Passas: Índia sobe, Turquia estabiliza e clima dita o curto prazo
Preços de passas em março de 2026: Índia em alta moderada, Turquia estável e clima nas regiões AF, CL, CN, IN e TR guiando o curto prazo.
O mercado de passas entra na metade de março de 2026 com um viés claramente orientado por preços físicos e por diferenciais de origem. A leitura principal dos dados disponíveis mostra uma firmeza mais evidente na Índia, onde as cotações FOB em Nova Délhi voltaram a subir na semana encerrada em 13 de março, enquanto Turquia, China, Chile e Afeganistão operam com estabilidade nominal nas listas observadas. Em termos de competitividade, a origem indiana segue oferecendo os menores níveis entre os lotes premium monitorados, sobretudo em passas pretas e marrons, ao passo que a Turquia continua carregando o prêmio mais alto nas categorias sultana tipo 9/RTU e, principalmente, no produto orgânico. O pano de fundo global ajuda a explicar esse desenho: no curto prazo, a oferta exportável de uvas e derivados secos continua sensível a clima, logística e ritmo de embarques. No Afeganistão, a fruta segue relevante para a pauta externa, mas gargalos de rota e custos de trânsito continuam afetando a formação de preços internos e a capacidade de arbitragem internacional. No Chile, a safra de uva de mesa 2025/26 foi revisada para baixo, com perdas no norte e atraso relativo de volumes, fator que tende a limitar agressividade de venda em derivados quando a matéria-prima fica mais disputada. Na Índia, relatos de menor disponibilidade de uvas em partes de Maharashtra após clima adverso e discussões sobre pressão de importações sobre o mercado doméstico de passas reforçam o tom mais firme. Já na Turquia, o quadro climático de Manisa para os próximos dias é benigno, sugerindo manutenção da oferta corrente e pouca urgência compradora imediata. Na China, Turpan atravessa um período seco e estável, favorável ao produto armazenado, embora sem sinal claro de aperto de curto prazo. Em resumo: o mercado está menos “explosivo” do que em commodities de bolsa, mas continua tecnicamente apertado em origens com menor disponibilidade e mais vulnerável a custos logísticos, enquanto compradores seguem comparando prêmio de qualidade versus reposição imediata.
Visão geral do mercado
- Tendência dominante: alta moderada nas passas indianas; estabilidade nas demais origens monitoradas.
- Origem mais competitiva: Índia nas categorias preta e marrom.
- Origem com maior prêmio: Turquia, especialmente sultanas tipo 9/RTU e orgânicas.
- Fator-chave de curto prazo: clima benigno nas regiões monitoradas favorece estabilidade imediata, mas logística afegã e menor disponibilidade em partes da Índia mantêm suporte ao mercado.
Preços atuais de mercado
Conversão aproximada para BRL usada no relatório: 1 EUR ≈ 5,45 BRL. Os preços de origem foram tratados como base em EUR/kg para padronização do relatório solicitado.
Oferta, demanda e fluxos comerciais
Afeganistão
- O país exportou US$ 222 milhões em frutas secas nos primeiros oito meses de 2025, acima do mesmo período do ano anterior, indicando demanda externa resiliente para a categoria.
- Ao mesmo tempo, fechamentos imprevisíveis de fronteira, sobretudo com o Paquistão, elevaram custos e forçaram redirecionamento via portos iranianos, reduzindo eficiência logística e pressionando preços domésticos quando há excesso de oferta interna.
- Em Kandahar, houve exportação de 12 mil toneladas de frutas secas em quatro meses, sinalizando atividade comercial ainda relevante.
Chile
- O USDA reportou que as exportações chilenas de uvas secas no MY 2024/25 caíram 16,8% em volume, para 59.062 t, mas o valor total subiu 4,3%, sugerindo mix mais valorizado e/ou preços médios mais altos.
- Na uva de mesa, a projeção chilena 2025/26 foi revisada para 62,2 milhões de caixas, 8,4% abaixo da temporada anterior, com perdas no norte e atraso relativo de volumes. Isso pode limitar a disponibilidade de matéria-prima para secagem em algumas regiões.
Índia
- O mercado doméstico mostra sinais de aperto relativo: em Maharashtra, relatos indicam queda acentuada na produção de uvas em 2026 após clima adverso, com impacto potencial sobre a matéria-prima destinada a passas.
- Produtores de Sangli relataram pressão de importações sobre preços locais de passas, mencionando entrada de cerca de 5 mil toneladas via Afeganistão e recuo do preço doméstico abaixo de INR 200/kg. Isso ajuda a explicar a sensibilidade do mercado indiano a arbitragem de origem.
- Segundo relatório da APEDA/USDA, cerca de 17% da produção de uva é destinada à produção de passas, reforçando a importância da disponibilidade de uva para a formação de oferta.
Turquia e China
- Na Turquia, a estabilidade dos preços FOB/CIF nas listas monitoradas sugere mercado equilibrado, sem choque novo de oferta no curtíssimo prazo.
- Na China, as cotações em Hamburgo e Dordrecht seguem praticamente estáveis, indicando fluxo regular e ausência de aperto imediato no canal europeu.
Fundamentais comparativos
Clima por região e impacto esperado
- AF – Herat/Kandahar: próximos 3 dias com tempo seco a parcialmente ensolarado e máximas em elevação, de cerca de 16°C a 24°C. Para produto já seco/armazenado, o clima é benigno; o principal risco continua sendo logístico, não climático.
- CL – Copiapó: calor seco, com máximas próximas de 29°C e ausência de chuva. Condições favoráveis para qualidade pós-colheita e secagem, mas a menor disponibilidade sazonal da uva no país limita pressão baixista.
- CN – Turpan: clima seco e ameno, máximas de 12°C a 16°C; sem ameaça imediata à conservação. A névoa/piora de qualidade do ar não altera substancialmente o balanço de passas no curtíssimo prazo.
- IN – Nashik: calor forte, com máximas de 34°C a 36°C e muito sol. Isso favorece secagem e logística curta, mas após uma temporada de clima adverso e menor produção, o efeito líquido de curto prazo é de sustentação de preços, não de queda.
- TR – Manisa: tempo seco e ameno, máximas em 17°C–18°C, sem sinal de chuva ou frio extremo nos próximos 3 dias. Ambiente neutro a ligeiramente baixista para prêmios de curto prazo, pois não há ameaça nova à oferta.
Interpretação dos preços
- Índia: movimento de alta semanal pequeno, mas consistente nas três categorias monitoradas, sugerindo reposição ativa e oferta menos folgada.
- Turquia: depois da correção observada entre fevereiro e início de março em algumas linhas FOB, os preços estabilizaram; o mercado parece buscar novo ponto de equilíbrio.
- China: estabilidade com leve melhora em Hamburgo indica canal europeu funcional, porém sem impulso forte de demanda.
- Afeganistão: preço parado em Dordrecht sugere que o desconto logístico/origem ainda é necessário para manter competitividade.
- Chile: prêmio continua acima de Índia e China, sustentado por posicionamento de qualidade e menor folga de oferta exportável.
Perspectiva de negociação
- Compradores industriais: considerar cobertura curta na Índia, onde a tendência é de alta moderada e a competitividade ainda é boa.
- Importadores focados em custo: monitorar Afeganistão e China para compras oportunísticas, mas com atenção a logística e consistência de especificação.
- Vendedores turcos: manter disciplina de preço; o clima não pressiona vendas urgentes, então descontos agressivos parecem desnecessários no curtíssimo prazo.
- Compradores premium: Chile e Turquia seguem como referências de qualidade, mas com menor espaço para barganha imediata.
- Risco principal: qualquer novo entrave logístico no Afeganistão ou revisão adicional de oferta na Índia pode reacender altas regionais.