A Maior Safra de Milho do Brasil Limita os Preços na UE Apesar da Firmeza Local
A maior safra de milho do Brasil em 2025/26 e a mudança de área para milho e soja limitam os preços na UE apesar da firmeza local. Perspectivas, fatores e visão de negociação concisos.
Preços
As indicações spot mostram um tom amplamente estável a ligeiramente mais fraco nas origens voltadas à exportação. O milho ucraniano FOB Odesa é cotado em torno de EUR 0.159/kg, ligeiramente abaixo dos EUR 0.166/kg no início de setembro, enquanto os valores do milho para ração CPT Odesa oscilam em torno de EUR 0.17/kg. O milho amarelo francês FOB Paris permanece estável perto de EUR 0.25/kg, indicando referências da UE relativamente firmes em comparação com a concorrência do Mar Negro. O milho para ração alemão ex-works Drentwede é negociado próximo de EUR 0.295/kg, estável nas sessões recentes, destacando o suporte dos custos logísticos domésticos e dos requisitos de qualidade.
| Origem / Termo | Categoria | Último preço (EUR/kg) | Tendência de 1–2 semanas |
|---|---|---|---|
| Ucrânia, Odesa FOB | Milho | 0.159 | Ligeiramente em queda |
| Ucrânia, Odesa CPT | Milho para ração | 0.172 | Lateral a ligeiramente em alta |
| França, Paris FOB | Milho amarelo | 0.25 | Estável |
| Alemanha, Drentwede EXW | Milho para ração | 0.295 | Estável |
Oferta e Demanda
O Brasil continua sendo o principal fornecedor marginal a moldar o balanço global do milho. Para o ano-safra 2025/26, a produção total de grãos do Brasil é projetada em cerca de 361.7 Mt, alta de 2.6% na comparação anual, com o milho estimado em aproximadamente 144 Mt, cerca de 2% acima da temporada anterior. Esse aumento é sustentado por uma expansão de 1.7% na área total de grãos, para 83.5 Mha, impulsionada principalmente por soja, milho e guar, enquanto culturas de menor retorno, como trigo e arroz, perdem área e volume.
A mudança no mix agrícola sinaliza uma priorização contínua do milho, apoiada por retornos atrativos e fortes perspectivas de exportação. A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) elevou recentemente sua previsão de produção de milho para 2025/26 para perto de 144 Mt, confirmando o papel do país como exportador fundamental para o mercado global de ração. Somada a uma safra ainda expressiva dos EUA — com a colheita cerca de 8% concluída e ligeiramente à frente da média de cinco anos —, a disponibilidade global para 2025/26 parece confortável, reduzindo a necessidade de um racionamento agressivo via preços.
Fundamentos e Clima
O cenário fundamental é moldado por desempenhos divergentes entre as culturas no Brasil. Enquanto a produção de soja é projetada em um recorde de 180.4 Mt (+5.2% a/a) e a de milho em 144 Mt (+2% a/a), a produção de trigo deve cair acentuadamente, cerca de 27%, para 5.74 Mt, e a de arroz aproximadamente 13%, para 11.08 Mt. A força relativa das margens da soja e do milho em comparação com essas culturas sustenta ganhos contínuos de área para ambas, reforçando a capacidade plurianual do segmento de milho de segunda safra (safrinha) do Brasil.
Em termos climáticos, as condições do início da temporada para o próximo ciclo brasileiro são influenciadas pelo fortalecimento do El Niño. As previsões para setembro de 2026 apontam chuvas acima do normal em grande parte do Centro-Oeste e do Sudeste, melhorando a umidade do solo antes do plantio da soja e, posteriormente, do milho safrinha, enquanto as temperaturas no Sul estão próximas ou ligeiramente abaixo do normal devido à frequente cobertura de nuvens. Nos EUA, os relatórios recentes de progresso da safra indicam condições geralmente favoráveis, com apenas bolsões localizados de estiagem, apoiando as expectativas de uma colheita sólida em 2026.
Perspectivas do Mercado e Ideias de Negociação
- Compradores (ração, amido, pecuária): Aproveitem os preços atuais, laterais a mais fracos, para ampliar a cobertura até o início de 2027, especialmente nas origens do Mar Negro, onde os valores FOB e CPT recuaram. Considerem misturar milho doméstico da UE com maior teor de proteína a material ucraniano competitivo para otimizar custo e qualidade.
- Produtores na UE: Com o Brasil e os EUA sinalizando oferta abundante, as altas provavelmente serão impulsionadas principalmente por temores climáticos ou interrupções logísticas. Aproveitem eventuais altas de cobertura de posições vendidas para adicionar hedges incrementais, em vez de esperar por uma tendência estrutural de alta.
- Traders e comercializadores: Monitorem os diferenciais de base entre o EXW doméstico da UE e o FOB/CPT do Mar Negro; a combinação de mercado físico europeu firme e origens de exportação mais fracas favorece arbitragens de origem e operações de armazenamento, especialmente antes dos fluxos de colheita do Hemisfério Sul.
Indicação Regional de Preços para 3 Dias (EUR)
- Mar Negro (Ucrânia, Odesa FOB/CPT): Viés ligeiramente mais fraco à medida que as expectativas de oferta global pesam; uma queda moderada de EUR 0.002–0.004/kg é possível caso a pressão da colheita aumente.
- Oeste da UE (França FOB Paris): Os preços provavelmente permanecerão amplamente estáveis em torno de EUR 0.25/kg; volatilidade intradiária limitada ligada a movimentos cambiais e aos futuros da Euronext.
- Centro da UE (Alemanha EXW milho para ração): Estável a marginalmente mais firme devido à logística doméstica e à demanda localizada; limitado próximo de EUR 0.29–0.30/kg, salvo grandes choques macroeconômicos.