima do esperado na segunda safra (safrinha) no Centro‑Sul. A própria safrinha é vista em cerca de 110,5 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo do recorde do ano passado, mas compensada por uma forte safra de verão, elevando a produção total a novas máximas.

A AgRural reporta revisões para cima de produtividade na maioria dos principais estados, em especial São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Mesmo áreas de colheita tardia continuaram registrando resultados sólidos, e o instituto estadual Imea, de Mato Grosso, agora projeta um rendimento médio recorde de cerca de 7,7 t/ha, elevando a safra de milho do estado para aproximadamente 57 milhões de toneladas, quase 3% acima da temporada anterior. O avanço da colheita é acelerado, com perto de 97% da área de safrinha já colhida em Mato Grosso e cerca de 69% no Centro‑Sul como um todo.

A StoneX também elevou sua previsão para a segunda safra brasileira em cerca de 3,2 milhões de toneladas, para aproximadamente 110,7 milhões de toneladas, levando sua estimativa nacional de milho para 141,5 milhões de toneladas e colocando ambas as projeções do setor privado bem acima da última estimativa do USDA, de 138 milhões de toneladas. Esse excedente ajuda a suprir a demanda doméstica de milho para etanol, em rápida expansão, ao mesmo tempo em que mantém volumosas sobras exportáveis que irão competir de forma agressiva com origens dos EUA e da Argentina em 2025/26.

Entretanto, os exportadores brasileiros atualmente enfrentam forte competição de preços. Segundo analistas locais, os compradores vêm privilegiando milho mais barato dos EUA e da Argentina, e o Brasil precisaria ou de preços mais altos em Chicago ou de um real mais fraco para recuperar com clareza a paridade de exportação. Os ganhos modestos recentes na CBOT melhoraram ligeiramente a posição relativa do Brasil, mas não o suficiente para restaurar plenamente sua dominância em alguns destinos, mantendo um tom amplamente baixista para as cotações internacionais do milho.

Weather & Crop Conditions

Apesar do aumento da oferta global, o clima ainda injeta risco regional. Na Europa, uma onda de calor severa em junho atingiu importantes regiões produtoras de grãos, com França e Hungria particularmente afetadas; avaliações recentes sugerem perdas de mais de EUR 2 bilhões no valor da produção de grãos, com o milho respondendo por cerca de metade da redução projetada, já que as altas temperaturas coincidiram com a polinização. Isso já levou a revisões para baixo das expectativas de produção de milho na UE/Reino Unido para 2026.

As perspectivas de curto prazo continuam apontando para temperaturas acima da média em grande parte da Europa Ocidental neste verão, acompanhadas de chuvas irregulares, o que pode agravar o estresse sobre o milho em fase tardia de polinização e enchimento de grãos na França, na Alemanha e em países vizinhos. Embora as reservas de umidade no solo ainda sejam adequadas em algumas zonas mais ao norte, o risco de produtividade está enviesado para baixo em relação às projeções anteriores, mais otimistas.

No Brasil, por outro lado, a principal história climática está em grande parte encerrada para este ciclo de safrinha. Condições favoráveis ao longo de praticamente toda a temporada de crescimento sustentaram o resultado recorde de produtividade em Mato Grosso e no restante do Centro‑Sul, com levantamentos de campo confirmando que chuvas oportunas e risco limitado de geadas favoreceram o desenvolvimento das lavouras. Isso reforça a visão de que, salvo problemas logísticos, o Brasil será um peso relevante sobre os preços internacionais do milho no próximo ano de comercialização.

Fundamentals & Trade Flows

A combinação de produção recorde no Brasil, estoques ainda amplos nos EUA e milho ucraniano e argentino com preços competitivos mantém o balanço global confortável. Projeções privadas para as exportações líquidas de cereais da UE em 2026/27 foram ligeiramente elevadas, mas as próprias importações de milho do bloco podem recuar um pouco, à medida que a demanda de ração doméstica enfraquece e os rendimentos afetados pelo calor reduzem levemente os excedentes de outros grãos.

Na Europa, a estrutura de preços reforça esse equilíbrio: os contratos mais próximos na Euronext mantêm um prêmio modesto, refletindo o risco climático local e a demanda de ração de curto prazo, enquanto os vencimentos mais longos até 2027 negociam cerca de EUR 20/t abaixo, sinalizando expectativas de normalização da oferta assim que o atual episódio de calor se dissipar. Os preços físicos na Alemanha e na França firmaram em julho devido ao aperto sazonal e às preocupações climáticas, mas seguem bem abaixo de níveis que levariam a um forte racionamento da demanda.

O forte setor de etanol de milho no Brasil continua a absorver mais grão doméstico, mas a revisão para cima da safra permite que as exportações permaneçam elevadas. Ao mesmo tempo, as ofertas ucranianas FOB fortemente descontadas garantem que a origem do Mar Negro seguirá muito competitiva na UE e no Mediterrâneo, limitando qualquer disparada de preços motivada por sustos climáticos regionais. Em linhas gerais, o quadro fundamental global permanece moderadamente baixista a neutro, com a volatilidade climática — e não uma escassez estrutural — atuando como principal catalisador de preços.

Trading Outlook

  • Compradores de ração (UE): Escalonar a cobertura de curto prazo em vez de perseguir o mercado; usar a fraqueza atual no Euronext Nov 26, em torno da faixa média de EUR 240/t, para estender a cobertura até o 1T 2027, mas manter alguma flexibilidade diante dos riscos contínuos de calor na Europa.
  • Produtores (UE/Brasil): Considerar hedge incremental em repiques de preços motivados por notícias climáticas; com volumes recordes no Brasil e forte concorrência de EUA e Ucrânia, parece limitada a probabilidade de alta sustentada, a menos que ocorram perdas significativas de produtividade nos EUA.
  • Traders: Monitorar o spread entre a paridade de exportação brasileira e a CBOT; qualquer enfraquecimento relevante do real ou nova alta em Chicago pode rapidamente alterar os fluxos e abrir oportunidades de arbitragem de curto prazo para as principais regiões importadoras.

3‑Day Directional Price Indication (EUR)

  • Euronext Corn (nearby): Lateral a ligeiramente mais fraco (intervalo de ‑2 a +3 EUR/t), à medida que o mercado equilibra as preocupações com o calor na Europa e a oferta abundante do Brasil.
  • Milho forrageiro alemão, EXW: Estável a levemente mais fraco, à medida que o avanço da colheita na Europa melhora a disponibilidade local.
  • FOB Mar Negro (UA): Largamente estável; já fortemente descontado e mais atrelado ao frete e aos prêmios de risco geopolítico do que às notícias climáticas imediatas.
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