Mercado de Cana-de-Açúcar Aperta à Medida que Riscos de Oferta Aumentam em Origens-Chave
Os mercados globais de cana-de-açúcar enfrentam oferta apertada, enquanto Índia, Brasil e Tailândia lidam com clima adverso e competição do etanol, sustentando preços mais altos em EUR.
Prices
A curva do açúcar bruto ICE No. 11 avançou em 10 de setembro de 2026, com os vencimentos mais próximos registrando ganhos em torno de 1,3–1,8% no dia. Outubro 2026 encerrou a 18,73 USc/lb (dia anterior 18,40), enquanto março 2027 fechou a 19,75 USc/lb, destacando uma estrutura mais firme no curto prazo e backwardation moderada mais adiante.
Todos os contratos listados de outubro de 2026 até julho de 2029 terminaram a sessão em território positivo, com os ajustes recuando gradualmente de cerca de 18,7–19,8 USc/lb em 2026/27 para aproximadamente 17,1–17,9 USc/lb em meados de 2028/29. Essa curva futura ainda elevada espelha expectativas de oferta mais apertada nas próximas duas safras, mesmo que alguma normalização esteja precificada após 2027/28.
*Conversão aproximada assumindo ~22–23 USc/lb ≈ 520–540 USD/mt e EUR/USD próximo da paridade.
Complementando os futuros, o açúcar refinado brasileiro (ICUMSA 45) FOB São Paulo está atualmente ofertado em torno de 0,53 EUR/kg, ligeiramente acima de cerca de 0,52 EUR/kg em meados de outubro de 2024. Isso aponta para uma tendência de alta modesta, porém persistente, nas cotações físicas em termos de EUR, consistente com o painel mais firme da ICE e as referências de açúcar branco mais altas reportadas pela International Sugar Organization.
Supply & Demand
O balanço global de açúcar está mudando de um pequeno superávit para um possível déficit. Para 2025/26, as expectativas ainda apontam para um excedente de cerca de 1,1 milhão de toneladas. No entanto, para 2026/27 a International Sugar Organization projeta um déficit global de aproximadamente 200.000 toneladas, enquanto alguns analistas privados (por exemplo, Green Pool) alertam para uma falta muito mais acentuada, de até 3,2 milhões de toneladas.
A ampla faixa de projeções evidencia o quanto a perspectiva de produção é incerta, sobretudo diante da volatilidade climática e da sensibilidade da produtividade da cana e da recuperação de açúcar às condições de final de safra. Nesse contexto, qualquer choque climático adicional em uma origem importante pode rapidamente apertar o balanço e sustentar nova valorização dos preços em relação aos níveis atuais.
Key origins
- India: A monção de sudoeste de 2026 tem sido historicamente fraca, cerca de 14–15% abaixo do normal em todo o país, com uma deficiência notável persistindo até o início de setembro. As áreas de cana enfrentam estresse hídrico, e o governo efetivamente interrompeu as exportações de açúcar, ao mesmo tempo em que, pela primeira vez em anos, autorizou importações de açúcar bruto isentas de impostos de até 1 milhão de toneladas para estabilizar a oferta doméstica.
- Brazil: A disponibilidade nominal de cana no Brasil está alta, em quase 650 milhões de toneladas, mas interrupções de colheita ligadas ao clima e problemas logísticos estão limitando o fluxo efetivo de açúcar para o mercado exportador. Preços elevados do petróleo – Brent recentemente acima de 90 USD/bbl – têm incentivado as usinas a desviar mais cana para o etanol, apertando o mix de açúcar e reforçando o tom altista em Nova York.
- Thailand: Chuvas abaixo da média e uma mudança estrutural de agricultores em direção à mandioca, mais lucrativa, pesam fortemente sobre a área de cana e as perspectivas de produtividade da safra 2026/27 da Tailândia, reduzindo os volumes exportáveis de açúcar justamente quando a demanda asiática permanece robusta.
Weather & Crop Outlook
Na Índia, a precipitação acumulada da monção de 1º de junho a 9 de setembro de 2026 atingiu cerca de 648 mm, em comparação com um nível normal próximo de 761 mm, refletindo um déficit de quase 15%. A deficiência se aprofundou no início de setembro, e os meteorologistas esperam chuvas abaixo do normal na fase final da monção. Isso eleva os riscos para a cana plantada tardiamente e pode limitar a acumulação de sacarose, ainda que as áreas irrigadas estejam em certa medida protegidas.
Na região Centro-Sul do Brasil, janelas recentes de tempo seco favoreceram a moagem, mas interrupções climáticas anteriores e maior variabilidade associada ao El Niño já introduziram ruído nas expectativas de produtividade. Combinado com a alta paridade do etanol, sustentada por preços firmes do petróleo, é provável que as usinas continuem favorecendo a produção de biocombustível na margem, restringindo a oferta de açúcar.
As perspectivas para a Tailândia seguem nebulosas devido às chuvas sazonais abaixo do esperado e ao maior custo de oportunidade para os agricultores. Sem uma melhoria clara na umidade e nos incentivos, a safra de cana 2026/27 deve permanecer significativamente abaixo das médias do início da década, apertando ainda mais o pool exportador asiático.
Fundamentals & Market Structure
Os spreads futuros ao longo da curva ICE No. 11 mostram backwardation modesta a partir de março de 2027, sinalizando que o mercado está disposto a pagar um prêmio pelo fornecimento no curto prazo, mas ainda espera algum alívio mais à frente na década. Os volumes estão concentrados nos contratos frontais de 2026/27, ressaltando que a principal janela de risco se situa nos próximos 12–18 meses.
Do lado dos fundamentos, a combinação de um superávit global em contração, exportações indianas restritas, incertezas climáticas no Brasil e na Tailândia e mercados de energia firmes sugere que o potencial de baixa para o açúcar bruto é limitado no curto prazo. Ao mesmo tempo, os preços ainda não alcançaram níveis que racionem a demanda de forma agressiva, o que deixa espaço para novos picos de preço se a produção decepcionar ou se houver problemas logísticos.
Trading Outlook (Next 1–3 Months)
- Importers / industrial users: Considerar antecipar a cobertura das necessidades para Q4 2026–Q2 2027 enquanto a ICE No. 11 permanecer abaixo de 20 USc/lb e as ofertas de refinado brasileiro estiverem em torno de 0,53 EUR/kg FOB. Focar em volumes flexíveis e origens opcionais, dada a incerteza em torno de Índia e Tailândia.
- Producers (Brazil, Thailand, other exporters): Os preços futuros atuais até 2027/28 oferecem níveis de hedge atrativos em comparação com custos históricos. Vendas graduais e em camadas em movimentos de alta acima da faixa recente são recomendáveis, mantendo ao mesmo tempo alguma exposição à alta caso os déficits se materializem na extremidade superior das projeções.
- Speculative participants: A relação risco-retorno favorece um viés moderadamente altista, especialmente diante de reveses climáticos ou novos sinais de demanda de importação da Índia. Entretanto, o mercado já precificou parte da restrição; gestão de risco disciplinada e atenção aos movimentos macro/cambiais são essenciais.
3-Day Price Indication (Directional)
- ICE No. 11 (raw sugar): Viés levemente altista na faixa de 18,5–20,0 USc/lb, apoiado por narrativas de déficit e preços firmes de energia.
- Brazil refined sugar FOB São Paulo (EUR): Estável a levemente mais firme em torno de 0,53–0,55 EUR/kg, acompanhando a ICE e as referências de açúcar branco.
- EU white sugar (EUR/mt): Estável com viés de alta de risco, espelhando a oferta global mais restrita de bruto e a menor concorrência exportadora asiática.