Os preços internacionais de uvas‑passas seguem firmes, com leve viés de alta, apoiados por oferta global mais apertada em 2025/26 e boa demanda de importadores asiáticos, incluindo a China. A recuperação forte da produção em Xinjiang compensa parcialmente perdas relevantes na Índia e no Irã, mantendo o mercado equilibrado, mas sem folga de estoques. Para compradores brasileiros, o câmbio e o frete mantêm os níveis em BRL relativamente estáveis, mas o risco de alta no curto prazo permanece.
O mercado global de raisins deve crescer cerca de 4–5% ao ano até 2035, impulsionado por consumo em snacks e ingredientes de panificação, com Turquia, EUA e Irã ainda respondendo por mais de 70% da produção, enquanto China e Índia ganham peso como grandes consumidores e importadores. A produção mundial 2025/26 é estimada em torno de 1,26 milhão t, com leve queda na oferta total e estoques finais historicamente justos, o que sustenta preços estáveis a firmes. Em Xinjiang, capital chinesa das uvas‑passas, a combinação de clima seco, técnicas modernas de secagem e forte crescimento das exportações de frutas mantém a região como polo competitivo, inclusive para abastecer a Europa. Do lado negativo, a Índia enfrenta forte redução de oferta devido a chuvas fora de época em Maharashtra, pressionando prêmios para raisins indianos de melhor qualidade.
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📈 Preços e panorama geral
Todos os preços abaixo foram originalmente cotados em EUR/kg e foram convertidos para BRL/kg usando uma taxa aproximada de 1 EUR = 6,00 BRL. Valores arredondados.
Preços atuais por origem e tipo (última atualização conhecida)
| Origem | Local / Termos | Tipo | Data | Preço atual (BRL/kg) | Preço anterior (BRL/kg) | Variação | Sentimento |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| China (CN) | Hamburgo, FCA | Sultanas, tipo 9, RTU STD | 2026-03-16 | ≈ 13,38 | ≈ 13,26 | +0,9% | Levemente altista |
| China (CN) | Dordrecht, FCA | Sultanas, std n° 9, grade AA | 2026-03-13 | ≈ 13,20 | ≈ 13,20 | 0,0% | Estável |
| Índia (IN) | N. Delhi, FOB | Dourada, grade AA | 2026-03-13 | ≈ 13,98 | ≈ 13,86 | +0,9% | Altista (oferta menor) |
| Índia (IN) | N. Delhi, FOB | Marrom, grade AA | 2026-03-13 | ≈ 11,28 | ≈ 11,16 | +1,1% | Altista |
| Índia (IN) | N. Delhi, FOB | Preta, grade AA | 2026-03-13 | ≈ 10,92 | ≈ 10,80 | +1,1% | Altista |
| Turquia (TR) | Malatya, FOB | Sultanas, tipo 9, grade A | 2026-03-10 | ≈ 13,68 | ≈ 13,68 | 0,0% | Estável |
| Turquia (TR) | Malatya, FOB | Sultanas, tipo 8, grade A | 2026-03-10 | ≈ 13,50 | ≈ 13,50 | 0,0% | Estável |
| Turquia (TR) | Malatya, FOB | Sultanas, tipo 10, grade A | 2026-03-10 | ≈ 15,48 | ≈ 15,48 | 0,0% | Estável / prêmio de qualidade |
| Turquia (TR) | Malatya, FOB | Sultanas, tipo 9, orgânica | 2026-03-10 | ≈ 18,60 | ≈ 18,60 | 0,0% | Prêmio orgânico firme |
| Turquia (TR) | Malatya, CIF | Sultanas, tipo 9, RTU | 2026-03-10 | ≈ 14,40 | ≈ 14,40 | 0,0% | Estável |
| Chile (CL) | Dordrecht, FCA | Flame jumbo | 2026-03-13 | ≈ 15,00 | ≈ 15,00 | 0,0% | Estável |
| África (AF) | Dordrecht, FCA | Raisins feed, marrom | 2026-03-13 | ≈ 11,70 | ≈ 11,70 | 0,0% | Estável (segmento ração) |
Em termos de movimento semanal, destaca-se a leve alta de raisins chinesas em Hamburgo (+0,9% em BRL) e dos três principais tipos indianos (+0,9% a +1,1%), refletindo oferta mais restrita e custos logísticos firmes. Já produtos turcos e chilenos mostram lateralização, com prêmios mantidos para qualidades superiores e orgânicas.
🌍 Oferta, demanda e contexto global
A produção mundial de raisins/sultanas/currants em 2025/26 é estimada em cerca de 1,26 milhão t, com oferta total ao redor de 1,40 milhão t, ligeiramente abaixo do ciclo anterior, o que indica mercado apertado e dependente de estoques de transição. Turquia, EUA e Irã seguem como principais produtores, respondendo por mais de 70% do volume global, enquanto China e Índia ampliam seu papel, sobretudo como grandes consumidores e importadores regionais.
Relatórios recentes apontam que o mercado global de raisins deve crescer a um CAGR próximo de 4,6% até 2035, impulsionado por snacks saudáveis, panificação, confeitaria e uso industrial em cereais e barras. Em 2023, Índia e China juntas importaram mais de 85 mil t, com aumento superior a 20% em relação ao ano anterior, reforçando a Ásia como motor de demanda.
Por outro lado, choques climáticos e geopolíticos em regiões produtoras como Índia e Irã reduzem a disponibilidade exportável e elevam o risco de volatilidade de preços. Em Maharashtra, principal polo indiano, chuvas fora de época e danos às videiras causaram forte queda nas exportações de raisins em 2025, com embarques de apenas 6,3 mil t entre abril e novembro. No Irã, a combinação de corte de produção projetado e incertezas logísticas reforça a percepção de oferta global mais justa.
📊 Fundamentos por origem chave
China (Xinjiang) – recuperação forte e exportações em alta
Xinjiang, em especial Turpan (Grape Valley), responde por mais de 80% da produção chinesa de uvas e raisins, fazendo da China um dos maiores produtores mundiais e líder em raisins verdes. Estimativas setoriais indicam que a produção chinesa de raisins/sultanas pode atingir cerca de 220 mil t em 2025/26, bem acima dos níveis de 2023/24, apoiada por expansão de área e modernização das estruturas de secagem.
Dados oficiais mostram que as exportações de frutas de Xinjiang cresceram 33% em volume e 44% em valor em 2025, impulsionadas por maior demanda de países da Ásia Central e Oriente Médio. Embora o dado agregue várias frutas (nozes, tâmaras, etc.), o movimento confirma a competitividade logística da região, o que ajuda a explicar a estabilidade dos preços de raisins chinesas na Europa (Hamburgo, Dordrecht) em patamar intermediário entre Índia e Turquia.
Índia – choque de oferta em Maharashtra
Maharashtra concentra cerca de 80% da produção de uvas da Índia e é o principal polo de raisins (Nashik, Sangli, Tasgaon). Em 2025, relatos de chuvas fora de época, granizo e calor excessivo levaram cientistas a projetar queda de até 50% na produtividade de uvas na região, afetando diretamente a disponibilidade de matéria‑prima para raisins.
Consequentemente, as exportações de raisins de Maharashtra despencaram, com apenas 6.309 t embarcadas entre abril e novembro de 2025, bem abaixo de anos anteriores. O relatório global da INC aponta redução projetada da produção indiana de raisins de cerca de 245 mil t em 2024/25 para algo próximo de 180 mil t em 2025/26 (–26%), reforçando o cenário de oferta apertada. Essa escassez explica o viés altista em BRL dos preços indianos FOB N. Delhi.
Turquia – pilar da oferta global, porém com estoques chave
Turquia segue como principal exportador mundial de sultanas, mesmo com queda de produção em 2025 para algo em torno de 165 mil t, segundo análises recentes de mercado. Relatos de clima adverso e perdas em outras culturas na Anatólia (como damascos em Malatya) mostram a vulnerabilidade da região a oscilações de temperatura, embora estoques de passagem de cerca de 30 mil t em alguns segmentos de frutas secas estejam ajudando a suavizar o impacto imediato nos preços de exportação.
No curto prazo, as cotações turcas se mantêm estáveis em BRL, com prêmios claros para tipo 10 e produto orgânico, refletindo a preferência de compradores europeus por qualidade e certificações. A manutenção de fluxos logísticos via portos do Egeu, apesar de tensões geopolíticas na região mais ampla, também contribui para esse quadro de estabilidade relativa.
🌦️ Clima – foco em Xinjiang (CN) e impactos potenciais
Condições atuais em Turpan, Xinjiang
Para o horizonte imediato, a região de Turpan, em Xinjiang, apresenta tempo predominantemente seco e ameno. A previsão de 17 a 19 de março de 2026 indica céu com nuvens altas e temperaturas máximas entre 16 °C e 19 °C e mínimas entre 4 °C e 7 °C, sem indicação de precipitações relevantes.
Como a colheita e secagem principal de uvas para raisins em Xinjiang ocorre no final do verão e outono (com pico em novembro), o clima atual de final de inverno/início de primavera tem impacto limitado sobre o volume da safra, mas é favorável ao desenvolvimento vegetativo e à sanidade dos vinhedos. A ausência de eventos extremos nesta fase reduz o risco de replantio e de doenças fúngicas precoces, sustentando expectativas positivas para a próxima safra.
Clima recente em outras origens
Na Índia, o histórico recente de chuvas fora de época e prolongamento do regime de monções em Maharashtra tem sido o principal fator de risco, com episódios de granizo e tempestades afetando vinhedos em Nashik, Sangli e outras áreas produtoras. Esse padrão climático explica a queda de produtividade e a redução de exportações de raisins indianos, contribuindo para o viés altista observado nas cotações FOB.
Na Turquia, oscilações bruscas de temperatura e eventos de geada tardia em 2025 afetaram diferentes frutíferas na Anatólia central, o que mantém o mercado atento a qualquer sinal de dano potencial também em vinhedos para raisins nas próximas safras. Por ora, porém, não há novos relatos de perdas significativas para a safra 2026, o que justifica a estabilidade recente dos preços turcos em BRL.
🌐 Produção e estoques – comparação simplificada
| País | Produção 2024/25 (mil t) | Produção 2025/26 (mil t, estim.) | Variação aprox. | Comentário |
|---|---|---|---|---|
| Turquia | ≈ 190 | ≈ 165 | ⬇ ~–13% | Segue líder em exportações; estoques ajudam a equilibrar oferta. |
| Índia | ≈ 245 | ≈ 180 | ⬇ ~–26% | Forte impacto de clima adverso em Maharashtra. |
| China | ≈ 135 | ≈ 221 | ⬆ ~+64% | Recuperação e expansão em Xinjiang; maior papel exportador regional. |
| Irã | ≈ 245 | ≈ 140 | ⬇ ~–43% | Redução acentuada de produção e estoques; risco geopolítico. |
O quadro acima ilustra a mudança de eixo na oferta global: queda relevante em Índia e Irã é parcialmente compensada por recuperação forte na China e ajuste moderado na Turquia. No agregado, a produção mundial fica levemente abaixo de anos anteriores, o que, combinado ao crescimento da demanda, sustenta um ambiente de preços firmes em BRL.
📉 Fluxos comerciais e implicações para o Brasil
Relatórios de mercado indicam que Turquia, EUA, Irã e África do Sul continuam como principais exportadores globais, enquanto China e Índia ganham importância como fornecedores regionais na Ásia. Para compradores brasileiros, isso significa maior diversificação de origens disponíveis, porém com risco de concentração logística em rotas sensíveis a custos de frete e seguros.
Com a Índia exportando menos devido à quebra de safra, a competição por produto turco e chinês de melhor qualidade tende a aumentar, sobretudo na Europa e Oriente Médio, o que pode limitar oportunidades de barganha para importadores da América Latina. Ao mesmo tempo, o fortalecimento das exportações de frutas de Xinjiang sugere que a China pode se consolidar como fornecedora competitiva de raisins padrão para mercados emergentes, inclusive o Brasil, em contratos de médio prazo.
📌 Recomendações táticas de trading (curto prazo)
- Compradores brasileiros de raisins padrão (sultanas tipo 9 chinesas e indianas): considerar antecipar parte das compras do 2º trimestre de 2026, aproveitando o patamar ainda moderado em BRL e o clima favorável em Xinjiang, antes de eventual repasse de alta de fretes e prêmio de risco Índia/Irã.
- Indústrias que exigem qualidade premium (tipo 10 turca, orgânica): manter coberturas de 3–6 meses, pois a disponibilidade é mais limitada e os prêmios em BRL tendem a permanecer elevados, mesmo em cenário de câmbio mais favorável.
- Traders: buscar estratégias de arbitragem entre origens, explorando o desconto relativo de raisins chinesas em relação às turcas, especialmente em contratos CPT/CIF para portos do Atlântico Sul.
- Gestão de risco: monitorar de perto evolução climática em Maharashtra e Anatólia, bem como tensões geopolíticas que afetem o Irã, pois qualquer novo choque de oferta pode gerar movimentos rápidos de alta em BRL.
📆 Previsão de preços em BRL – 3 dias (mercado físico, indicativo)
Base de referência: últimas cotações conhecidas convertidas para BRL, assumindo câmbio estável no curtíssimo prazo. Variações projetadas refletem apenas fatores imediatos (clima, notícias recentes, sentimento).
| Origem / Tipo | Mercado de referência | Preço spot atual (BRL/kg) | Dia +1 | Dia +2 | Dia +3 | Tendência 3 dias |
|---|---|---|---|---|---|---|
| CN – Sultanas tipo 9, RTU STD (Hamburgo, FCA) | Europa (base para importadores BR) | ≈ 13,38 | 13,38 | 13,44 | 13,44 | Leve alta (clima favorável, demanda firme) |
| CN – Sultanas std n° 9, grade AA (Dordrecht, FCA) | Europa | ≈ 13,20 | 13,20 | 13,26 | 13,26 | Estável a levemente altista |
| IN – Dourada, grade AA (N. Delhi, FOB) | Índia | ≈ 13,98 | 14,04 | 14,10 | 14,10 | Altista (oferta curta) |
| IN – Marrom, grade AA (N. Delhi, FOB) | Índia | ≈ 11,28 | 11,34 | 11,34 | 11,40 | Altista moderado |
| TR – Sultanas tipo 9, grade A (Malatya, FOB) | Turquia | ≈ 13,68 | 13,68 | 13,68 | 13,74 | Estável, leve viés de alta |
| TR – Sultanas tipo 10, grade A (Malatya, FOB) | Turquia | ≈ 15,48 | 15,48 | 15,54 | 15,54 | Prêmios firmes, risco de alta se câmbio piorar |
Em resumo, para os próximos três dias, o mercado de raisins deve permanecer estável a levemente altista em BRL, com maior pressão de alta nos produtos indianos e em qualidades premium turcas. Raisins chinesas tendem a seguir como alternativa competitiva, sobretudo se o clima continuar favorável em Xinjiang e não houver surpresas logísticas.






