Açúcar No.11 cai abaixo de 15 USc/lb com oferta de origens ainda abundante
Açúcar bruto ICE No.11 recua para abaixo de 15 USc/lb com forte moagem de cana no Brasil e demanda contida, apesar da continuidade da proibição de exportações da Índia. Panorama conciso de preços, oferta e estratégias de trading.
Preços
A curva de açúcar ICE No.11 fechou em baixa em 13 de julho de 2026:
- Out 2026: 14.75 USc/lb (−0.13; −0.88% d/d)
- Mar 2027: 15.66 USc/lb (−0.19; −1.21% d/d)
- Mai 2027: 15.46 USc/lb (−0.21; −1.36% d/d)
- Mar 2028: 16.48 USc/lb (−0.22; −1.33% d/d)
- Mar 2029: 16.86 USc/lb (−0.19; −1.13% d/d)
A curva mostra um contango modesto de cerca de 2.1 USc/lb de Out 2026 a Mar 2029, sinalizando disponibilidade confortável no médio prazo.
(Convertido a ~0.92 EUR/USD e 1 lb = 0,4536 kg; valores arredondados.)
Oferta & Demanda
A região canavieira do Centro‑Sul do Brasil continua a ditar a oferta global. Relatórios recentes indicam que a moagem avançou sob condições predominantemente firmes e secas, permitindo que as usinas mantenham um ritmo forte de produção antes da chegada de uma frente fria. Comentários locais também apontam que a demanda externa e as chuvas recentes no início da safra ajudaram a sustentar os preços domésticos, mas os trabalhos de campo atualmente transcorrem em grande parte sem interrupções.
Na Índia, as autoridades passaram de um regime de exportações restritas para um regime proibido para a maior parte das exportações de açúcar, com uma proibição em vigor pelo menos até setembro de 2026 para proteger a disponibilidade doméstica e apoiar as metas de mistura de etanol. Embora alguns embarques dentro de cotas tarifárias (TRQ) para os EUA e UE ainda sejam permitidos via canais geridos pelo Estado, as exportações indianas para o mercado mundial em geral permanecem insignificantes, retirando um fornecedor tradicionalmente-chave do mercado spot.
O último relatório da safra de cana 2025/26 do México até 4 de julho aponta para um progresso constante, com a produção em linha com as expectativas recentes, sem sinalizar um déficit global acentuado. A perspectiva de médio prazo da Tailândia ainda prevê uma produção de açúcar menor em 2026/27 em relação a 2025/26 devido à seca anterior, mas esse impacto está em grande parte além do horizonte mais próximo atualmente refletido no contrato No.11.
Fundamentos & Clima
O contango moderado na curva ICE, combinado com a queda diária em todos os contratos listados (−0,9% a −1,4%), aponta para:
- Disponibilidade confortável de açúcar bruto no curto prazo a partir do Brasil e de outras origens.
- Preocupação limitada com aperto físico de curto prazo, apesar da ausência das exportações indianas.
- Expectativas de mercado de um aperto apenas gradual mais adiante, não um déficit severo.
O boletim agroclimatológico oficial do Brasil para julho destaca condições relativamente favoráveis nas principais regiões Sudeste e Centro‑Oeste, sem sinal imediato de seca em grande escala para a cana. No Centro‑Sul, períodos secos atualmente favorecem a velocidade de moagem, embora qualquer déficit de umidade prolongado mais adiante na safra mereça atenção para os rendimentos de sacarose da safra 2026/27.
Perspectiva de 4–6 semanas & Visão de Trading
Com a Índia praticamente ausente das exportações, mas o Brasil operando em ritmo forte, o mercado global de açúcar parece equilibrado no curto prazo. A movimentação de preços abaixo de 15 USc/lb sugere que os prêmios de risco geopolítico e climático anteriores estão sendo desfeitos à medida que os fluxos físicos se ajustam.
- Produtores (Brasil, Tailândia): Considerar escalonar hedge da produção 2026/27 nos níveis de contango atuais (15,5–16,5 USc/lb; ≈ 310–335 EUR/t), mantendo parte do potencial de alta em aberto em caso de choques climáticos no fim da safra.
- Consumidores industriais/refinadores: Usar a fraqueza atual em Out 2026–Mar 2027 e a curva confortável para garantir cobertura futura; escalonar as compras para aproveitar novas quedas em direção a 14,5 USc/lb (≈ 290 EUR/t).
- Traders/especuladores: Viés para estratégias de trading em faixa, vendendo repiques em 16–16,5 USc/lb e comprando na faixa de alta‑13/baixa‑14, acompanhando de perto o clima no Brasil e quaisquer ajustes na política de exportação da Índia.
Perspectiva direcional de 3 dias (principais bolsas, em EUR)
- ICE No.11 (mês mais próximo, EUR/t): Levemente baixista a lateral; provável negociação em uma banda aproximada de 290–305 EUR/t, acompanhando o sentimento macro e notícias sobre a moagem no Brasil.
- Europa (swaps de açúcar refinado, EUR/t): Estável a levemente mais fraco, com importações confortáveis do Brasil compensando a ausência de oferta indiana.
- Base de exportação do Brasil (FOB São Paulo, refinado, EUR/kg): Ofertas anteriores em torno de 0,53 EUR/kg no fim de 2024 sugerem valores atuais em linha ou ligeiramente mais firmes em termos de EUR, sustentados pelos custos domésticos e pela moeda.