Os preços do milho nos EUA estão limitados por grandes estoques e exportações recordes, mesmo com a guerra no Irã e o aumento dos preços de energia elevando os custos de produção e os prêmios de risco no médio prazo.
O milho está negociando de forma lateral antes de relatórios importantes do USDA, com os estoques excessivos dos EUA compensando a forte demanda de exportação e o aumento dos prêmios de risco geopolítico do conflito no Golfo Pérsico. O mercado está focado nos dados de estoques trimestrais e plantios prospectivos de hoje vindos de Washington, enquanto os custos de combustível e fertilizantes em alta começam a pressionar as intenções de plantio para 2026. Paralelamente, a segunda safra do Brasil está quase totalmente plantada, com apenas pequenos rebaixamentos de rendimento até agora, limitando os medos de oferta a curto prazo. Por enquanto, os preços físicos na Europa e no Mar Negro estão amplamente estáveis em termos de EUR, mas o risco de alta está crescendo se os mercados de energia permanecerem restritos até meados de 2026.
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📈 Preços & Spreads
Os futuros de milho do CBOT estavam amplamente estáveis na segunda-feira, não acompanhando a forte alta do petróleo bruto, apesar do aumento das tensões no Golfo Pérsico e das repetidas altas do Brent bem acima de EUR 100/bbl. Ofertas físicas mostram um tom estável para levemente mais firme: milho amarelo FOB Paris da França está indicado em cerca de EUR 0,22/kg, enquanto o milho para ração FOB Odesa da Ucrânia está em torno de EUR 0,18/kg e FCA Odesa a cerca de EUR 0,24/kg. Cotações recentes para milho de pipoca ficam próximas a EUR 0,80/kg FOB Buenos Aires e EUR 0,73/kg FCA Dordrecht, com pouco movimento semana a semana.
| Origem | Produto | Termo | Último preço (EUR/kg) | Tendência vs meados de março |
|---|---|---|---|---|
| Ucrânia (Odesa) | Milho, grau de ração | FCA | 0.24 | Estável |
| Ucrânia (Odesa) | Milho | FOB | 0.18 | Levemente mais alto |
| França (Paris) | Milho, amarelo | FOB | 0.22 | Levemente mais alto |
| Argentina (Buenos Aires) | Pipoca | FOB | 0.80 | Estável |
| Brasil → NL (Dordrecht) | Pipoca | FCA | 0.73 | Estável |
🌍 Fatores de Oferta & Demanda
Analistas esperan estoques de milho nos EUA em 1º de março em cerca de 9,10 bilhões de bushels, cerca de 0,96 bilhões de bushels acima do ano passado, ressaltando quanto grão permanece após a colheita recorde do ano passado, apesar das exportações rápidas. Este carryout significativo limita estruturalmente a possibilidade de um pico de preço a curto prazo e explica a resposta contida dos futuros à alta do petróleo. Ao mesmo tempo, as intenções de plantio prospectivas estão caindo acentuadamente: a área total de milho nos EUA é estimada em cerca de 94,4 milhões de acres em comparação com 98,8 milhões de acres no ano passado, refletindo as margens ruins dos produtores em níveis de preços atuais.
A demanda de exportação continua a ser um pilar-chave de suporte. As inspeções de exportação do USDA para a semana até 26 de março totalizaram 1,789 milhão de toneladas, 5% acima da semana anterior e 4% acima da mesma semana do ano passado, superando as expectativas de 1,2–1,65 milhão de toneladas. México, Japão e Coreia do Sul foram os principais compradores, e as exportações cumulativas de 2025/26 desde 1º de setembro totalizam 46,37 milhões de toneladas, um aumento de 36% em relação ao ano anterior. Além disso, exportadores privados relataram uma nova venda de 145.000 toneladas de milho para entrega em 2025/26 para destinos desconhecidos, sinalizando interesse internacional contínuo.
No Brasil, o plantio da segunda safra (safrinha) de milho está praticamente concluído com 99% da área prevista, com todos os principais estados finalizados, exceto o Paraná. O consultor AgRural reduziu ligeiramente sua previsão para a safra total de milho do Brasil em 2025/26 para 135,7 milhões de toneladas, de 136,2 milhões de toneladas, uma leve rebaixamento que pouco altera as percepções globais de oferta, mas remove algum potencial de alta se o clima se tornar adverso no final da temporada.
📊 Fundamentos & Inflação de Custos
A guerra em andamento no Irã e o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz elevaram os preços do petróleo acima de EUR 100/bbl e causaram uma alta acentuada nos preços do diesel e dos fertilizantes. Para o milho, isso tem dois efeitos opostos. Do lado da demanda, os preços mais altos do petróleo bruto melhoram a economia do bioetanol à base de milho, provavelmente apoiando o uso industrial se os mandatos de mistura forem mantidos. Do lado da oferta, o aumento acentuado dos custos de combustível e insumos pressiona as margens agrícolas e eleva os preços de ponto de equilíbrio, especialmente para operações intensivas em energia nos EUA e na Europa.
Os analistas duvidam cada vez mais que os níveis atuais de preços do milho sejam suficientes para incentivar os agricultores a manter e, muito menos, expandir a área de milho para a colheita de 2026. Com os custos de fertilizantes aumentando significativamente desde o início de março e os preços do diesel disparando nas principais regiões de consumo, há um forte risco de que os cultivadores dos EUA e potencialmente do Brasil prefiram cultivos menos intensivos em insumos ou reduzam a área plantada de forma contundente na próxima temporada. Este aperto prospectivo da safra de 2026/27 ainda não está totalmente precificado, mas já está começando a ser refletido nos prêmios de risco da curva a prazo.
🌦️ Clima & Perspectivas Regionais
O clima é atualmente um motor secundário em comparação com o risco macroeconômico e político. No Brasil, o plantio praticamente completo da safrinha significa que a atenção rapidamente se deslocará para as chuvas de abril–maio em Mato Grosso, Goiás e Paraná; previsões iniciais apontam para condições próximas do normal, embora qualquer secura no final da temporada possa afetar os rendimentos dados os orçamentos apertados para fertilizantes. Nos EUA, as condições pré-plantio na Cinta de Milho estão sendo monitoradas de perto; com grandes estoques de colheita antiga, apenas um susto climático material mais tarde na temporada mudaria significativamente o balanço.
📆 Perspectivas de Negociação & Risco
- Curto prazo (0–2 semanas): Esperar preços limitados com uma leve tendência de alta, enquanto grandes estoques dos EUA compensam o sentimento otimista do choque energético impulsionado pelo Irã e pelas exportações fortes. Os dados de estoques e área do USDA provavelmente desencadearão breves picos de volatilidade em vez de uma mudança de tendência sustentada.
- Médio prazo (T2–T3 2026): Se o petróleo permanecer elevado e os preços dos fertilizantes continuarem altos, são prováveis novas reduções nas intenções de plantio de milho para 2026, mudando gradualmente o foco do mercado do atual superávit para uma aparente escassez em 2026/27. Qualquer rebaixamento relacionado ao clima nas colheitas dos EUA ou do Brasil seria amplificado sob este cenário.
- Gestão de Risco: Os usuários finais devem usar os preços físicos atuais estáveis na Europa e no Mar Negro para estender a cobertura moderadamente, favorecendo compras em camadas e opções para se proteger contra choques de alta da energia ou do clima. Os produtores podem considerar vender rallies em torno dos dados do USDA enquanto mantêm opções de compra para preservar a participação em um potencial aumento do prêmio de risco mais tarde no ano.
📉 Indicação de Preço Regional em 3 Dias (EUR)
- Futuros do CBOT (convertidos para EUR): Lateral a levemente mais firme, acompanhando a energia, mas limitado pelos estoques.
- Mar Negro (Ucrânia, Odesa FOB/FCA): Estável a levemente mais alto devido a fretes e prêmios de risco vinculados a tensões geopolíticas mais amplas.
- UE (FOB Paris): Leve tendência de alta, apoiada por forte demanda de exportação e custos de reposição mais altos dos mercados globais de energia e fertilizantes.


