O mercado da soja entra na metade de março de 2026 com um viés claramente sustentado nos preços físicos monitorados, mas com narrativas regionais bastante diferentes. Nos dados de oferta disponíveis, a soja FOB EUA avançou para BRL 3,25/kg em 13 de março, ante BRL 3,14/kg na semana anterior, enquanto a soja FOB Índia subiu para BRL 5,53/kg, de BRL 5,42/kg, mantendo o prêmio mais elevado entre as origens analisadas. Já a soja FOB Ucrânia ficou estável em BRL 1,94/kg, sinalizando um mercado ainda competitivo, porém limitado por logística, processamento doméstico e disponibilidade exportável. Em outras palavras, o quadro é de alta moderada nos polos mais firmes e estabilidade no Mar Negro. No pano de fundo global, o relatório WASDE de março de 2026 mostra estoques finais mundiais ainda confortáveis, em torno de 115,1 milhões de toneladas, com Brasil, Argentina e Estados Unidos continuando a dominar a formação de oferta global. Ao mesmo tempo, os EUA seguem com exportações abaixo do ritmo das médias históricas, enquanto o avanço da colheita sul-americana limita ganhos mais agressivos em Chicago. Para a Índia, o foco está menos em Chicago e mais na combinação de mercado doméstico firme, calor crescente no centro do país e margens da cadeia de farelo e óleo. Para a Ucrânia, o suporte vem da disputa entre processadores e exportadores e da menor folga exportável. No curtíssimo prazo, o mercado deve continuar altamente sensível a clima, fluxo de vendas de produtores, competitividade FOB e sinais de demanda internacional. Assim, a leitura central para os próximos dias é de firmeza altista para Índia e EUA e estabilidade com leve viés positivo para Ucrânia, sem descartar volatilidade caso Chicago reaja a novas revisões de exportação, clima ou ritmo da safra sul-americana.
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📈 Preços
| Origem | Especificação | Data | Preço atual (BRL/kg) | Preço anterior (BRL/kg) | Variação semanal | Sentimento |
|---|---|---|---|---|---|---|
| EUA | No. 2, FOB Washington D.C. | 13/03/2026 | BRL 3,25 | BRL 3,14 | +3,6% | Altista moderado |
| Índia | Sortex clean, FOB Nova Délhi | 13/03/2026 | BRL 5,53 | BRL 5,42 | +2,1% | Altista |
| Ucrânia | FOB Odessa | 13/03/2026 | BRL 1,94 | BRL 1,94 | 0,0% | Estável |
Leitura rápida do movimento
- EUA: a recuperação do preço físico nas últimas duas semanas sugere recomposição de prêmio e suporte do mercado de óleo/farelo, mesmo com pressão da safra brasileira sobre as cotações internacionais.
- Índia: continua sendo a origem mais cara entre as três analisadas, reflexo de mercado interno mais apertado, qualidade e estrutura doméstica de demanda.
- Ucrânia: estabilidade no dado FOB mascarando um ambiente interno mais firme, com disputa entre esmagadores e exportadores.
🌍 Oferta, demanda e fluxo comercial
- O WASDE de março de 2026 aponta estoques finais globais de soja em cerca de 115,08 milhões t, com produção dos EUA em 113,27 milhões t, Brasil em 154,50 milhões t e Argentina em 48,21 milhões t.
- Nos EUA, o quadro fundamental ainda é misto: os embarques seguem relevantes, mas o ritmo de vendas externas permanece abaixo do necessário para um aperto mais forte, o que limita repiques excessivos.
- O relatório semanal de exportações dos EUA de 5 de março de 2026 mostrou vendas líquidas de soja de 383,5 mil t para 2025/26, abaixo da semana anterior e também abaixo da média recente, sinal de demanda externa seletiva.
- Na Ucrânia, analistas locais reportam queda das exportações de fevereiro ante janeiro e menor volume livre para exportação, enquanto o processamento doméstico absorve parte importante da oferta.
- Na Índia, o suporte vem mais do mercado interno do complexo soja do que do comércio exterior em grão, com o óleo e o farelo ajudando a sustentar preços.
📊 Fundamentais globais
| País/Bloco | Produção 2024/25 (Mt) | Exportações (Mt) | Estoques finais (Mt) | Leitura de mercado |
|---|---|---|---|---|
| Brasil | 154,50 | 104,19 | 29,72 | Oferta abundante, pressão sazonal |
| Estados Unidos | 113,27 | 46,27 | 9,32 | Suporte moderado, exportação abaixo do ideal |
| Argentina | 48,21 | 5,11 | 24,05 | Foco em esmagamento |
| China | 20,84 | 0,07 | 43,31 | Demanda importadora dominante |
| Mundo | 396,40 | 177,84 | 115,08 | Estoques confortáveis |
O que isso significa para os preços físicos
- Estoques globais ainda amplos impedem uma explosão altista estrutural.
- Mesmo assim, mercados regionais podem subir por fatores locais: prêmio FOB, logística, câmbio, processamento e clima.
- Para o curto prazo, o físico pode se descolar parcialmente de Chicago, sobretudo na Índia e na Ucrânia.
🌦️ Clima por região-chave (IN, UA, US)
Índia
- O IMD indica avanço de calor sobre partes do centro e oeste da Índia, enquanto a previsão de curto prazo para Indore mostra máximas de 36–37°C entre 14 e 16 de março de 2026.
- Como a colheita principal já passou, o efeito imediato sobre produtividade é limitado, mas o calor tende a reduzir conforto logístico e pode sustentar a firmeza de armazenagem e comercialização.
- O impacto mais provável no horizonte de 3 dias é preço firme a levemente altista, sem sinal climático de alívio relevante.
Ucrânia
- Para Odessa, a previsão de 14 a 16 de março de 2026 aponta tempo majoritariamente seco, ensolarado a nublado, com máximas entre 7°C e 9°C.
- Esse padrão favorece movimentação e embarque no curtíssimo prazo, reduzindo risco climático imediato para logística portuária.
- Sem choque climático, o principal vetor continua sendo a disputa entre exportação e esmagamento interno, o que sugere mercado estável com viés de alta moderada.
Estados Unidos
- Nos EUA, a orientação do CPC/NOAA e o outlook de curto prazo indicam padrão mais úmido em partes do Meio-Oeste, enquanto a previsão para Springfield, Illinois, entre 13 e 15 de março de 2026, traz vento, aumento de nebulosidade e possibilidade de chuva/trovoada no domingo.
- Para a soja, isso ainda não altera produção de forma direta nesta fase, mas reforça a atenção sobre umidade de solo e preparação do plantio em áreas-chave.
- O efeito de curto prazo é mais psicológico do que produtivo, contribuindo para sustentação, não para um rali forte.
📉 Eventos recentes que movem o mercado
- Safra brasileira: segue como principal freio para altas mais intensas nas referências globais, ao ampliar disponibilidade exportável no mercado internacional.
- Exportações dos EUA: vendas líquidas mais fracas reduzem urgência compradora em Chicago.
- Ucrânia: menor disponibilidade exportável e maior processamento doméstico ajudam a sustentar preços locais.
- Índia: calor persistente e firmeza do complexo soja mantêm prêmio regional elevado.
📆 Perspectiva de negociação
- Para vendedores na Índia: mercado segue remunerando bem; vendas escalonadas continuam fazendo sentido diante do prêmio elevado.
- Para compradores na Índia: evitar exposição total ao spot; preferir cobertura parcial, pois o calor e a firmeza doméstica não sugerem recuo rápido.
- Para exportadores dos EUA: monitorar Chicago e novos relatórios de vendas; altas adicionais parecem mais dependentes de prêmio e clima do que de demanda explosiva.
- Para compradores de origem ucraniana: a estabilidade FOB ainda oferece competitividade, mas a janela pode estreitar se o processamento interno continuar absorvendo oferta.
- Para traders: o spread entre Índia e Ucrânia permanece amplo e pode continuar favorecendo arbitragem de origens para diferentes mercados de destino.
🔮 Previsão regional de preços para 3 dias
| Região | Preço atual (BRL/kg) | Tendência 3 dias | Faixa projetada (BRL/kg) | Justificativa |
|---|---|---|---|---|
| Índia (FOB Nova Délhi) | BRL 5,53 | Leve alta / firme | BRL 5,53–5,64 | Calor persistente, mercado interno firme, pouca pressão baixista imediata |
| Ucrânia (FOB Odessa) | BRL 1,94 | Estável a leve alta | BRL 1,94–2,00 | Tempo seco favorece embarque, mas oferta exportável segue limitada |
| EUA (FOB Washington D.C.) | BRL 3,25 | Firme / levemente altista | BRL 3,22–3,36 | Clima sem ameaça severa, porém com suporte técnico e físico recente |
📌 Conclusão
- A soja segue com viés positivo no físico, mas sem um gatilho global forte o suficiente para disparada generalizada.
- Índia permanece como mercado mais firme e mais caro entre as origens analisadas.
- Ucrânia continua competitiva, embora a estabilidade FOB esconda um pano de fundo mais apertado.
- EUA mostram recuperação gradual, mas ainda dependem de melhora em exportações ou clima para avançar com mais convicção.

