Preços da avelã recuam levemente, mas oferta global segue apertada

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Os preços de avelã de origem turca e georgiana recuaram ligeiramente na última semana, mas permanecem em patamar historicamente elevado, sustentados pela forte quebra de safra na Turquia em 2025/26 e pela firme demanda da indústria de confeitaria. A valorização recente, combinada com inflação doméstica elevada na Turquia e prêmios para origens alternativas como Geórgia e Azerbaijão, mantém o viés estrutural ainda altista no médio prazo. Compradores industriais seguem focados em coberturas seletivas, enquanto exportadores tentam defender prêmios diante da concorrência crescente do Cáucaso.

O mercado global de avelãs entra na segunda quinzena de março de 2026 com um quadro de oferta estruturalmente apertado, apesar de algum alívio tático de preços nas últimas sessões. A Turquia, responsável por cerca de dois terços da oferta mundial, enfrenta nova temporada marcada por perdas de produtividade após episódios de geada e seca, o que já levou a revisões baixistas na estimativa de safra 2025/26 e a forte redução nas exportações em 2025. Em paralelo, Geórgia e Azerbaijão ampliam participação no comércio internacional, aproveitando preços de exportação significativamente mais altos.

Do lado da demanda, grandes grupos de confeitaria como Ferrero seguem como principais formadores de preço, mas vêm ajustando programas de compra e compromissos regulatórios na Turquia, em resposta à queda de rendimento e ao escrutínio das autoridades de concorrência. Ainda assim, o consumo de derivados de avelã em chocolates e spreads se mantém resiliente, sustentando prêmios para origens de alta qualidade. Em termos climáticos, o início de primavera nas regiões produtoras do Mar Negro traz risco de novos episódios de geada tardia, o que mantém o mercado sensível a notícias de clima nas próximas semanas.

📈 Preços e dinâmica recente

Panorama geral

Os dados de 16 de março de 2026 indicam leve correção baixista nas ofertas FOB Istambul para avelã turca e nas cotações FCA Varsóvia para produto de origem georgiana, todas convertidas aqui para BRL (aprox. 1 EUR = 5,90 BRL). As quedas semanais variam de 1% a 2%, após forte alta acumulada desde o fim de fevereiro. O movimento sugere realização de lucros e ajuste técnico, mais do que uma mudança estrutural da tendência.

Abaixo, um resumo dos preços mais recentes por tipo e origem, com base nas ofertas de 16/03/2026.

Turquia – FOB Istambul (origem TR)

Produto Tipo Termos Preço 16/03 (BRL/kg) Preço 11/03 (BRL/kg) Variação semanal Sentimento
Avelã em grão TR natural, 13-15mm FOB Istambul ≈ 64,19 ≈ 65,05 -1,3% Levemente baixista / ainda firme
Avelã em grão TR natural, 11-13mm FOB Istambul ≈ 61,36 ≈ 62,07 -1,1% Levemente baixista
Avelã TR torrada farinha/meal FOB Istambul ≈ 47,20 ≈ 48,09 -1,9% Baixista
Avelã TR torrada picada 2-4mm FOB Istambul ≈ 53,10 ≈ 53,99 -1,7% Baixista

Geórgia – FCA Varsóvia (origem GE)

Produto Tipo Termos Preço 16/03 (BRL/kg) Preço 09/03 (BRL/kg) Variação semanal Sentimento
Avelã em grão GE natural, 13-15mm FCA Varsóvia ≈ 69,92 ≈ 70,51 -0,8% Levemente baixista / prêmio mantido
Avelã em grão GE natural, 11-13mm FCA Varsóvia ≈ 68,15 ≈ 68,74 -0,9% Levemente baixista
Avelã em grão GE 15mm+ FCA Varsóvia ≈ 71,10 ≈ 71,68 -0,8% Firme, com prêmio de calibre

🌍 Oferta, demanda e fluxos de comércio

Turquia: oferta apertada e exportações em queda

Relatórios recentes indicam que a Turquia registrou forte queda nas exportações de avelã em 2025, com volumes recuando cerca de 26% e receitas em torno de 14%, reflexo direto da menor safra e da perda de competitividade de preço. Estimativas do International Nut and Dried Fruit Council (INC) apontam para uma redução significativa da produção turca em 2025/26, em torno de um terço frente ao ciclo anterior.

Além da quebra de safra, a inflação doméstica elevada e a desvalorização da lira turca distorcem a formação de preços internos, fazendo com que os preços em moeda local cresçam mais que em dólares ou euros. A Turkish Grain Board (TMO) e grandes compradores privados têm trabalhado com preços de referência em torno de US$ 4,8–4,9/kg para diferentes qualidades, o que, convertido para BRL, ajuda a explicar o patamar elevado das ofertas FOB em Istambul.

Geórgia e Azerbaijão: ganho de espaço no mercado

Com a redução da oferta turca, países do Cáucaso como Azerbaijão e Geórgia ampliaram rapidamente sua presença no comércio internacional de avelãs. Dados recentes mostram que o Azerbaijão elevou em mais de 30% a receita de exportação de avelãs em 2025, aproveitando preços mais altos e demanda redirecionada.

A Geórgia, por sua vez, viu os preços médios de exportação de avelã subirem cerca de 70% ano a ano no início de 2026, com leve aumento de volume e forte ganho em valor. Isso sustenta o prêmio observado nas cotações FCA Varsóvia para produto de origem georgiana em relação à origem turca, especialmente para calibres maiores (15mm+). Programas de apoio governamental, como o aumento do orçamento do programa de subsídio à produção de avelã em 2025, reforçam a tendência de expansão de área e melhoria de manejo na Geórgia.

Demanda industrial e papel da Ferrero

Ferrero permanece como o maior comprador global de avelãs, consumindo parcela relevante da produção mundial para chocolates e cremes. No entanto, em 2025 a empresa obteve autorização da Autoridade de Concorrência da Turquia para reduzir temporariamente seu volume mínimo de compras no país, em resposta à queda de rendimento e qualidade e às preocupações regulatórias.

Apesar desse ajuste, a demanda final por produtos à base de avelã segue resiliente, sustentada pelo consumo de confeitos premium e spreads em mercados desenvolvidos. A combinação de oferta restrita na Turquia e demanda relativamente estável mantém o balanço global apertado, limitando o espaço para quedas expressivas de preço em BRL no curto prazo.

📊 Fundamentos e fatores macro

Produção e estoques globais (visão qualitativa)

Relatórios setoriais indicam que, além da Turquia, a Itália também enfrenta perspectivas de produção mais baixa em 2025/26, enquanto Chile e Estados Unidos devem apresentar aumento de oferta, parcialmente compensando o déficit. Ainda assim, o peso relativo da Turquia no comércio mundial faz com que o choque de produção turco domine a formação de preços.

Os estoques de passagem globais tendem a encolher na virada para 2026/27, dada a combinação de exportações turcas menores e forte escoamento de origens alternativas. Isso reforça um piso elevado para as cotações internacionais, sobretudo para produto de alta qualidade e calibres maiores.

Política, regulação e inflação

O ambiente regulatório na Turquia permanece em foco, com a Autoridade de Concorrência monitorando de perto o comportamento de grandes compradores e a estrutura do mercado de avelãs. Ao mesmo tempo, a inflação doméstica, que fechou 2025 em torno de 30%, aumenta custos de produção e processamento, repassando pressão adicional para os preços de exportação.

Para compradores que negociam em BRL, a conversão cambial a partir de EUR ou USD adiciona outra camada de volatilidade. Movimentos de desvalorização do real frente ao euro podem neutralizar eventuais correções baixistas em euros, mantendo o custo em BRL relativamente estável ou até em alta.

🌦️ Clima nas regiões produtoras (GE, TR)

Turquia (região do Mar Negro)

As principais áreas produtoras de avelã da Turquia concentram-se na região do Mar Negro, especialmente em províncias como Ordu, Giresun e Trabzon, sujeitas a clima úmido e riscos recorrentes de geadas de primavera. Projeções climáticas de médio prazo apontam para aumento de temperatura e mudanças no regime de chuvas, elevando a incidência de eventos extremos.

Para meados de março de 2026, serviços meteorológicos regionais indicam padrão relativamente ameno, mas com possibilidade de incursões de ar frio e chuvas irregulares, típico da transição inverno–primavera. Esses episódios podem afetar a floração e a frutificação se coincidirem com fases fenológicas sensíveis, mantendo o risco de revisão adicional de safra caso ocorram geadas tardias localizadas.

Geórgia (faixa litorânea e oeste do país)

Na Geórgia, a produção de avelãs se concentra principalmente nas regiões oeste e litorâneas, também influenciadas pelo clima do Mar Negro. As condições recentes têm sido relativamente favoráveis, com boa umidade do solo e temperaturas dentro da normalidade para o período, apoiando perspectivas de produtividade satisfatória para 2025/26.

No entanto, assim como na Turquia, ainda há risco de eventos de frio tardio ao longo de março e início de abril, que podem impactar parte da safra se coincidirem com floração avançada. Até o momento, não há relatos amplos de danos climáticos significativos na Geórgia para a temporada atual, o que ajuda a sustentar a percepção de oferta relativamente mais estável nessa origem.

📆 Tendências de preço e drivers de curto prazo

  • Correção técnica recente: As quedas semanais em BRL de 1%–2% refletem principalmente realização de lucros após forte alta desde o fim de fevereiro.
  • Oferta turca restrita: A projeção de safra 2025/26 significativamente menor na Turquia continua a dar suporte estrutural aos preços internacionais.
  • Concorrência do Cáucaso: Expansão de exportações da Geórgia e Azerbaijão aumenta a liquidez, mas ainda não compensa totalmente a perda turca.
  • Demanda firme: Indústria de chocolates e spreads mantém compras, ainda que com maior seletividade de origem e calibre.
  • Risco climático: Potencial de geadas tardias no Mar Negro segue como principal fator de risco altista nas próximas semanas.

📌 Recomendação tática para participantes

  • Compradores industriais (BRL): Aproveitar a leve correção atual para alongar parcialmente coberturas em produto turco natural 11–13mm e 13–15mm, priorizando contratos com flexibilidade logística. Manter espaço para compras adicionais se ocorrer nova rodada de queda cambial do euro.
  • Indústrias premium: Para linhas que exigem calibres maiores (15mm+), considerar diversificação para origem georgiana, mesmo com prêmio, dada a percepção de maior estabilidade de oferta e qualidade nesta temporada.
  • Exportadores turcos: Focar em diferenciação por qualidade e certificações para defender prêmios em relação ao Cáucaso, em um contexto de menor volume disponível.
  • Traders: Estratégia neutra a levemente comprada no curto prazo, com atenção a notícias de clima no Mar Negro e a eventuais novas decisões regulatórias envolvendo grandes compradores na Turquia.

🔮 Previsão de preços em BRL – 3 dias (regiões TR, GE)

Hipóteses: estabilidade cambial EUR/BRL próxima de 5,90; ausência de choques climáticos ou regulatórios relevantes nos próximos três dias. Variações indicadas são estimativas de faixa, não cotações firmes.

Turquia – FOB Istambul (origem TR)

Produto Base 16/03 (BRL/kg) Faixa esperada D+3 (BRL/kg) Tendência
Natural 13-15mm ≈ 64,19 63,50 – 65,00 Estável a levemente baixista
Natural 11-13mm ≈ 61,36 60,80 – 62,20 Estável
Torrada – meal ≈ 47,20 46,80 – 47,80 Leve pressão baixista
Torrada – picada 2-4mm ≈ 53,10 52,50 – 53,80 Estável a levemente baixista

Geórgia – FCA Varsóvia (origem GE)

Produto Base 16/03 (BRL/kg) Faixa esperada D+3 (BRL/kg) Tendência
Natural 11-13mm ≈ 68,15 67,80 – 69,00 Estável
Natural 13-15mm ≈ 69,92 69,50 – 70,80 Estável
15mm+ ≈ 71,10 70,70 – 71,90 Estável, com prêmio mantido