O mercado de trigo entra na metade de março de 2026 com um quadro claramente orientado por preços, mas com o pano de fundo fundamental e climático ganhando importância para os próximos dias. Nas indicações disponíveis em 13 de março, o trigo francês FOB Paris continua como a referência mais cara entre as origens monitoradas, em torno de BRL 1.624/t, enquanto o trigo FOB dos EUA vinculado ao CBOT aparece perto de BRL 1.176/t e as ofertas FOB de Odesa, na Ucrânia, permanecem na faixa de BRL 1.008–1.064/t. Em outras palavras, o spread entre França e Ucrânia segue amplo, preservando a competitividade do Mar Negro, embora sem novas quedas relevantes nas últimas semanas. A leitura imediata é de mercado físico relativamente estável, mas não necessariamente confortável: na França, o excesso de umidade do inverno e o histórico recente de chuvas sustentam dúvidas sobre logística, qualidade e ritmo de comercialização; na Ucrânia, a oferta continua competitiva, porém dependente de fluxo portuário e de um ambiente geopolítico e logístico sensível; nos Estados Unidos, o foco segue nas áreas de trigo de inverno das Plains, onde a seca ainda é um fator de risco, mesmo com janelas de precipitação pontuais. No plano global, o viés estrutural ainda não é explosivamente altista, porque os relatórios do USDA continuam apontando oferta mundial elevada e estoques finais globais em patamar confortável para 2025/26. Ainda assim, o mercado está menos indiferente ao clima do que há algumas semanas: qualquer deterioração adicional nas Plains dos EUA, qualquer ruído exportador no Mar Negro ou qualquer problema de qualidade na Europa pode reprecificar rapidamente os spreads regionais. Para compradores, isso sugere oportunidade de cobertura seletiva em origens do Mar Negro; para vendedores, indica que a estabilidade atual pode ser mais frágil do que parece.
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📈 Preços atuais do trigo
| Origem | Especificação | Local | Termo | Preço atual (BRL/t) | Variação semanal | Sentimento |
|---|---|---|---|---|---|---|
| França | Proteína mín. 11,0% | Paris | FOB | BRL 1.624/t | 0,0% | Firme |
| EUA | Proteína mín. 11,5%, CBOT | Washington D.C. | FOB | BRL 1.176/t | 0,0% | Neutro a firme |
| Ucrânia | Proteína mín. 12,5% | Odesa | FOB | BRL 1.064/t | -5,0% | Competitivo |
| Ucrânia | Proteína mín. 11,0% | Odesa | FOB | BRL 1.008/t | 0,0% | Competitivo |
| Ucrânia | Proteína mín. 10,5% | Odesa | FOB | BRL 1.064/t | 0,0% | Estável |
| Ucrânia | Proteína mín. 11,5% | Odesa | FCA | BRL 1.400/t | 0,0% | Estável |
| Ucrânia | Proteína mín. 11,5% | Kyiv | FCA | BRL 1.344/t | 0,0% | Estável |
| Ucrânia | Proteína mín. 9,5% | Odesa | FCA | BRL 1.344/t | 0,0% | Estável |
| Ucrânia | Proteína mín. 9,5% | Kyiv | FCA | BRL 1.232/t | 0,0% | Estável |
Nota metodológica: os preços brutos recebidos foram convertidos aproximadamente para BRL/t com câmbio indicativo de 1 EUR = BRL 5,60, assumindo que a série-base está expressa em EUR/kg. A variação semanal foi calculada contra a observação de 05 de março de 2026.
🌍 Oferta, demanda e fluxo comercial
- França: o trigo francês segue com prêmio elevado frente à Ucrânia, mas o contexto exportador europeu continua menos agressivo. Relatórios de mercado apontam revisão para baixo das exportações de trigo da UE e maior estoque final, o que limita impulso altista mais forte.
- Ucrânia: apesar de as ofertas do seu conjunto de dados estarem estáveis, o mercado regional do Mar Negro vem sendo sustentado por oferta mais curta e necessidade de originar volume para embarque. Notícias de fevereiro mostraram alta dos preços de compra para portos ucranianos com suporte de oferta limitada.
- EUA: o trigo americano permanece no meio do intervalo de competitividade. O mercado de exportação dos EUA tem suporte de vendas externas adiantadas, mas o fator dominante de curto prazo é o clima nas Plains.
- Mercado global: o USDA segue descrevendo um ambiente de ampla oferta entre grandes exportadores, o que reduz a probabilidade de uma disparada sustentada sem choque climático adicional.
📊 Fundamentais globais
- O USDA/ERS informou em fevereiro de 2026 produção mundial de trigo em 841,8 milhões de toneladas, ainda recorde para 2025/26.
- As exportações globais de trigo para 2025/26 foram projetadas em 221,4 milhões de toneladas.
- Os estoques finais globais de trigo foram estimados em 277,5 milhões de toneladas, um recuo mensal de 0,7 Mt, mas ainda em máxima de cinco anos.
- Entre os grandes exportadores, o USDA destaca estoques mais altos em relação ao ano anterior, fator que continua limitando altas mais agressivas.
| Indicador global de trigo 2025/26 | Valor | Leitura de mercado |
|---|---|---|
| Produção mundial | 841,8 Mt | Baixista estrutural |
| Exportações mundiais | 221,4 Mt | Fluxo robusto |
| Estoques finais mundiais | 277,5 Mt | Amortecedor para preços |
| Estoques dos grandes exportadores | 77,9 Mt | Oferta disponível ainda confortável |
🌦️ Clima por região-chave (FR, UA, US)
🇫🇷 França
- O inverno 2025/26 foi um dos 10 mais chuvosos desde 1959 e o 4º mais quente desde 1900, segundo a Météo-France.
- Fevereiro de 2026 foi o fevereiro mais chuvoso desde 1959 na média nacional, com solos frequentemente saturados e episódios de cheias.
- Houve ainda uma sequência inédita de 40 dias consecutivos de chuva no país entre 14 de janeiro e 22 de fevereiro de 2026.
- Para o início de março, a Météo-France descreveu temperaturas acima da normal e novas pancadas em parte do território.
Efeito provável no trigo: para o trigo francês, o risco imediato não é falta de água, mas sim excesso de umidade, atraso em trabalhos de campo, potencial pressão sobre sanidade e incerteza sobre qualidade, especialmente se a instabilidade persistir. Isso tende a manter o mercado francês relativamente firme, mesmo com oferta global ampla.
🇺🇦 Ucrânia
- O mercado ucraniano continua dependente do ritmo portuário do Mar Negro e da capacidade de manter fluxo de embarque a partir de Odesa.
- Relatos recentes de mercado indicaram que gelo, geada e dificuldades logísticas chegaram a atrapalhar entregas aos portos, forçando exportadores a elevar preços de compra.
- Ao mesmo tempo, a competitividade da origem ucraniana continua elevada em comparação com França e, em vários casos, também com origens americanas.
Efeito provável no trigo: a curto prazo, o principal risco para a Ucrânia é mais logístico do que agronômico dentro deste conjunto de fontes. Se os embarques fluírem normalmente, a origem segue com potencial de pressionar concorrentes. Se houver nova interrupção portuária ou gargalo operacional, os prêmios FOB podem reagir rapidamente.
🇺🇸 Estados Unidos
- Boletins do USDA e do U.S. Wheat Associates destacam condições secas nas áreas de trigo, com precipitação abaixo do normal nas Southern e Central Plains.
- O CPC/NOAA informou persistência de seca em grande parte das High Plains em março, com melhora mais provável em partes do Kansas sudeste, Oklahoma e leste do Texas onde há sinal de chuva.
- O Weekly Weather and Crop Bulletin do USDA mostrou expansão relevante da seca nas Plains e no Sul até o início de março.
Efeito provável no trigo: o mercado americano continua sensível ao clima. Mesmo com chuvas pontuais, a persistência de seca em parte importante das Plains limita qualquer viés baixista mais forte no trigo dos EUA e pode sustentar Chicago/Kansas se os mapas voltarem a secar.
🧭 Principais motores do mercado agora
- Spread de preço ainda amplo entre França e Ucrânia, favorecendo competitividade do Mar Negro.
- Oferta mundial elevada e estoques globais confortáveis continuam freando altas mais intensas.
- Clima excessivamente úmido na França sustenta incerteza de qualidade e logística.
- Seca nas Plains dos EUA mantém prêmio climático latente.
- Fluxo portuário ucraniano segue sendo variável crítica para o equilíbrio regional do Mar Negro.
📆 Perspectiva de negociação
- Compradores: considerar cobertura parcial na origem ucraniana enquanto o desconto frente à França permanece amplo.
- Moinhos e indústrias: monitorar qualidade e prêmio do trigo francês; o risco de alta está mais ligado a qualidade/logística do que a falta de oferta física global.
- Exportadores do Mar Negro: aproveitar janelas de embarque e proteger margens, pois qualquer normalização logística pode limitar novos ganhos FOB.
- Participantes expostos ao mercado americano: manter atenção diária aos mapas climáticos das Plains; esse é o principal gatilho de volatilidade de curto prazo.
- Estratégia geral: mercado de curto prazo tende a permanecer lateral a levemente firme, com viés de reação rápida a notícias climáticas.
🔮 Previsão regional de preços para 3 dias
| Região | Referência | Preço atual (BRL/t) | Tendência 3 dias | Faixa projetada (BRL/t) | Justificativa |
|---|---|---|---|---|---|
| França | FOB Paris 11,0% | BRL 1.624/t | Estável a firme | BRL 1.610–1.660/t | Excesso de umidade, solos saturados e risco logístico/qualitativo sustentam prêmio. |
| Ucrânia | FOB Odesa 11,0%–12,5% | BRL 1.008–1.064/t | Estável | BRL 1.000–1.080/t | Origem segue competitiva; direção depende mais de fluxo portuário do que de mudança climática imediata. |
| EUA | FOB/CBOT 11,5% | BRL 1.176/t | Levemente firme | BRL 1.170–1.220/t | Seca persistente nas Plains mantém prêmio climático, apesar de chuvas localizadas. |
Resumo da previsão: nos próximos 3 dias, a tendência mais provável é de estabilidade com viés firme na França e nos EUA, enquanto a Ucrânia deve permanecer mais estável e competitiva. O risco de surpresa altista é maior nos EUA se os mapas reduzirem a chuva esperada; o risco de surpresa na França está ligado a nova deterioração do quadro de excesso de umidade.





