A corrida do Vietnã por castanhas de caju em casca encarece o mercado global de amêndoas
O recorde de importações de castanha de caju em casca do Vietnã e os preços mais altos estão comprimindo margens, apertando a oferta global de amêndoas e sustentando cotações mais firmes em EUR para castanha de caju.
Preços
Dados alfandegários e de comércio mostram que a fatura de importação de castanhas de caju em casca do Vietnã aumentou cerca de 12,3% ano a ano até 15 de julho, superando um aumento de aproximadamente 4% nos volumes importados. Isso implica um claro avanço no preço médio da castanha em casca, amparado por forte demanda dos processadores e limitada disponibilidade local de matéria-prima.
As ofertas indicativas de amêndoas também refletem o tom mais firme. Considerando a hipótese de trabalho aproximada de 1 USD ≈ 0,91 EUR, ofertas FOB recentes da Índia para amêndoas W320 convencionais em torno de 7,10 USD/kg se traduzem em aproximadamente 6,46 EUR/kg, enquanto cotações vietnamitas para WW320 próximas de 6,92 USD/kg equivalem a cerca de 6,29 EUR/kg. Cotações FCA europeias para WW320 convencionais em torno de 5,05 USD/kg são aproximadamente 4,60 EUR/kg, mostrando um claro desconto de origem em relação às ofertas asiáticas e destacando uma estrutura de preços apertada, mas ainda escalonada, ao longo da cadeia de valor.
Oferta & Demanda
O Vietnã importou cerca de 1,81 milhão de toneladas de castanhas de caju em casca até 15 de julho de 2026, estabelecendo um novo recorde para este momento do ano. Os pomares locais não conseguem fornecer castanha suficiente para manter as fábricas operando, de modo que os processadores dependem fortemente da Costa do Marfim e de outras origens africanas, onde a competição pelo excedente exportável se intensificou.
Do lado da demanda, o Vietnã exportou aproximadamente 373.000 toneladas de produtos de caju no mesmo período, com receitas próximas de 2,63 bilhões de USD. Os volumes exportados recuaram ligeiramente na comparação anual, mas preços de venda mais altos geraram um aumento de 3,1% nas receitas de exportação, evidenciando uma demanda resiliente a jusante nos Estados Unidos, China e Europa, apesar dos maiores preços no varejo.
Fundamentos & Margens
A característica marcante de 2026 até agora é que o valor das importações de castanha de caju em casca do Vietnã superou as receitas com exportações de produtos processados, deixando o setor em posição de déficit comercial. Essa inversão ressalta a velocidade com que os custos da matéria-prima subiram em relação aos preços das amêndoas e o quão dependentes os processadores estão de uma utilização eficiente e de vendas robustas para proteger suas margens.
Participantes da indústria atribuem esse desequilíbrio às castanhas em casca caras, à alta demanda por processamento e à produção doméstica estruturalmente insuficiente. A crescente competição entre processadores vietnamitas pelo suprimento africano está se traduzindo diretamente em referências internacionais mais altas para castanha em casca, o que, por sua vez, sustenta os preços das amêndoas, mas também limita a rentabilidade do processamento e aumenta a exposição do setor a qualquer desaceleração da demanda ou disrupção logística na África Ocidental.
Perspectiva de Curto Prazo
Com o Vietnã ainda comprando ativamente e as origens africanas cientes do forte apetite dos processadores, os preços da castanha em casca tendem a permanecer sustentados no curto prazo. Os valores das amêndoas devem continuar firmes a ligeiramente mais altos, à medida que os processadores buscam repassar os custos elevados de entrada, embora qualquer enfraquecimento da demanda dos principais importadores possa rapidamente pressionar as margens, em vez dos preços da matéria-prima.
As condições climáticas nas regiões produtoras africanas na reta final da safra serão importantes, mas atualmente são secundárias em relação à dinâmica de demanda e capacidade no Vietnã. Os participantes de mercado devem observar sinais de racionamento nos mercados consumidores finais se preços mais altos de amêndoas começarem a afetar o consumo na Europa e na América do Norte.
Perspectiva de Negociação
- Compradores com necessidades descobertas para o quarto trimestre devem considerar a realização de cobertura em camadas em eventuais recuos de preço, já que a forte demanda vietnamita por castanha em casca continua dando suporte aos valores das amêndoas.
- Indústrias de torrefação e varejistas podem desejar diversificar fornecedores entre Vietnã, Índia e Europa para equilibrar custo, qualidade e risco logístico em um ambiente de matéria-prima apertado.
- Processadores devem monitorar de perto a oferta de origens africanas e a evolução dos fretes, pois qualquer disrupção pode apertar ainda mais a disponibilidade de castanha em casca e comprimir as margens.
Indicação Regional de Preços em 3 Dias (Direção em EUR)
- Índia (FOB, amêndoas W320): Estável a ligeiramente mais firme na faixa de meados de 6 EUR/kg.
- Vietnã (FOB, amêndoas WW320): Tom firme, leve viés de alta um pouco acima de 6 EUR/kg.
- Europa (FCA Países Baixos, amêndoas WW320): Estável, com viés moderadamente mais firme na faixa de meados de 4 EUR/kg, à medida que os custos de reposição sobem.