Mercado de milho se estabiliza enquanto Euronext se recupera em meio ao sentimento cauteloso do CBOT

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O milho da Euronext está mantendo um intervalo lateral firme em torno de EUR 200–210/t, enquanto o milho do CBOT avança lentamente em centavos por bushel, apoiado por exportações fortes, mas restringido pelo progresso inicial do plantio nos EUA e incertezas macroeconômicas. As ofertas físicas próximas na Europa e no Mar Negro permanecem competitivas, mantendo qualquer alta sob controle.

O complexo do milho começa esta semana em um equilíbrio amplamente estável, mas nervoso. Na Euronext, o contrato de junho de 2026 é negociado a EUR 205/t, com a nova safra de novembro de 2026 a EUR 203,25/t, sinalizando uma curva plana ou ligeiramente invertida até a colheita. Os futuros de milho do CBOT estão modestamente mais altos em toda a faixa de 2026, mas as sessões recentes viram os ganhos diminuírem em meio à liquidação de posições longas por fundos e vendas de spillover de soja. Ao mesmo tempo, o plantio nos EUA está ligeiramente à frente da média, a safra de safrinha do Brasil está passando por uma janela climática crítica e a Ucrânia continua enviando grãos por corredores alternativos. Juntos, esses fatores defendem preços limitados, com o clima e a geopolítica como os principais riscos de alta.

📈 Preços & Curvas

Na Euronext, os meses próximos estão aglomerados:

  • Junho 2026: EUR 205,00/t, inalterado em 13 de abril, com ofertas ativas em torno de 204,50/205,25 e um significativo interesse aberto acima de 15.000 lotes (apoio firme próximo).
  • Agosto 2026: EUR 206,50/t, ligeiramente acima de junho, indicando carregamento limitado para o final do verão.
  • Novembro 2026: EUR 203,25/t, abaixo de agosto e junho, refletindo confiança na disponibilidade da nova safra e pressionando a curva para uma leve inversão.
  • Março 2027–Agosto 2028: EUR 207–222,50/t, uma leve inclinação ascendente na parte de trás que precifica alguns custos e prêmios de risco de longo prazo.

O milho do CBOT está mais firme no comércio noturno, com maio de 2026 a 442,75 c/bu (+0,57% em relação ao fechamento anterior) e dezembro de 2026 a 473,25 c/bu (+0,48%). A faixa próxima apresenta uma leve inclinação ascendente até 2027, mas a alta permanece rasa enquanto os fundos reduzem posições longas e a resistência técnica limita ganhos adicionais. Comentários recentes observam que os futuros de milho fecharam ligeiramente mais baixos na segunda-feira, apesar da força intradiária, em gráficos fracos e pressão de spillover da soja, mesmo com o trigo e o petróleo bruto mais firmes.           

As indicações de preços físicos apoiam essa imagem de estabilidade, com diferenciais regionais impulsionando fluxos mais do que movimentos absolutos. O milho amarelo FOB da França, saindo de Paris, está atualmente oferecido em torno de EUR 0,24/kg (EUR 240/t), subindo de EUR 220/t uma semana antes, enquanto o milho amarelo para ração da Ucrânia, ex-Odesa, é indicado a EUR 0,18–0,24/kg dependendo da qualidade e dos termos FCA/FOB. Isso mantém os usuários de ração internos na Europa bem abastecidos, mas limita a alta para os futuros, a menos que o clima ou a geopolítica se tornem marcadamente mais altistas.

Mercado / Produto Preço Próximo (EUR) Unidade Variação em relação ao Anterior
Milho Euronext Jun 26 205 t 0
Milho Euronext Nov 26 203,25 t 0
Milho FOB, Paris (FR) 240 t +20
Milho FCA, Odesa, grau para ração (UA) 240 t 0
Milho FOB, Odesa (UA) 180 t 0

🌍 Fatores de Oferta & Demanda

Estados Unidos: plantio antecipado e exportações recordes

O relatório de Progresso das Culturas do USDA mostra que o plantio de milho nos EUA está em cerca de 5% da área pretendida em 12 de abril, ligeiramente à frente do ano passado e da média dos últimos cinco anos. Isso confirma que os atrasos do blizzard de março foram em grande parte superados e os plantios estão em andamento nos estados-chave.  Os produtores também planejam reduzir ligeiramente a área plantada com milho para 95,3 milhões de acres em 2026 (queda de 3% em relação ao ano anterior), virando parcialmente para a soja, de acordo com as Plantios Prospectivos do USDA. 

No lado da demanda, as inspeções de exportação continuam excepcionalmente fortes. Comentários recentes ao meio-dia destacam que as inspeções cumulativas de exportação de milho estão próximas de 2,0 bilhões de bushels para a campanha 2025/26, um aumento de cerca de 34% em relação ao ano anterior e superando o ritmo sazonal necessário para atingir a meta recorde de exportação de 3,3 bilhões de bushels do USDA.  Essa combinação de área plantada ligeiramente menor e forte demanda de exportação fornece uma base fundamental para os preços do CBOT, mesmo que vendas técnicas ocasionalmente pesem.

Brasil & América do Sul: clima da safrinha em foco

A grande safra de milho safrinha (segunda) do Brasil continua sendo o fator decisivo global. Relatórios recentes indicam que o plantio está efetivamente completo, mas partes de Goiás e outros estados do centro-oeste estão lidando com atrasos no plantio e chuvas irregulares, o que insere risco de rendimento, caso as chuvas sazonais parem muito cedo.  Ao mesmo tempo, comentários atualizados do mercado esperam que as chuvas aumentem em grande parte do Brasil nesta semana, oferecendo algum alívio para os campos da safrinha e aliviando temporariamente as preocupações. 

A competição de exportação da América do Sul, portanto, permanece forte, com o Brasil ainda posicionado para enviar grandes volumes até meados de 2026, assumindo que o clima se estabilize. Para a Euronext, isso limita a necessidade de prêmios de risco agressivos nos contratos da nova safra, ajudando a explicar por que novembro de 2026 é negociado ligeiramente abaixo do junho próximo.

Mar Negro & Europa: fluxos competitivos

A Ucrânia continua a mover grãos através de rotas alternativas no Mar Negro e pela terra, apesar das interrupções contínuas do conflito. Atualizações recentes da UE confirmam que o novo corredor de grãos da Ucrânia e as vias de solidariedade da UE permanecem operacionais, com volumes oscilando, mas suficientes para manter o milho ucraniano como uma origem competitiva em preço para a UE. 

Níveis de oferta atuais de EUR 180–240/t para milho ucraniano (FOB/FCA Odesa) sublinham essa competitividade em relação aos preços internos da UE. Esse respaldo de oferta é uma razão chave pela qual a curva a termo da Euronext ainda não reflete uma escassez significativa, mesmo que a logística global enfrente uma pressão mais ampla devido à crise do Estreito de Ormuz e custos elevados de frete e fertilizantes. 

📊 Fundamentos & Clima

No Cinturão de Milho dos EUA, os solos estão gradualmente esquentando após o blizzard histórico de março, permitindo que os trabalhos no campo sejam retomados. O último resumo do progresso das culturas nota trabalho de campo inicial em áreas do sul, mas solos ainda frios em partes do Meio-Oeste, sugerindo que o plantio pode desacelerar se as chuvas previstas forem confirmadas no final de abril.  Por enquanto, as condições são amplamente favoráveis para um início normal da temporada, limitando os prêmios de risco climático imediatos no CBOT.

No Brasil, previsões de curto prazo mostram aumento das chuvas em grande parte da faixa de safrinha nesta semana, o que é positivo para o estabelecimento da cultura. No entanto, analistas continuam a destacar a importância de chuvas sustentadas até o final de abril e maio; o início antecipado da estação seca reviveria rapidamente as preocupações com a produção e poderia apertar as contas globais. 

Os custos de insumos permanecem um vento contrário globalmente. Os preços elevados do fertilizante nitrogenado, agravados por interrupções nas exportações do Golfo Pérsico durante a recente crise do Estreito de Ormuz, são particularmente críticos para o milho, que é muito mais intensivo em nitrogênio do que a soja.  Essa pressão de custo pode restringir práticas de maximização de rendimento em algumas regiões e explica em parte por que o crescimento da área plantada é limitado, apesar dos níveis de preço razoáveis.

📌 Perspectiva de Negociação

  • Viés de curto prazo: Lateral a ligeiramente mais firme. O junho de 2026 da Euronext deve oscilar em torno de EUR 200–210/t, com a desvantagem amortecida pela forte demanda de exportação e a alta limitada pela ampla oferta brasileira e ucraniana.
  • Produtores (UE): Considerar precificar uma tranche adicional de vendas da safra antiga em movimentos em direção ao limite superior da faixa de EUR 210/t, enquanto mantém algum volume aberto para potenciais altas impulsionadas pelo clima no início do verão.
  • Compradores de ração: Manter uma estratégia de compra em camadas, cobrindo as necessidades de curto prazo nos níveis atuais e deixando flexibilidade para quedas em direção a EUR 195–200/t, caso o progresso do plantio nos EUA permaneça suave e o clima do Brasil melhore ainda mais.
  • Participantes especulativos: Estratégias de intervalo (vendendo strangles ou gama) em torno dos níveis atuais da Euronext e do CBOT podem ser atraentes, mas esteja preparado para cortar riscos rapidamente ao sinal de secura persistente no Brasil ou novos choques geopolíticos.

📆 Perspectiva Direcional de 3 Dias (EUR)

  • Milho Euronext Jun 26: Levemente mais firme ou lateral; espera-se que seja negociado amplamente na faixa de EUR 202–208/t à medida que os mercados digerem os dados de plantio dos EUA e previsões do Brasil.
  • Milho Euronext Nov 26: Lateral; provavelmente pairará em torno de EUR 201–205/t, com notícias limitadas sobre os fundamentos da nova safra na Europa em um futuro muito próximo.
  • Milho físico FOB da UE (Paris): Estável; ofertas em torno de EUR 235–245/t devem persistir, com quaisquer movimentos significativos sendo impulsionados principalmente pelas variações cambiais e de frete, em vez de mudanças na oferta local.